Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
2 Dec
O sentimento de aceitação é da máxima importância. As crianças, adolescentes e jovens precisam ser
aceitos por seus pais, irmãos e colegas; todos precisamos ser aceitos por nossos companheiros de trabalho, por nossos irmãos em Cristo, pela sociedade.
O sentimento de inaceitação tem levado crianças, adolescentes, jovens e adultos a se comportarem de maneiras estranhas, unicamente para chamar a atenção dos outros. É como se quisessem dizer aos circunstantes: “Ei! Olhem para mim. Dêem-me um pouco de atenção…”
A respeito do assunto, a Bíblia diz pelo menos quatro coisas.
Deus e Cristo nos aceitam.
Deus nos ama e nos aceita como somos. Ele não rejeita o pecador, quando este o busca, lhe pede perdão e ajuda. Sl 51.1,2,11,17.
Cristo, o Filho de Deus, quando esteve neste mundo, disse às multidões: “Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). E, noutra ocasião: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37).
De fato, Deus sempre dá o primeiro passo na direção do pecador. Inúmeras passagens bíblicas o comprovam. A mais conhecida é esta: “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Um dos nomes dados a Jesus, pelo próprio Deus, foi “Emanuel”, que quer dizer “Deus conosco” (Mt 1.23). De fato, “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo…” (II Co 5.18).
Na parábola do Filho Pródigo, contada por Jesus, o pai, que, na história, representa Deus, nosso Pai Celestial, aceita o filho que volta em completa degradação, mas arrependido e confesso (Lc 15.11-24).
Devemos aceitar-nos a nós mesmos.
Se Deus nos aceita como somos, nós também podemos e devemos aceitar-nos a nós próprios. Isto é muito importante. Michel Quoist, em Construir o Homem e o Mundo, escreveu: “Muitos estão paralisados, atados, e arrastam-se em uma vida sofrida e sem sentido somente porque nunca se aceitaram a si mesmos, com seus limites e suas qualidades…”
Todos temos um “eu ideal” e um “eu real”. Observando as vidas de outras pessoas, lendo a Bíblia e outros livros, ouvindo sermões e cantando hinos aprendemos o que deveríamos e gostaríamos de ser, idealmente. Como a realidade é outra, temos, às vezes, dificuldades sérias para nos aceitarmos como somos. É melhor admitir a pecaminosidade que nos impede de ser o que deveríamos ser, crer que Deus nos ama e nos aceitarmos como somos. E então, deixar que Deus nos aperfeiçoe. O autor de Hebreus expressou este desejo: “O Deus da paz… vos aperfeiçoe em tudo… operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo” (Hb 13.20-21).
Devemos aceitar os outros.
Se Deus, que é perfeito, nos aceita, que motivo temos nós para não aceitarmos os outros? Entretanto, isto não é fácil. Se as pessoas não correspondem às nossas expectativas, tendemos a rejeitá-las. A Bíblia diz: “Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu…” (Rm 15.7). Isto não significa, necessariamente, que estamos satisfeitos uns com os outros, ou que vamos fechar os olhos para os defeitos e pecados uns dos outros. Deus e Cristo nos aceitam como somos para nos perdoar e santificar; aceitamos os outros como são, para perdoá-los e ajudá-los como pudermos no seu processo de crescimento.
Há uma história no Velho Testamento que ilustra estas verdades. O rei Davi, ao assumir o trono de Israel, mandou saber se ainda vivia algum descendente de Saul, seu antecessor. Queria usar de bondade para com ele, “por amor de Jônatas”. Saul tinha perseguido a Davi e por pouco não o matou. Jônatas, filho de Saul, tinha sido o melhor amigo de Davi. Informado a respeito de Mefibosete, “um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés”, Davi mandou chamá-lo. Mefibosete teve medo, pensando que Davi queria vingar-se de Saul. Mas o rei lhe disse: “Não temas, porque usarei de bondade para contigo, por amor de Jônatas, teu pai… Comerás à minha mesa”. Mefibosete tinha dificuldade para aceitar-se a si próprio; sua auto-estima era a mais baixa possível, certamente devido à deficiência física. Ele disse ao rei: “Quem é teu servo para teres olhado para um cão morto como eu?” A aceitação e a bondade do rei lhe fizeram muito bem. Ajudaram-no a aceitar-se a si mesmo e a viver uma vida mais feliz (II Sm 9).
Precisamos aceitar a Cristo.
Tudo isto é possível por meio de Cristo. Deus nos aceita “em Cristo” ou “por amor de Cristo” (Ef 1.3-5).
Aceitamo-nos a nós mesmos mais facilmente quando aceitamos a Cristo e ele passa a habitar em nós pelo Espírito Santo. Aceitamos uns aos outros quando o amor de Cristo enche o nosso coração. Como diz o cântico:
Quero que valorize o que você tem.
Você é um ser, você é alguém
tão importante para Deus!
Nada de ficar sofrendo angústia e dor
Neste seu complexo inferior,
dizendo, às vezes, que não é ninguém…
O Espírito Santo se move em você…
Há algo importante em você.
Por isso, levanta e cante, exalte o Senhor!
Você tem valor…
Pr. Éber Lenz César, Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, 29/11/2009
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