Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
10 May
1 PRESBÍTEROS E DIÁCONOS: QUEM SÃO E O QUE FAZEM?
Com o crescimento e a expansão da igreja. no primeiro século, surgiram múltiplas necessidades relacionadas com a organização, a edificação, a evangelização e a beneficência. Sob a direção do Espirito Santo, os apóstolos promoveram, em Jerusalém, a eleição de diáconos; depois, constituíram presbíteros em cada cidade onde se estabeleceram as novas igrejas. Ver At 6.1-7; 14.22-23; Tt 1.5.
Com a bênção de Deus, cresce também a nossa amada Igreja Presbiteriana Luz do Mundo. As exi-gências do ministério se multiplicam. Temos necessidade de mais presbíteros, mais diáconos e da cooperação de todos os membros.
A Constituição da Igreja Presbiteriana determina que o pastor faça sermões e estudos preparando a igreja para a eleição de seus “oficiais”. É o que vamos fazer através desta série de estudos.
Os termos “presbíteros”, “bispos” e “diáconos”.
“Presbíteros” e “bispos” ocorrem paralelamente no Novo Testamento e referem-se àqueles líderes espirituais de cujo ministério e conduta depende o bem estar da igreja.
• “Presbítero” vem do grego “presbíterós”, que quer dizer “ancião”. O costume de escolher homens mais experimentados para ajudar na liderança do povo de Deus remonta à época em que Moisés nomeou “setenta anciãos” para ajudá-lo na condução do povo de Israel, no deserto (Nm 11.15-17). Posteriormente, no Judaísmo, cada Sinagoga veio a ter os seus “anciãos”. Eles presidiam a congregação, repreendiam e disciplinavam quando necessário, conciliavam os inimigos, exerciam a supervisão material e espiritual.
• “Bispo” vem do grego “episcopos” e significa “supervisor”, “superintendente” (I Tm 3.1-2).
• “Diácono” vem do grego “diakonos” e significa “ministro” ou “servo”. “Diakonia”, que aparece mais vezes no Novo Testamento, significa “serviço”, “ministério”. Não se refere apenas ao ministério hoje atribuído aos nossos “diáconos”. Paulo descreve Epafras corno “diakonos” ou ‘ministro de Cristo” (Cl 1.7) e a si mesmo como “diakonos” ou “ministro” do Evangelho e da igreja (Cl 1.23,25). Entretanto, o relato, em At 6, sobre a escolha de 7 homens aprovados para supervisionarem a administração do fundo para as viuvas, é comumente tornado corno a instituição formal do diaconato. Este é o primeiro exemplo de entrega de responsabilidades administrativas e sociais a homens dotados de caráter e dons apropriados. Tornou-se um procedimento típico nas igrejas gentias.
A excelente obra do presbiterato
Paulo escreveu a Timóteo: “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (I Tm 3.1). Que obra excelente é esta?
(a) Pastorear o rebanho com o pastor, que também é “presbítero” (At 20.17-18; I Pe 5.1-3).
(b) Ensinar a Palavra (I Tm 3.2; 5.17).
(c) Refutar os que contradizem a Verdade (Tt 1.9,11).
(d) Governar, presidir, liderar (I Tm 3.4-5; 5.17).
(e) Orar com e pelos doentes (Tg 5.14).
A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil diz o seguinte sobre as funções dos presbíteros: “… corrigir ou admoestar os faltosos; auxiliar o pastor no trabalho de visitas; instruir os neófitos (novos convertidos); consolar os aflitos; cuidar da infância e da juventude; orar com os crentes e por eles; informar o pastor dos casos de doenças e aflições; distribuir os elementos da Santa Ceia; tomar parte na ordenação de ministros e oficiais; representar o Conselho no Presbitério, este no Sínodo e no Su-premo Concílio” (CI-IPB, Art. 51).
A excelente obra do diaconato.
Com base em Atos 6, os diáconos cuidam da beneficência da igreja, um trabalho tão importante e difícil que o texto menciona a necessidade de serem os diáconos “homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria” (v.3). Estêvão, um daqueles primeiros 7 diáconos, era “homem cheio de fé e do Espírito Santo”(v.5). Alguns diáconos receberam também o dom da profecia e/ou do ensino e o talento natural para discursar, de modo que, além da beneficência, exerciam também o ministério da Palavra. Foi o caso de Estêvão (At 6.8-7.53) e de Filipe (At 8.5ss).
A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil diz o seguinte sobre o diaconato: “O diácono é o oficial eleito pela igreja e ordenado pelo Conselho para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente: (a) à arrecadação de ofertas para fins piedosos; (b) ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos; (c) à manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino; (d) exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências.”
As qualificações necessárias.
Em I Pe 5.1-3, vemos que os presbíteros (incluindo os pastores) devem ser “modelos do rebanho”. Os diáconos, conforme observamos em At 6.3-5, devem ser “homens cheios do Espírito Santo e de sabedoria… e de fé”. Paulo, em II Tm 2.2, fala de “homens fiéis e idôneos.” Este mesmo apóstolo, nas duas passagens mais importantes sobre presbíteros e diáconos, I Tm 3.1-12 e Tt 1.5-9, enumera cerca de vinte qualificações que os presbíteros e os diáconos precisam ter. São elas:
• Irrepreensível
• Esposo de uma só mulher
• Bom chefe de família
• Hospitaleiro
• Temperante
• Sóbrio
• Modesto
• Não dado ao vinho
• Não violento
• Cordato
• Inimigo de contendas
• Não avarento
• Apto para ensinar
• Não seja neófito
• Tenha bom testemunho dos de fora
• Piedoso
Vamos estudar cada uma destas virtudes. Nosso propósito é duplo: (a) preparar-nos para uma elei-ção de presbíteros e diáconos; (b) desenvolver estas virtudes em nossas próprias vidas, uma vez que, na Palavra de Deus, elas não se restringem aos “oficiais” da igreja. Naturalmente, nenhum de nós possui todas estas virtudes, no grau recomendado. Mas o importante é estarmos conscientes de sua necessidade e crescendo na prática das mesmas…
2. IRREPREENSÍVEL
Presbíteros, diáconos e os crentes de modo geral devem ser irrepreensíveis (I Tm 3.2; Tt 1.6.7). Paulo coloca esta virtude em primeiro lugar porque ela é a principal e engloba todas as outras.
