Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
7 Aug
Havia um homem muito rico, que possuía muitos bens: uma grande fazenda, muito gad
o e vários empregados. Tinha ele um único filho, que, ao contrário do pai, não gostava de trabalho nem de compromissos. O que ele mais gostava era de festas, estar com seus amigos e ser bajulado por eles. Seu pai sempre o advertia que os amigos só estariam com ele enquanto tivesse o que lhes oferecer. Depois o abandonariam.
O jovem ouvia os insistentes conselhos do pai, mas não lhes dava a devida atenção.
Um dia, o velho pai, já avançado em idade, disse aos seus empregados para construírem um pequeno celeiro e dentro do celeiro ele mesmo fez uma forca; junto a ela, uma placa com os dizeres: “Para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai”. Mais tarde, chamou o filho, levou-o ao celeiro e lhe disse:
- Meu filho, eu já estou velho e quando eu partir, você herdará tudo o que é meu, e sei qual será o seu futuro. Você vai deixar a fazenda nas mãos dos empregados e irá gastar todo o dinheiro com os seus amigos, irá vender os animais e os bens para se sustentar, e quando não tiver mais dinheiro, mais nada, seus amigos vão se afastar. Então, você vai se arrepender amargamente de não ter me dado ouvidos. É por isso que eu construí esta forca; sim, ela é para você, e quero que me prometa que se acontecer o que eu disse, você se enforcará nela.
O jovem riu, achou absurdo, mas, para não contrariar ainda mais o pai, garantiu-lhe que faria o sugerido. Na verdade, achava que nunca chegaria a tanto.
O tempo passou, o pai morreu e o filho ficou responsável pela fazenda e tudo o mais. Entretanto, assim como seu pai havia previsto, em pouco tempo ele gastou tudo, perdeu os amigos e a própria dignidade. Desesperado e aflito, começou a refletir sobre a sua vida e viu que havia sido um tolo. Lembrou-se do pai e, chorando, pensou:
- Ah, meu pai, se eu tivesse ouvido os seus conselhos… Mas agora é tarde, tarde demais.
Assim pensando, o jovem levantou os olhos e avistou a certa distância o pequeno celeiro. Era a única coisa que lhe restava.
A passos lentos, caminhou ate lá; entrando, viu a forca e a placa empoeirada… Com profunda tristeza, balbuciou:
- Eu nunca atendi às palavras do meu pai. Não pude alegrá-lo, quando estava vivo, mas, pelo menos esta vez, vou fazer o que ele pediu, vou cumprir minha promessa. Não me resta mais nada…
Então, subiu nos degraus e colocando a corda no pescoço, ainda disse:
- Ah! se eu tivesse uma nova chance …
E pulou!!
Sentiu por um instante a corda apertar sua garganta, mas o braço da forca era oco e quebrou-se facilmente.
O rapaz caiu no chão, e, sobre ele caíram significativa quantia de dinheiro, jóias e um bilhete que dizia:
- Esta é a sua nova chance! Eu sempre o amei! Seu pai.
Adaptado de texto recebido através do grupo de Mensagens de Meire Michelin, sem menção de autoria.
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