Cristãos sinceros às vezes cometem erros e pecam em questões duvidosas acerca das quais não se têm um mandamento ou ensino claro nas Escrituras. Não têm certeza se determinado procedimento está certo ou errado, se convém ou não. Em muitos casos, agem sem oração, sem cuidado, porque a questão em si parece sem importância. Será?

Deus pode ser honrado ou desonrado nas coisas pequenas e simples da vida. Além disso, nossas decisões a respeito, uma após outra, farão significativa diferença em nossa vida e na vida de  muitas outros.

Somos do Senhor!

Na época do apóstolo Paulo, alguns cristãos supostamente mais esclarecidos sentiam-se à vontade para comer e beber livremente, sem restrições, senão a do gosto pessoal; entendiam também que os dias da semana eram todos iguais, não havendo necessidade de “santificar” esse ou aquele dia.

Entretanto, havia crentes sinceros que não se sentiam bem com esse “liberalismo”; preferiam comer legumes, beber água e guardar os dias “santos”. O apóstolo assumiu a postura mais arejada a respeito destas coisas, mas condenou o orgulho dos liberais, seu desprezo aos escrupulosos, e o julgamento de uns e outros. Além disso, fez que ambos os grupos entendessem que o mais importante era agradar a Deus e dar contas a Deus, o Senhor:

  • “Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si… Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor. Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Tu, porém, por que julgas o teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus” (Rm 14.6-10).

À frente, no mesmo capítulo, o apóstolo nos dá mais dois motivos para sermos cuidadosos com nossas opiniões e práticas nas coisas grandes e pequenas. O amor e a consciência.

(1) O amor aos irmãos é muito mais importante que minhas opiniões e práticas pessoais.

  • “Tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão… Se, por causa de comida o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal… É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar [ou se ofender, ou se enfraquecer] (Rm 14.13-21).

(2) A consciência do certo e do errado, do que convém e do que não convém tem tudo a ver com a fé, no sentido de convicção ou certeza.

  • “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus… Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.22-23). Em outras palavras: “Na dúvida, não ultrapasse!”

Você tem dúvida se tal ou qual palavra, procedimento ou diversão agrada a Deus, entristece , prejudica ou escandaliza seus irmãos em Cristo? Não faça! (Quanto mais se souber, com certeza, que é o caso!).

Será que convém?

Paulo escreveu isso aos cristãos de Roma. Mas os de Corinto também não estavam sabendo lidar com a liberdade que tinham em Cristo, liberdade para decidir o que deviam e o que não deviam fazer. Falando de comida, bebida e sensualidade, Paulo escreveu-lhes:

  • “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas…” (I Co 6.12).

Por que isso? Outra vez um motivo profundamente espiritual:

  • “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós… e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Co 6.19-20. Ver I Pe 1.17-19).

O motivo do amor é dado mais à frente, com repetição do motivo teocêntrico:

  • “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse e sim o de outrem… Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus…” (I Co 10.23,24,31,32).

Mais algumas dicas.

Estas foram adaptadas de “Leituras Cristãs”, W. Wood, 1960.

  1. Não faça nada nem se permita qualquer prazer que de algum modo prejudique seu corpo, que é “templo do Espírito Santo”.
  2. dem para qualquer coisa que escureça a luz do Senhor em sua alma. J. Whitefield disse: “Esta pequena mão pode esconder o sol!”
  3. Não desperdice dinheiro.
  4. Não desperdice tempo. “Matar o tempo” é o pior dos assassinatos!”
  5. Qualquer trabalho ou prazer que não possa ser santificado pela palavra de Deus e pela oração ou sobre o qual não possamos pedir a bênção de Deus, é pecado. I Tm 4.5
  6. Suspeite da própria vontade, dos próprios desejos; submeta-os à vontade de Deus. Jesus orou: “Não seja como eu quero, e sim como tu queres… Faça-se a tua vontade” (Mt 26.39,42).

Pr. Éber Lenz César, Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio, 30/08/2009