O significado do termo.
Irrepreensível é “o que não merece censura; que não pode ser repreendido” (Dicionário KLS). Esta qualidade relacionada por Paulo não constitui uma novidade no pensamento do Novo Testamento. Quando a igreja enfrentou o seu primeiro problema de organização em Jerusalém, os apóstolos recomendaram que sete “homens de boa reputação” fossem escolhidos para ajudar a resolver o problema da distribuição dos alimentos (At 6.3). A idéia é a mesma. Um homem irrepreensível é um ho-mem de boa reputação, de comportamento exemplar.
Quando Paulo chegou a Listra em sua segunda viagem missionária, ele ouviu falar de Timóteo. “Dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio” (At. 16.2). Em outras palavras, Timóteo tinha uma “boa reputação”; era “irrepreensível” em todo o seu procedimento. Observe três coisas:
(a) As pessoas falavam sobre Timóteo. Uma boa reputação gera comentários, antecedentes po-sitivos.
(b) Mais de uma pessoa estava falando bem de Timóteo. Este é um bom teste para saber se uma pessoa tem ou não uma boa reputação. Todos temos um ou dois amigos que nos admiram, mas o que as pessoas em geral estão dizendo?
(c) Os irmãos falavam bem de Timóteo em Listra e Icônio. A reputação de Timóteo era boa em casa e longe de casa. Quando nos dois lugares há concordância de bom testemunho acerca de um homem, podemos saber com certeza que ele é irrepreensível. Paulo ficou impressionado com a reputação de Timóteo. Este era o homem (um jovem) que ele queria que “fosse em sua companhia” (At 16.3).
Leva tempo edificar urna boa reputação. Mas deveria ser o alvo de cada cristão. Deve acontecer na-turalmente enquanto crescemos e amadurecemos na vida cristã.
“Desenvolvei a vossa salvação…”
Como dissemos, esta qualidade, que engloba todas as outras, não aparece somente aqui em I Tm 3 e Tt 1. Paulo, em Ef 1.4, ensina-nos que Deus “nos escolheu nEle (Cristo) antes da fundação do mun-do, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele”. E em CI 1.21-22 diz que “Ele nos reconciliou… para apresentar-nos perante Ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Ver também Ef 5.25b-27). Em I Co 1.8, lemos esta promessa: “Cristo vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo”. Cristo começou uma “boa obra” em nós e há de completá-la! (Fl 1.6).
Em Fl 2.12b,15 somos exortados a cooperar com o Salvador, não na salvação propriamente, mas no desenvolvimento das virtudes que devem caracterizar a vida dos salvos: “… desenvolvei a vossa salvação para que vos torneis irrepreensíveis… inculpáveis no meio de urna geração pervertida e cor-rupta…” Não há necessidade de empurrar estas virtudes para o “dia de Cristo”. Ou seja, não devemos nos acomodar e pensar que só no fim do mundo, no dia da volta de Cristo é que seremos irre-preensíveis. Pedro exorta aos que aguardam aquele dia: “…empenhai-vos por ser achados por Ele… sem mácula, irrepreensíveis… E crescei na graça…” (II Pe 3.10-18).
“Modelos do rebanho”.
Vê-se, nestas passagens, que todos os filhos de Deus devem ser irrepreensíveis. Mas em I Tm 3.l-13 e Tt 1.5-9, aprendemos que os presbíteros e diáconos, por razão de suas posições de liderança, devem ser “modelos do rebanho”, nisto e em tudo o mais (I Pe 5.3). O apóstolo Paulo, que também ocupava posição de liderança, pôde escrever aos tessalonicenses. “Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes” (I Ts 2.10. Ver At 20.18; I Co 11.1). Este procedimento irrepreensível de Paulo e seus companheiros em Tessalônica produziu frutos maravilhosos porquanto os muitos novos convertidos naquela cidade tornaram-se “imitadores” do apóstolo e, eles próprios, “modelos para todos os crentes na Macedônia e na Acaia” (I Ts 1.6-7). No verso seguinte, Paulo lhes diz: “… de vós repercutiu a palavra do Senhor… e por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus…” Outra vez, a “boa reputação”! Somos irrepreensíveis?
Um pastor, discutindo esta virtude cristã com um grupo de homens, perguntou-lhes o que pensavam a respeito e que palavras usariam para descrever um homem irrepreensível. Abaixo, relacionamos as respostas daqueles homens. Pense em cada uma delas, faça um exame de consciência e escreva “sim” ou “não” nas colunas, conforme o seu caso. Você pode acrescentar outras palavras.
UM HOMEM (OU MULHER) IRREPREENSÍVEL É:
PELA GRAÇA DE DEUS EU SOU AINDA NÃO SOU, MAS PROCURAREI SER
Amável
Cordial
Humilde
Honesto
Trabalhador(a)
Perseverante
Organizado(a)
Administra bem o tempo, o dinheiro etc.
Admite quando erra
Aceita orientação
Cumpre a palavra
Transparente; as pessoas sabem o que ele(a) pensa
Não perde a calma; tem domínio próprio
É consistente (vive a fé que professa)
3. O LÍDER E SEU LAR
Sob este título, vamos estudar as qualidades mencionadas por Paulo em I Tm 3.-13 e Tt 1.5-8 e que estão relacionadas com o lar do pastor, do presbítero e do diácono, em especial, e dos cristãos, de modo geral.
