Susan achava quase impossível progredir em seu trabalho. O medo a deixava paralisada quando tentava desempenhar papéis de liderança que sua posição requeria. Estava convencida que lhe tirariam o emprego se seu passado fosse descoberto.

Um conselheiro dedicou-lhe várias sessões antes que ela fosse capaz de admitir quais tinham sido suas atividades no passado, que ela tanto repugnava agora. Finalmente, das profundezas de sua angústia e medo, jorrou tudo: seus numerosos casos amorosos, um aborto e seu envolvimento homossexual.

Embora sua vida tivesse sofrido uma mudança tremenda desde que se tornara cristã, Susan ainda tinha uma auto-imagem deficiente por causa dos pecados do passado, sem saber como lidar com eles. As consequências da visão negativa que tinha de si mesmo eram óbvias […].

Nossa auto-imagem difere dos nossos orgãos físicos. Estes podem ser estudados em livros de medicina, com o auxílio de fotos e gráficos. Mas a auto-imagem não pode ser fotografada, não tem uma forma definida. Todavia, podemos tentar descrever alguns dos seus componentes.

Três necessidades básicas são comuns a todos os seres humanos: (1) A necessidade de sentir-se amado e aceito; ter um senso de pertencer a alguém (segurança). (2) A necessidade de sentir-se útil; ter um senso de valor. (3) A necessidade de sentir-se adequado; ter um senso de competência. Segurança, valor e competência são os pilares sobre os quais apóia-se a auto-imagem saudável. Se um destes pilares não está bem desenvolvido ou encontra-se danificado, a auto-imagem da pessoa é instável, insegura e desequilibrada.

Sensação de segurança.

Este é o pilar básico da auto-imagem. Experimentamos esta sensação de segurança quando sabemos que somos amados e aceitos e percebemos que alguém realmente se importa conosco, e isto incondicionalmente.

De algum modo, todos recebemos amor e somos aceitos. Mas não perfeitamente. Ocasionalmente recebemos amor e aceitação condicionais, assim expressos: “Eu o amo porque você é __”. A ameaça que sentimos, talvez sem perceber, é: “O que aconteceria se eu deixasse de ser ___?”.

O amor condicional deixa insatisfeita a necessidade básica de amor e segurança. A maioria de nós cresce com este pilar de auto-imagem enfraquecido. Por isso, “O amor é a maior fonte de cura que pode existir na vida de alguém” (J. Mallory e A. Baldwuin, em O Rei e eu).

Senso de valor.

Segurança é a sensação de ser agradável aos outros, amado e aceito pelos outros. Senso de valor é algo que experimentamos quando gostamos de nós mesmos. A segurança tem a ver com o sentimento de proteção. O valor resulta do sentimento bom a respeito de si mesmo. Acontece quando você pode dizer: “Eu gosto de mim, eu me respeito, não me envergonho do modo como trato a mim mesmo”. Temos consciência de sermos corretos, limpos, certos e apropriados. De algum modo (ainda que imperfeitamente) correspondo ao amor e a aceitação dos outros […].

O mundo está cheio de pessoas que se sentem sem valor, de uma maneira ou de outra. Experiências de relacionamentos na infância frequentemente provocam feridas profundas, que pioram na adolescência e na vida adulta. Algumas vezes nosso senso de falta de valor aumenta porque nos engajamos em atividades que violentam nossos padrões pessoais e nos deixam um sentimento de culpa. Muitas vezes nos envergonhamos pela maneira como tratamos os outros e a nós mesmos. Uma auto-imagem saudável requer um pilar de valorização forte.

Senso de competência.

O terceiro pilar da auto-imagem é um senso interior de competência. “Eu posso fazer isso” é a atitude confiante de pessoas com auto-imagem saudável quando enfrentam uma nova tarefa. Esta atitude otimista inspira esperança e coragem. Tem tudo a ver com o sucesso. Pessoas com um senso de competência saudável enfrentam um novo dia sem medo, mas com alegria e entusiasmo pelas oportunidades que estão diante delas.

Muitos pais lêem para os filhos a clássica história infantil “A Pequena Máquina que Podia”. É a história de uma locomotiva que tinha de empurrar uma carga pesada para o alto da montanha. Todas as locomotivas grandes lhe diziam que não conseguiria fazê-lo, mas enquanto se esforçava sob o peso da carga ela dizia a si mesma: “Eu acho que posso, eu acho que posso”. Como resultado, a despeito das dúvidas das grandes locomotivas, ela alcançou o alto da montanha.

Todas as pessoas, cristãs ou não, precisam desenvolver estes pilares da auto-imagem saudável.

Resumido e adaptado de Construindo uma nova imagem pessoal, Josh MacDowell, Ed. Candeia, 1997.