Por esses dias, li na Internet alguns artigos condenando as celebrações natalinas por cristãos e igrejas, argumentando que tais celebrações são de origem pagã etc. Conversei também com uma jovem senhora, que já foi membro desta igreja, a qual me disse que na igreja que agora frequenta, é proibido sequer falar do Natal.

Não vejo porque não ter um dia no ano para celebrar o nascimento de Jesus e tudo o que significa, mesmo não sabendo em que dia, mês e ano ele nasceu neste mundo. Celebramos sua morte e ressurreição na chamada Semana Santa (que coincide com a Páscoa judaica). Por que não seu nascimento? Todavia, precisamos ter alguns cuidados…

As crianças precisam saber que Natal (a celebração de que falamos) não é Papai Noel, presentes, sonhos, fantasias. Os adultos precisam cuidar para que o Natal não seja apenas nem principalmente um feriado para reunir família, comer, beber e trocar presentes. A propósito, o pior do Natal é a sua comercialização e o aumento do consumismo.

Na Bíblia, o nascimento ou encarnação do Filho de Deus neste mundo (seu natal) tem um sentido profundamente teológico e espiritual. É o tema central tanto do Antigo como do Novo Testamento.

Antigo Testamento

Logo em seguida à entrada do pecado no mundo, Deus prometeu a Adão e Eva que um “descendente de mulher” feriria a cabeça da serpente, que é Satanás (Gn 3.15. Veja em Gl 4.4 que o apóstolo Paulo identifica Jesus com este “descendente”.

Os profetas anteviram o mesmo com os olhos da fé e o referiram como Messias (Cristo, em grego; Ungido, em português). Isaías, por exemplo, profetizou: “O povo que andava em trevas viu grande luz… Porque um menino nos nasceu… e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.2,6). E mais: “Consolai, consolai o meu povo, diz o Senhor… Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor… Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará…” (Is 40.1-10).

O profeta ainda falou do Messias como “um renovo… raiz duma terra seca… desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer… Ele tomou sobre si as nossas enfermidades… Ele foi traspassado pelas nossas transgressões…” (Is 53).

Passaram-se os séculos. Israel sofreu duras experiências. Os mais crentes dentre eles alimentaram a esperança de que, um dia,  aquelas profecias se cumpririam e o Messias viria. Era a chamada esperança messiânica.

Novo Testamento

Quatrocentos anos desde o último pronunciamento ou manifestação de Deus no Velho Testamento… Parecia que a esperança, afinal, era falsa. Mas apenas parecia. Na verdade, com as Conquistas Gregas e o surgimento do Império  Romano o mundo estava sendo preparado por Deus para a vinda do Messias e para o  surgimento e expansão do Cristianismo.

Então, um anjo apareceu ao sacerdote, Zacarias anunciando o nascimento de João, o Batista. Este seria o precursor de Jesus, o Messias. Aos trinta anos, cumprindo a profecia de Isaías, João apareceu nos desertos da Judéia citando aquele profeta e dizendo: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor… Endireitai as suas veredas…” (Lc 3.1-6).

João ainda não havia nascido quando o anjo Gabriel apareceu a uma jovem de Nazaré, chamada Maria, para dizer-lhe que ela, mesmo não tendo relação com homem algum (era noiva de José), ficaria grávida e daria à luz um filho, que ela deveria chamar de JESUS! (Lc 1.26-35).

Quando soube que a noiva estava grávida, o pobre do José, com toda razão, ficou muito decepcionado e quis desmanchar o noivado. Mas “eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. E o evangelista explicou: “Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mt 1.18-23).

Quando o menino nasceu, um anjo disse a uns pastores que cuidavam dos seus rebanhos nas campinas de Belém: “Eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Em seguida, apareceram outros muitos anjos que, em coro, disseram: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem” (Lc 2.10-14).

Foi assim o natal de Jesus! Tão extraordinário e tão lindo! Você acha mesmo que José, Maria, os pastores e, depois, os discípulos de Jesus não o celebraram cada ano? A data exata perdeu-se no tempo. Mas, que importa? Ele nasceu aqui, para ser nosso Salvador e Senhor. Queremos lembrar, celebrar, agradecer…

… mas da maneira bíblica.

Os que acreditamos nestas histórias e cremos em Jesus, podemos e devemos celebrar seu nascimento:

a) dando glória a Deus, como os anjos o fizeram;

b) agradecendo a Deus por seu amor e graça, enviando-nos seu Filho para nos salvar e transformar (Jo 3.16).

c) renovando nossa confiança em Jesus como nosso Salvador e Senhor, de tal modo que haja permanente segurança e paz em nosso coração, tanto no que diz respeito à nossa salvação, como no que se refere à direção de nossa vida;

d) dispondo-nos a proclamar a boa nova do Natal àqueles que ainda não crêem em Jesus. Foi o que o anjo fez, quando disse aos pastores: “Eis aqui vos trago boa nova de grande alegria que o será para todo o povo…”

Pr Éber  Lenz César. Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, 13/12/2009