“Esposo de uma só mulher”
A expressão não quer dizer que o líder cristão tem que ser casado. Significa, sim, que ele tem que ser puro e, se casado, deve ser absolutamente fiel à sua mulher. É preciso lembrar que esta recomendação foi feita num tempo em que a poligamia era muito comum. Muitos conversos ao cristianismo eram de procedência pagã e praticantes da poligamia. Havia judeus que a admitiam. Em nossos dias, as leis e os códigos de moral não permitem a poligamia, mas os casos furtivos ou públicos de infidelidade conjugal e de concubinato se multiplicam. O cinema, a televisão, a literatura e os pseudo-conselheiros matrimoniais têm contribuído muito para isto. E, que tragédia! Alguns crentes e mesmo líderes de igreja têm cedido às pressões e às tentações.
Veja nas passagens seguintes a seriedade com que a Bíblia trata deste assunto. Há muitas outras, mas a espaço aqui só nos permite citar estas:
• Jó 31.1-12. Jó era um “homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desviava do mal” (1.1). Mas ele também teve que fazer uma ali-ança com os seus olhos… Compare com II Sm 11.2-4; Nm 15.39b; Mt 5.27-29.
• Pv 5.8, 15-23 (leia todo a capítulo). 0 sexo, com a própria e única mulher (ou com o próprio e único marido) é criação e dadiva de Deus, que visa a procriação (SI 127.3; 128.3-4) e o prazer (Pv 5. 18-19; I Tm 4.3-5). Fora do casamento, o sexo é iniqüidade que prende, cordas de pecado que detém, falta de disciplina, loucura (Pv 5.22-23).
• MI 2.14-16. Note a importância que Deus dá aos votos feitos no casamento. Ele foi teste-munha dos mesmos, e não se esquece… O patriarca Abraão é censurado no v.15 (ver Gn 16.1-4). ”Ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade”.
Eis alguns passos preventivos:
a) Evite as fantasias sexuais. Veja Fl 4.8.
b) Se estiver namorando ou noivando, Iembre-se de que Deus preservou a sexo para a casa-mento. Veja I Ts 4.3-8. Carícias em demasia nesse período comprometem o relacionamento do casal depois, na vida conjugal (haverá desconfiança, ciúme, etc.).
c) Se você é casado(a), ame a sua esposa (ou o seu marido); cultive um relacionamento feliz com ela (ou com ele). A vida espiritual do casal,
assim como a comunicação e o sexo são da máxima importância. Ver Cl 3.19; I Pe 3.7; Tt 2.4-5; I Co 7.2-5.
d) Evite expor-se deliberadamente às tentações. Cada um conhece a sua estrutura e as suas reações. Por que permitir-se conflitos e riscos desnecessários? Ver I Co 6.18; II Tm 2.22.
e) Fortaleça-se com o estudo regular da Bíblia, com orações constantes e participação na adoração da igreja. SI 119.11;Mt 26.11; Hb 10.25.
“Que governe bem a sua própria casa”
Em nosso dias, mais e mais homens e mulheres estão confusos a respeito desta importante questão: o governo da casa. Há maridos tiranos, machistas, totalitários… E há aqueles que se curvam, se rendem, e entregam o “governo da casa”. Cuidam do seu trabalho (às vezes nem isto) e deixam para a esposa o controle das finanças, das compras, dos horários, e a criação e educação dos filhos. Isto é muito cômodo… e trágico. Não importando o grau de submissão de sua mulher (Ef 5.22-24) e da obediência dos filhos (Ef 6.1), o marido e pai deve assumir plenamente a sua posição de “cabeça” e governar bem a sua casa. Esse “bem” certamente envolve amor, amizade, humildade, sabedoria, firmeza, presença, conhecimento bíblico, oração. A ênfase dos textos parece estar na educação dos filhos: “governe… criando os filhos sob disciplina, com todo respeito” (I Tm 3.4); “que tenha filhos crentes, que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados” (Tt 1.6). A razão desta exigência, no caso dos líderes da igreja é simples: “pois se alguém não sabe governar a própria casa, come cuidará (governará) da igreja de Deus?”
“Hospitaleiro”
Se os cristãos de modo geral devem “praticar a hospitalidade” (Rm 12.13), muito mais os líderes da Igreja. As portas de suas casas devem estar abertas para pregadores e evangelistas itinerantes, músicos, cantores, irmãos em Cristo e mesmo estranhos (ainda que certos cuidados sejam necessários nestes dias de tanta exploração, maldade, violência). Convidar irmãos para uma refeição, acolher um Pequeno Grupo de estudo bíblico e comunhão são formas de praticar a hospitalidade. Ver Lc 10.38; At 10.22-27; 76.15; 16.34; Rm16.23; I Co 16.19.
4. LÍDERES BEM EQUILIBRADOS
Sob este título, estudaremos as virtudes relacionadas com o equilíbrio emocional e temperamental tanto dos líderes como dos demais cristãos.
“Temperante”
I Tm 3.2. Ver também I Tm 3.11 e Tt 2.2. O indivíduo temperante tem uma perspectiva clara e profun-da da vida; seus prazeres não são primariamente os dos sentidos, mas, sim, os da alma; não se dá a excessos (na alimentação, no trabalho, na doutrina), mas é moderado, equilibrado e cuidadoso. Esta virtude relaciona-se com os gostos e hábitos físicos, morais e mentais. Ver Fl 4.5.
