Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
5 Jan
No ano 42 d. C., em Antioquia, na Síria, os discípulos de Jesus foram chamados “cristãos” pela primeira
vez! (Atos 11.26). Eram seguidores de Jesus! Procuravam viver como Jesus Cristo lhes havia ensinado; e se pareciam com o Cristo, lembravam o Cristo, tinham um compromisso bem firmado com a causa de Cristo, mesmo quando isto lhes custava perseguição e morte!
Ah, se, ao contrário, os “cristãos” de hoje pudessem ser reconhecidos como “discípulos” ou “seguidores” de Jesus Cristo! Em nossos dias, o rótulo “Cristão”, na maioria dos casos, não significa mais que uma identificação religiosa formal, cultural; uma informação ao IBGE… E isto inclui, certamente, muitos “cristãos evangélicos”. Que lástima!
“Segue-me!”
Sem interesses egoístas!
Jesus, quando neste mundo, andava de cidade em cidade ensinando e convidando: “Segue-me!” Muitos não entendiam a natureza e propósito deste convite. Por exemplo: Um indivíduo, saiu do meio do povo, e, empolgado, disse a Jesus: “Seguir-te-ei para onde quer que fores”. Ótimo, diríamos. Mas Jesus respondeu: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9.57-58). Ele percebeu que o pretenso seguidor (cristão) só estava interessado em tirar vantagem pessoal da fama e da suposta boa situação financeira de Jesus. Foi preciso Jesus dizer-lhe que estava enganado; que ele, Jesus, era pobre e não tinha nem onde reclinar a cabeça…
Agora, pense nas riquezas exageradas de muitos líderes religiosos e igrejas que dizem estar seguindo a Jesus e ministrando em nome de Jesus! Pense nas promessas que fazem de prosperidade material, visando atrair mais “seguidores” (e mais dinheiro)! Quantos buscam a Deus, vão a Jesus e às igrejas somente para tirar vantagem, para receber “bênçãos”, não necessariamente para amar, adorar, obedecer e servir ao doador das bênçãos!
Na manhã seguinte à multiplicação dos pães e peixes, a multidão que fora alimentada, caminhou muito para encontrar Jesus. Este percebeu seus motivos: “Vós me procurais, não porque vistes sinais (de ser eu o Filho de Deus e Salvador), mas porque comestes dos pães e vos fartastes…” (Jo 6.26).
“Segue-me!”
Prioritariamente!
Alguns contemporâneos de Jesus, quando ouviam seu convite, respondiam: “Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro…” Mencionavam, então, algum dever ou necessidade legítima, como “sepultar o pai” (possivelmente moribundo) ou “despedir-me dos de casa”. Sem entrar em detalhes, vale observar apenas que Jesus enfatizava a prioridade deste modo de vida, sim, porque “seguir a Jesus” implica um modo ou estilo de vida “cristão”, verdadeiramente cristão!
Jesus acrescentou: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc 9.59-62). A decisão por este estilo de vida não é só prioritária; tem que ser bem firmada, irrevogável!
No chamado Sermão do Monte, Jesus condenou a ansiedade por necessidades pessoais básicas tais como comida e roupas, e acrescentou: “Vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.32-33).
“Segue-me!”
Sem desculpas!
Na parábola da Grande Ceia, Jesus compara a vida cristã, com todas as suas implicações, incluindo a consumação de tudo, no céu, com um banquete, estando ele à mesa. Inexplicavelmente, os primeiros convidados, não se aperceberam do privilégio do convite, e “todos, à uma, começaram a escusar-se…Comprei um campo e preciso ir vê-lo…, Comprei cinco justas de bois e vou experimentá-las…, Casei-me e, por isso, não posso ir…” O dono da casa e do banquete ficou indignado, mandou seu servo pelas estradas a chamar “pobres, aleijados, cegos e coxos” (pense nestes como pecadores desprezados, cônscios de sua necessidade, mais humildes). A casa se encheu destes. E o Senhor disse: “Nenhum daqueles homens que foram convidados (anteriormente) provará a minha ceia!” (Lc 14.15-24).
Acontece ainda hoje! Como as pessoas têm desculpas para não ler a Bíblia, para não orar (senão quando passam por uma grande aflição), para aceitar convite para ir a uma igreja cristã!
Aqui é preciso fazer uma distinção. Há Igrejas Católicas e Igrejas Protestantes, de todos os tipos e denominações. São cristãs no sentido bíblico do termo ou são meras instituições religiosas? O que fazem seus membros quando reunidos? Pode-se dizer que estas reuniões são um “banquete espiritual”? A adoração e o louvor são “em espírito e em verdade”? (Jo 4.24). A pregação e o ensino são realmente bíblicos? Pregadores e ouvintes progridem na prática da Palavra de Deus? (I Ts 1.5-10; Tg 1.22). Há amor e consciência de serem todos uma família, a “família de Deus”? (Jo 13.34-35; Ef 2.19).
É claro que a “Grande Ceia” ou “banquete” é a vida cristã, mas inclui os cultos de adoração, louvor, pregação da Palavra de Deus, oração e comunhão com os “irmãos em Cristo”. Quantos não priorizam este banquete e dão desculpas… Até mesmo um capítulo de novela, um jogo de futebol, o supermercado, a chuva…
Neste Ano Novo, pare com as desculpas e diga SIM ao “Segue-me” de Jesus, mas sem interesses egoístas, com prioridade absoluta e compromisso bem firmado…
Pr. Éber Lenz César, Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, RJ, 03/01/2010.
2 Responses for "Seguir a Jesus"
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