Destacamos as principais passagens bíblicas sobre o amor a Deus e o amor a Cristo. Vamos ver agora alguns textos sobre o amor ao próximo. Peça ao Espírito Santo que o ajude a aplicá-los à sua própria vida.

Sua importância.

Jesus ensinou que o grande e primeiro mandamento é amar a Deus. E acrescentou: “O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.39-40). O próximo, evidentemente, é o indivíduo que está por perto; no sentido mais amplo, nossos semelhantes.

Um professor de Bíblia, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “Quem é o meu próximo?” Jesus respondeu-lhe com a parábola do Bom Samaritano: Um homem foi assaltado, ferido e deixado semimorto à beira do caminho; o samaritano “que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos… levou-o para uma hospedaria e tratou dele” (Lc 10 29ss). Isto é amar o próximo! Não importa se o conhecemos ou não; se ele merece ou não. Está ali, perto de nós, necessitado…

Nossos próximos.

Há próximos estranhos e eventuais (como o daquele samaritano) e próximos conhecidos e mais ou menos relacionados, permanentes ou temporários.

(a) O cônjuge. “Maridos, amai vossas mulheres…” (Ef 5.25). É claro que as esposas também devem amar seus maridos, como lemos em Tt 2. 3-4.

(b) Os filhos. Nesta última passagem, vemos que as esposas devem amar ao marido “e a seus filhos”. Os pais amam a seus filhos disciplinando-os (Pv 13.24; 29.17), evitando provocá-los (Ef 6.4), ensinando-lhes o bom caminho (Pv 22.6; Dt 11.18-19), dando-lhes exemplo de caráter e de fé (II Tm 1.4-5; 3.14-15), etc.

(c) Os pais. Os filhos também devem amar a seus pais: ouvindo suas instruções (Pv 13.1); obedecendo-os e honrando-os (Ef 6.1-3); cuidando deles na velhice (Pv 33.22; I Tm 5.4), etc.

(d) Irmãos em Cristo. Jesus disse aos seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35). A expressão “uns aos outros” aqui inclui a cônjuge, pais, filhos e outros parentes e os chamados “irmãos em Cristo”, os da “família da fé”. “Enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6.10). “… amai os irmãos”, irmãos em Cristo (I Pe 2.17).

(e) Os que não nos amam e os inimigos. Isso mesmo! “Amai os vossos inimigos… Porque se amardes os que vos amam [somente a estes], que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?” (Mt 5.43-48). “Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer…” (Rm 12.20).

Como é esse amor?

Note em Rm 12.20 que amor não é mero sentimento. É atitude, ação e ajuda decididas em obediência ao mandamento do amor! Dependendo do tipo e grau de relacionamento que temos com a pessoa amada, o amor pode e deve incluir afetos e carinho. Logicamente, um homem bom ama a esposa com sentimentos, afetos e carinhos que não dispensa a outras pessoas, menos ainda a um inimigo. Mas fará o bem ao inimigo. Em todos os casos, o amor deve ser:

(a) Sincero. “O amor seja sem hipocrisia” (Rm 12.9). “Filhinhos, não amemos de palavra… mas de fato e de verdade” (I Jo 3.18). “Tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros…” (I Pe 1.22).

(b) Intenso. Nesta última passagem, Pedro acrescenta a palavra “ardentemente”: “Amai-vos… ardentemente…” O mesmo apóstolo escreveu, logo à frente: “Acima de tudo… tende amor intenso uns para com os outros…” (I Pe 4.8).

(c) Como o de Cristo. Jesus disse: “… que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei…” (Jo 13.34). O amor de Jesus por nós foi tal que ele “deu a sua vida por nós” (I Jo 3.16). Visto que a morte de Cristo foi expiatória, “o justo pelos injustos”  (I Pe 3.18), jamais poderemos dar a vida por alguém do mesmo modo e para o mesmo fim. Todavia, nosso amor pode e deve ser altruísta e até mesmo sacrificial.

Como esse amor se manifesta?

(a) Fazendo o bem às pessoas, e não o mal. “O amor não pratica o mal contra o próximo…” (Rm 13.10). “Enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos…” (Gl 6.10). Cuidado! Inclui não falar mal do próximo (Tg 4.11).

(b) Servindo. “Sede servos uns dos outros, pelo amor”  (Gl 5.13). Inclui abster-se de tudo que possa escandalizar o irmão neófito e escrupuloso (Rm 12.15, 21-22).

(c) Ajudando. “Levai as cargas uns dos outros…” (Gl 6.2). Inclui doações, ofertas, dízimos: “Manifestai… a prova do vosso amor…” O contexto fala de ofertas em dinheiro (II Co 8.24. Ver I Jo 3.17).

(d) Compartilhando sentimentos. “Amai-vos cordialmente… Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram” (Rm 12.9-10,15).

(e) Corrigindo. Isso também, mas com brandura! “Se alguém for surpreendido nalguma falta… corrigi-o, com espírito de brandura…” (Gl 6.1; II Tm 2.24-25).

(f) Sendo benigno, compassivo e perdoador. “Sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros como Deus em Cristo vos perdoou. Andai em amor” (Ef 4.32-5.2).

Pr. Éber Lenz César, Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 09/2009.