“Sóbrio”
I Tm 3.2; Tt 1.8. A palavra grega, que nestas passagens é traduzida por “sóbrio”, aparece em Tt 2.2,5 e é traduzida por “sensato”. Também pode significar “prudente”. Talvez o melhor comentário sobre o que Paulo tinha em mente se encontra em Rm 12.3. O apóstolo queria instruir os cristãos a fazerem uma avaliação mais “sóbria”, “sensata” ou “prudente” de si mesmos em relação a Deus e aos outros cristãos. Ver Rm 12.4-8; 1 Co 12.14-27. Nas igrejas de Roma e de Corinto, havia crentes que tinham uma opinião demasiadamente elevada acerca de seus respectivos dons espirituais e posição no corpo de Cristo. Conseqüentemente, Pauto teve de escrever-lhes: “digo a coda um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém, antes, pense com moderação…” (Rm 12.3). As pessoas sóbrias são necessariamente humildes. Elas têm uma opinião equilibrada a seu próprio respeito. Estão cônscias de que tudo o que têm (dons, habilidades, posses, etc.) vem de Deus. Sem Ele, não são nada (Jo 15.4).
Todavia, esta virtude não significa fraqueza. Ter uma perspectiva adequada do nosso lugar dentro da família de Deus e reconhecer que não somos nada sem Cristo, não significa que devemos ser tímidos, retraídos, sem auto-estima, sentindo-nos incapazes. Timóteo, ao que parece, tinha proble-mas neste setor. Paulo escreveu-lhe: “…te admoesto que reavives o dom de Deus, que há em ti… Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. Não te envergonhes, portanto… “ (II Tm 1.6-8). E “ninguém despreze a tua mocidade… “ (I Tm 4.12).
As pessoas, mesmo crentes, freqüentemente vão a dois extremos. Ou se consideram um fracasso ou têm uma opinião exagerada de si mesmas. Precisamos saber que tudo o que somos e temos provém de Deus, graciosamente. Por outro lado, devemos reconhecer e usar os recursos materiais, os talentos naturais e os dons espirituais que Deus nos tem dado e com eles fazer grandes façanhas para Deus (II Co 3.4-6a; Fl 4.13).
“Modéstia”
I Tm 3.2. No original grego, o termo significa “bem comportado”, “respeitável’, “ordeiro” ou “bem- organizado”. Paulo está dizendo aqui que o líder da igreja deve ter uma vida bem organizada, tanto no que diz respeito à moral interior como no que se refere à conduta exterior. Pensamentos e concei-tos organizados, arrumados e limpos; vestimenta, calçado, cabelo, barba, casa, jardim, mesa de trabalho, carro, tudo bem tratado e com boa aparência. Paulo usa a mesma palavra quando fala da maneira como as mulheres devem se vestir (I Tm 2.9-10).
A forma verbal dessa palavra é ainda mais esclarecedora. Aparece em Mt 12.44 (casa varrida e or-namentada), Mt 23.29 (túmulo adornado), Mt 25.7 (lâmpadas preparadas), Lc 21.5 (templo ornado de belas pedras e de dádivas). Mas talvez o uso mais expressivo do termo seja o que Paulo lhe dá em Tt 2.9-10. Os servos devem ser obedientes, não respondões etc., “a fim de ornarem… a doutrina de Deus, nosso Salvador”. Esta ilustração, naturalmente, alarga o conceito da respeitabilidade ou mo-déstia. Paulo está dizendo que urn homem respeitável ou modesto adorna os ensinamentos do Bíblia. A fala, a veste, o escritório, o lar, os negócios - tudo deve ser mantido em ordem, com boa aparência, a bem do testemunho e da doutrina. Nosso Deus é ordeiro!
‘Não dado ao vinho”
I Tm 3.3,8; Ti 1.7. A posição bíblica nessa questão de beber ou não beber vinho (ou bebidas alcoóli-cas como cerveja, e outras mais fortes) é a de equilíbrio, de moderação e cuidado. Paulo diz: “não dado ao vinho” e “não inclinado a muito vinho”. Em I Tm 5.23 ele mesmo recomenda ao jovem pastor Timóteo: “Não continues a beber somente água; usa urn pouco de vinho por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades”. Naquela época, o vinho era reputado medicamente útil na ajuda à cura de várias enfermidades; e quem sofria de dificuldades de digestão poderia ser ajudado mediante o uso maderado do vinho.
Em suas epístolas, Paulo combate a posição extremada dos hereges gnósticos da época, os quais pregavam o ascetismo (práticas de abstinência com fins espirituais ou religiosos). Ver I Tm 4.3-4; Cl 2.16,18. E também Jo 2.1-11; Mt 11.19.
Por outro lado, o mesmo apóstolo e outros autores sagrados condenam veementemente o uso abusivo do vinho (suco de uva fermentado) e de bebidas fortes. Paulo escreveu aos Efésios: “Não vos embriagueis com vinho no qual há dissolução…” (Ef 5.18). E o sábio Salomão escreveu nos Provérbios: “Para quem são os ais? para quem os pesares?… para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não olhes para o vinho quando… resplandece no copo… “ Em outras palavras, se o vinho lhe parece tão atraente, tentador, evita-o! Ver Pv 23.29-35.
Há um outro aspecto deste assunto que precisamos considerar. Embora Paulo não ensinasse a abs-tinência total por motivos ascéticos (que estimulam o orgulho espiritual), ele disse aos romanos: “… é bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar” (Rm 14.15-21 e 15.1-3). O amor aos irmãos é o princípio mais elevado.
Assim, temos dois ensinos diretos na Palavra de Deus em relação ao vinho ou outra bebida forte:
a) Não podemos ser adeptos da bebida e jamais devemos permitir que ela nos influencie negativamente.
b) Haverá circunstâncias em que a melhor coisa a fazer é abster-nos totalmente do vinho (e bebi-das alcoólicas) a fim de não servir de escândalo para outros.
Os líderes, mais que os seus liderados, têm o dever de praticar estes princípios.
5. LÍDERES DA PAZ
Consideremos agora as virtudes que permitem que os líderes sejam instrumentos da paz e harmo-nia no lar, no trabalho e na igreja.
“Não arrogante”
Tt 1.7. Arrogar é ter como próprio, atribuir-se a si. Diz-se “arrogar-se o direito de”. O indivíduo arrogante é altivo, orgulhoso, pretencioso, teimoso; ele pensa que nunca erra, e jamais admite que cometeu um erro; sempre acaba fazendo o que quer. Se tiver que entregar os pontos, ele o faz resmungando. “Esta bem” - diz ele - “mas acho que esta não é a melhor maneira de resolvermos o assunto…” O homem arrogante age corno um ditador no seu lar, e a tendência é ser assim no trabalho e na igreja. Ele toma as decisões e os outros quase nada podem dizer ou fazer, senão curvar-se à sua vontade (pelo menos na sua presença).
A palavra grega traduzida por arrogante em Tt 1.7 só aparece em mais urn outro lugar no Novo Tes-tamento: em II Pe 2.10. Aqui foi usada num contexto mais amplo, rico em significado. Trata-se de um caso extremo de arrogância. Pedro adverte os cristãos contra os falsos mestres e diz como reconhecê-los. Eles “seguirão as suas práticas libertinas, e… movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias…” (2.2-3). Eles “menosprezam qualquer governo”. Serão “atrevidos, arrogantes” (2.10). Seu coração será “exercitado na avareza” (2.14), e falarão “palavras jactanciosas de vaidade” (2.18). O perfil está claro. O homem arrogante é um homem egocentralizado…
“Não irascível”. Tt I.7. 0 líder cristão não pode ser irascível; não pode irritar-se ou encolerizar-se com facilidade; não pode perder as estribeiras; não pode ser “pavio curto”.
Nem toda ira é pecado. A Bíblia fala da ira de Deus (SI 76.7; Jo 3.36). Mas esta tem o sentido de “justa indignação” (SI 7.11) e justo juízo (Rm 2.5-10; Ef 5.6). Jesus manifestou indignação repetidas vezes durante o seu ministério terreno (Mc 3.5; Jo 2.13-17). Os cristãos, conseqüentemente, podem e devem irar-se, manifestando a sua indignação e reprovação ante o pecado. De fato, há uma grande necessidade de mais ira contra o mundo de hoje. Devemos, diante do mal descarado, ficar indignados e não tolerantes, zangados e não apáticos. Deus odeia o pecado e Seu povo deve odiá-lo também. Se o mal desperta a Sua ira, também deve despertar a nossa. Ver Nm 16.1S; I Sm 11.6; SI 119.S3.
Ao mesmo tempo, devemos lembrar-nos de que nós próprios somos pecadores, inclinados à intemperança e à vaidade. Precisamos vigiar esta nossa ira santa e cuidar para que não se transforme em ira pecaminosa. Veja SI 4.4; Ef 4.26-27. Nesta ultima passagem, Paulo tem o cuidado de equilibrar sua expressão permissiva, “irai-vos”, com três negativas:
(a) “Não pequeis” Devemos assegurar-nos de que a nossa ira esteja livre do orgulho ofendido, do despeito, da malícia, da animosidade e do espírito de vingança.
(b) “Não se ponha a sol sobre a vossa ira”. Isto quer dizer: não fiqueis acalentando a ira; não deixeis que degenere em ressentimento (ver Os vs. 31-32).
(c) “Nem deis lugar ao diabo”, porque ele sabe quão fina é a linha entre a ira santa e a ira pe-caminosa, e quão difícil é para nós encontrar-mos um uso responsável para a ira. O diabo gosta de ficar espreitando as pessoas zanga-das, esperando poder tirar proveito da situação ao provocá-las para o ódio ou a violência, ou a um rompimento do comunhão.
“Não violento…”
I Tm 3.3. Tt 1.7. 0 que Paulo condena aqui é a atitude agressiva que resulta da ira pecaminosa. Há indivíduos que parecem estar sempre com os punhos cerrados, prontos para uma briga; são iracun-dos, belicosos. Porque Deus se agradou da oferta de Abel e não da sua, Caim “irou-se sobremaneira” e acabou matando o irmão (Gn 4.4-8). Moisés tornou-se um homem “mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3). Mas ele também teve os seus problemas com a ira que degenera em raiva e, por fim, em violência. Ver Êx 2.11-12; 32.19; Nm 20.11 com vs. 8 e 12. Tiago e João, discípulos de Jesus, intentaram pedir fogo do céu para consumir os samaritanos que não quiseram hospedá-los, a eles e a Jesus (Lc 9.54).
“… porém cordato…”
Tt 3.2; I Pe 2.18 e Tg 3.17. Nesta última passagem descreve-se a “sabedoria lá do alto”. Esta é “pura. pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia…” Esta é a idéia. O crente cordato é diametral-mente oposto ao iracundo. Ainda que jamais compromete a verdade bíblica, ele está disposto a ceder quando a questão envolvida carece de importância real, e mais ainda quando se trata dos seus próprios direitos. Isto ele faz no espírito de I Co 6.7: “O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis antes a injustiça?… o dano?”
“…inimigo de contendas”
Esta expressão é ainda mais abrangente que a anterior, pois uma pessoa pode não estar inclinada a “sair no braço” e, todavia, gostar das contendas de palavras. Veja I Co 1.11-12;.3.3; I Tm 1.3-7; Tt 3.9 e especialmente II Tm 2.23-25.
6. O LÍDER E O DINHEIRO
As expressões que vamos estudar neste bloco referem-se ao dinheiro e aos bens materiais. Paulo diz que o bispo (presbítero) não pode ser “avarento” (v.3) e que os diáconos não podem ser “cobiçosos de sórdida ganância” (v.8). Em Tt 1.7 torna a dizer: “O bispo… não seja… cobiço de torpe ganância”. Em muitas outras passagens, a Bíblia adverte os crentes contra a avareza, a cobiça ou a ganância. Alguns líderes, ministrando aos demais, são especialmente tentados nesta área. Mas eles devem ser “modelos do rebanho” nesta questão também.
0 dinheiro não é mau
Inicialmente, é preciso esclarecer que o dinheiro em si mesmo não é mau. Leia I Tm 6.9-10 e observe que a Bíblia não proíbe a posse de riquezas, mas a ambição pela riqueza a qual expõe os ho¬mens a “tentação e citada”, as “concupiscências insensatas e perniciosas”. E acrescenta: “o amor ao dinhei-ro é raiz de todos os males”. Não é o dinheiro que é mau, mas o “amor ao dinheiro”, a ambição desmedida, a cobiça. Note que o apóstolo está falando de “homens cuja mente é pervertida… su-pondo que a piedade é fonte de lucro” (vs. 3-5). O cifrão domina suas mentes e é a sua motivação.
A Bíblia conta a história de grandes homens de Deus que foram multo ricos. Deus mesmo os en-riqueceu não somente porque queria ser glorificado neles, mas também porque os amava. Além disso, aprendemos na Bíblia que quando Deus enriquece a alguns, Ele o faz não apenas para o seu “aprazimento”, mas também e especialmente para “que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir…” (I Tm 6.17-18. Ver At 2.44-45; 4.34-35; II Co 8.14-15).
Uma questão de prioridade.
Falando das necessidades materiais, Jesus disse. “…vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mt 6.32-33). Jesus ensinou também que não devemos ajuntar tesouros no terra, mas no céu, e acrescentou: “Porque onde esta o teu tesouro, aí estará o teu coração” (Mt 6.19-21). Ver também. Cl 3.1-2.
Trata-se de um “estilo de vida”, determinado por aquilo que é mais importante e duradouro. O dinheiro e os bens são importantes e necessários, mas são meios, não o fim ou propósito de nossas vidas. Tornamo-nos materialistas, egoístas, avarentos e gananciosos quando amamos o dinheiro e os bens, e fazemos deles o alvo de nossas vidas.
A tandência humana.
A tendência humana é esquecer-se de Deus quando as riquezas prosperam. Os filhos de Israel en-frentaram esta tentação quando entraram na Terra Prometida. E Moisés os advertira de antemão, dizendo: “Havendo-te, pois o Senhor teu Deus introduzido na terra que… prometeu… te daria, grandes e boas cidades…, casas cheias de tudo o que é bom, casas que não encheste… guarda-te, para que não esqueças o Senhor…” (Dt 6.10-12). E outra vez: “Guarda-te, não te esqueças do Senhor teu Deus, não cumprindo os Seus mandamentos… Não digas no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas” (Dt 8.11,17). Aprendamos esta lição de Israel. As bênçãos materiais que Deus nos concede podem vir a se transformar em uma maldição. Podemos nos esquecer dAquele que no-las concedeu. É a tendência humana. Podemos ficar tão envolvidos com as coisas materiais da vida que perdemos a perspectiva espiritual. O dinheiro pode se transformar num fim em Si mesmo e não num meio para alcançar os propósitos divinos.
Atentação do Iíder espiritual
A Bíblia faz-nos saber que os líderes espirituais enfrentarão tentações particulares em relação ao dinheiro. Eis por que Paulo, ao especificar as qualificações dos presbíteros e dos diáconos, incluiu isto: “não sejam… avarentos”, “cobiçosos de torpe ganância” (I Tm 3.3; Tt 1.7). Pedro também recomendou aos presbíteros: “Pastoreai o rebanho de Deus. . não por sórdida ganância, mas de boa vontade” (1 Pe 52). Entre os cristãos verdadeiros e espirituais do primeiro século havia homens com falsas motivações “…enganadores… ensinando o que não devem, por torpe ganância” (Tt 1.10,11).
Entretanto, é preciso esclarecer que é a vontade de Deus que os líderes espirituais que se dedi¬cam integralmente ao ministério sejam sustentados financeiramente pelas igrejas. Paulo escreveu aos coríntios: “Se vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?… Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados, do próprio templo se alimentam? e quem serve ao altar, do altar tira o seu sustento? Assim ordenou o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho…” (I Co 9.6-14). E a Timóteo, o mesmo apóstolo escreveu: “Devem ser considerados merecedores de dobrada honra (o sentido literal é dobrados honorários) os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na Palavra e no ensino” (I Tm 5.17).
Houve ocasiões em que o apóstolo Paulo não recebeu dinheiro das igrejas e, além de pregar o evangelho, trabalhou fabricando tendas a fim de sustentar-se (At 20.34; I Co 18.3-4). Todavia, ele dizia ter o direito de não trabalhar (noutra profissão, visando sustento) e receber da igreja (I Co 9.6,7,12). Noutras ocasiões ele aceitou de bom grado as ofertas que lhe foram enviadas (ver Fl 4.15.18). Naquelas ocasiões, ele quis evitar que os pagãos interpretassem mal suas motivações, não queria ser associado com os falsos mestres cuja motivação era o dinheiro; algumas vezes, ele quis sustentar-se através de um trabalho braçal a fim de prover um bom exemplo para indivíduos que não gostavam de trabalhar (II Ts 3.7-11).
A lição como um todo está muito clara. Os lideres espirituais devem ser cautelosos. Infelizmente o mundo do século vinte também está cheio de aproveitadores religiosos. Mesmo entre os crentes evangélicos existem Iíderes que se aproveitam das igrejas financeiramente. E isto é uma tragédia! 0 reverso também acontece, e é igualmente trágico. Paulo escreveu aos filipenses: “…no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo, no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros…” (Fl 5.15). Dar as cousas espirituais e receber os bens materiais; dar os bens materiais e receber as cousas espirituais. Ver outra vez I Co 9.11 e Rm 15.26-27.
7. O TESTEMUNHO DO LÍDER CRISTÃO
Vamos ver o que Paulo diz sobre o testemunho dos lideres cristãos perante o mundo.
“É necessário que tenha bom testemunho dos de fora…” . l Tm 3.7.
Um industrial não evangélico observou que os “crentes” que trabalhavam na sua indústria eram os seus melhores operários. Quando precisou contratar novos empregados, deu preferência aos “crentes”. Entretanto, o diretor não evangélico de um certo educandário comentou que os professores evangélicos do seu estabelecimento não eram, de modo algum, os mais zelosos no cumprimento dos seus deveres.
O que as pessoas de fora da igreja dizem dos crentes é muito importante. Se é um “bom testemunho’; Cristo é honrado, a igreja é grandemente beneficiada e a pregação do evangelho encontra uma melhor acolhida nos corações dos não salvos. Por outro lado, se os “de fora” não têm boa impressão dos crentes, será muito difícil ganhá-las para Cristo. Em I Tm 3.7 Paulo está falando da necessidade dos líderes cristãos terem um “bom testemunho dos de fora”, mas há inúmeras passagens na Bíblia que falam sobre a importância de todos os crentes terem uma boa reputação entre os não salvos. Considere a quadra a seguir.
TEXT OS ÁREA DA VIDA
I Ts 4.11-12 - Trabalho, negócios
Cl 4.4 - Linguagem, modo de falar
I Co 10.31-33 - Hábitos alimentares
II Co 6.3-7 - Adversidades, trabalho, caráter
l Pe2.11-17 - Moral, civismo
“… a fim de não cair no opróbrio… “
A Bíblia vê o “cair no opróbrio” (ignomínia, reprovação, crítica) de duas perspectivas.
a) Há a o opróbio resultante do amor, da obediência e do serviço a Cristo. É um opróbio inevitável e bem-aventurado Leia Mt 5.11 (note “por minha causa” e “mentindo”). Veja também Lc 6.22; I Pe 4.14;II Tm 3. 1~ Hb 11.24-26; Jo 15.18-20;i JO 3.13.
b) Mas há um opróbio em nada bem-aventurado. É aquele que resulta de procedimentos não con-dizentes com a fé cristã. Veja o que Pedro diz em I Pe 4.15. No verso anterior ele fala do opróbio, de um sofrimento que podemos e devemos evitar. É deste que Paulo está falando em I Tm 3.7. O opróbrio será maior se a pessoa em questão for um líder de igreja.
“…e no Iaço do diabo”. “Laço” é armadilha, cilada. Paulo usa a mesma palavra em I Tm 6.9 e II Tm 2.26. Como a crítica vin-da dos não-cristãos pode constituir-se num “laço do diabo”?
a) Desonra. O opróbio pode levar um homem a sentir-se terrivelmente envergonhado, humilhado, aniquilado. Leia outra vez I Pe 4.13-16. Note a preocupação de Pedro em confortar e alegrar aqueles que estão sofrendo “pelo nome de Cristo”. No v.16 ele diz: “se sofrer como cristão, não se envergonhe disso…” Ora, se o cristão que não tem motivos para envergonhar-se, sente-se en-vergonhado, então, o cristão criticado por mal procedimento tem duplo motivo para “ficar envergonhado”. A emoção descrita aqui pode levar ao desânimo, à depressão, ao desespero. Falando de um certo indivíduo cristão que cometera grave pecado e fora excluído da comunhão da igreja, Paulo, supondo que o faltoso já teria se arrependido, escreveu aos coríntios: “… deveis perdoar-Ihe e confortá-lo, para que não seja… consumido por excessiva tristeza”. (II Co 2.7. Veja I Co 5.1,4-7)
b) Temor e perda de confiança. O opróbio pode causar também temor e perda de autoconfiança. Até Paulo experimentou temor e conflito emocional quando criticado (II Co 7.5,6).
c) Ira e atitude de defesa. Essa é uma outra reação diante da critica. Ver Rm 12.17,19.
Vergonha, temor, perda de confiança, ira, defesa geralmente acompanham opróbrio e são “laços do diabo”. Um bom testemunho pode evitar essa derrota. Comno está o seu testemunho perante o mundo?
9. LIDER AMIGO DO BEM
0 bem e o mal
As Escrituras usam uma série de termos e expressões para definir o que é o bern e o que é o mal. Identifique-os em Ef 4.25-5.2 e em CI 3.8-15.
Em Tt 1.8 aprendemos também que o líder cristão deve ser “amigo do bem”, isto é, uma pes¬soa permanentemente desejosa de fazer o bern, não o mal. As Escrituras freqüentemente contrastam o desejo ou conveniência de fazer o bem com o desejo ou propensão para fazer o mal. Leia as se-guintes passagens: Sl 37.27; Pv 31.1012; Jr 13.23; Am 5.14-15a; Rm 2.5-10; Rm 12.9; II Co 5.10. Vê-se, por estas e outras passagens, que todos os cristãos devem ser amigos do bern. Os Iíderes, porém, são “modelos do rebanho”. I Pe 5.3.
O BEM O MAL
Ef 4.25-5.2 _________________________________________________________________________________
Cl 3.8-15 __________________________________________________________________________________
Ver também Tt 3.1-2
O bem é “fruto do Espírito”
O apóstolo Paulo falou da sua luta pessoal para fazer o bem e não o ma!. Chegou a dizer, ex-ternando o conflito de todos aqueles que ainda têm consciência do bem e do ma!: “.. o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas a mal, que nao quero, esse faço… não sou eu quem o faz, e, sim, o pecado que habita em mim” (Rm 7.18-20). Que situação! Não foi sem razão que o mesmo apóstolo exclamou: “Desventurado homem que sou!” (v.24). Mas ele diz, logo em seguida: “Graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor” (v. 25).
O autor da epístola aos Hebreus expressou este desejo para os seus leitores: “O Deus da paz… vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a Sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dEle, por Jesus Cristo…” (Hb 13.21).
Toda a nossa propensão é para o mal, mas, quando aceitamos Jesus Cristo como nosso Salvador pessoal e Senhor de nossas vidas, Seu Espírito vem habitar em nós. Se nos submetemos inteiramente à Sua direção, Ele produz em nós o Seu maravilhoso “fruto”, que é o bem (Gl 5.16-26).
Avaliação pessoal
Avalie a sua vida à luz destes textos bíblicos:
Gl 6.10; Hb 13.16 Aproveito todas as oportunidades para fazer o bem?
Rm 15.2; Ef 4.29 Será que eu edifico as pessoas ou as destruo?
II Co 9.10-11; I Tm 6.17-18 Uso os recursos materiais que Deus me dá para ajudar aos necessitados?
Sl 35.12-14; Rm 12.19-21; Gl 6.9 Persisto em fazer o bem, mesmo quando me retribuem com o mal?
10. LÍDER JUSTO E PIEDOSO
Em Tt 1.8 lemos: “… é indispensável que a bispo seja… justo, piedoso…”
“Justo”
No original grego, a palavra é “dikaiós”, que aparece em oitenta e uma vezes nas páginas do Novo Testamento, com significados diversos. Há a justiça imputada, aquela que o crente recebe pela fé (Rom 3.21-24,26 e II Co 5.21). Essa justiça tem a ver com a nossa posição diante de Deus. Mas há também a justiça prática, que tem a ver com a vida diária, com a conduta reta e íntegra. Este parece ser o sentido aqui em TI 1.8. Ver também I Tm 1.9; Tt 2.11-12.
“Piedoso”
A palavra grega é “osios” e significa piedoso, agradável a Deus, livre do pecado e da maldade, santo. Essa palavra aparece lado a lado com “dikaios”, justo, em outras passagens também, e não somente aqui em Tt. 1.8. Ver Lc 2.25; I Tm 6.11; Tt 2.12; II Pe 3.11. E isto não é por mera coin-cidência. Essas palavras se completam. O “justo” cumpre os seus deveres para com o homem; o “piedoso” cumpre as seus deveres para com Deus. O rei Davi foi urn homem muito piedoso. Os salmos que escreveu mostram o quanto ele ama¬va ao Senhor. E ele se apercebeu do quanto o Senhor Se agradava disto, porque escreveu: “O Senhor distingue para Si a piedoso; o Senhor me ouve quando eu clamo par Ele” (SI 4.3). Uma vez ele ficou assustado com a corrupção à sua volta e com a falta de temor a Deus e clamou: “Socorro, Senhor! porque já não há homens piedosos; desapareceram os fiéis entre as filhos dos homens.” (SI 12.1).
Aprendendo a justiça
Na Velho Testamento, o povo de Israel, num tempo de crise, pretendeu a pratica da piedade sem a justiça. Mas Deus não se agradou dos seus sacrifícios e demais atos de culto. Disse-Ihes: “De que me serve a mim a multidão dos vossos sacrifícios?… Não continueis a trazer ofertas vãs… não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene… Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos: cessai de fazer a mal. Aprendei a fazer o bem; atendei a justiça…” ( Is 1.11-17).
Jesus também falou da necessidade de justiça prática antes de pretender prestar culto a Deus. Ver Mt 5.23-24. Há uma “forma de piedade” sem poder, que não opera a justiça. É tão morta quanto a fé sem as obras. I Tm 3.5; Tg 2.17. Não tem valor nenhum para Deus, e não melhora em nada a vida das pessoas.
Exercitando a piedade
Paulo escreveu a Timóteo: “Exercita-te pessoalmente na piedade…” (I Tm 4.7). Os gregos davam muita importância ao exercício físico. Paulo, porém, afirma que “o exercício físico para pouco é pro-veitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser” (v.8). O exercício físico aumenta a força física e traz alguma satisfação pessoal, es-pecialmente quando o atleta consegue o primeiro lugar nas competições. Mas tudo isto tem pouco proveito quando comparado com os benefícios da piedade, nesta vida e na que há de ser. Foi neste sentido que Paulo escreveu a Timóteo nesta epístola: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade” (I Tm 6.6).
A própria comparação que Paulo faz entre o exercício da piedade e o exercício físico, no contexto dos jogos e competições gregos, dá-nos as dicas para o exercício da piedade:
1. O atleta alimenta-se adequadamente e se exercita o mais possível. Assim também nós devemos nos alimentar adequadamente da Palavra de Deus e gastar as energias espirituais na prática da justiça e no serviço a Cristo.
2. A oração, praticada regularmente, é também um excelente exercício espiritual (I Co 9.24-27).
3. O atleta despe-se de tudo o que é supérfluo a fim de movimentar-se livremente. Assim também nós devemos desembaraçar-nos de tudo aquilo que possa estorvar o nosso progresso espiritual e o nosso serviço a Cristo (Hb 12.1).
4. O atleta, quando corre, ou lança um disco, um dardo etc., fixa os olhos num determinado alvo. Ou, conforme o esporte, ele estabelece uma meta e esforça-se ao máximo por alcança-la. Assim também nós devemos fixar os nossos olhos em Cristo (nosso modelo e inspiração) e estabelecer nossa meta, a completa dedicação pessoal a Deus e a Cristo (Hb 12.2; I Co 9.26).
(Pr. Éber Lenz César, Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 16/09/99 e 05/2009.)
Leave a reply