Em seu livro Uma fé mais forte que as emoções, um classíco da espiritualidade cristã, Jonathan Edwards, uma das figuras centrais no Grande Despertamento ocorrido na Nova Inglaterra, no século XVIII, escreveu extensivamente sobre a importância dos afetos na verdadeira religiosidade. Por afetos ele queria dizer amor, desejo, alegria, gratidão, satisfação, entusiasmo, fervor e outros.  Sobre o amor, ele disse: “A Bíblia enfatiza muito o afeto do amor a Deus, ao Senhor Jesus Cristo, ao povo de Deus e a toda a humanidade… O amor é o afeto principal…”  É sobre isto que estamos refletindo nestas mensagens. No boletim anterior,  vimos os principais textos bíblicos sobre o amor a Deus. Hoje veremos alguns textos sobre o amor a Cristo.

Sua importância

Amar a Jesus, o Filho, é tão importante quanto amar a Deus, o Pai. Aliás, é interessante observar que Jesus reivindicou o mesmo amor devido ao Pai. Quando alguns dos seus oponentes alegaram ser filhos de Deus, ele lhes disse, sem rodeios: “Se Deus fosse, de fato, vosso Pai, certamente me havíeis de amar; porque eu vim de Deus…” (Jo 8.41-42).

Só podem ser ou só desejarão ser discípulos de Jesus os que o amam de coração, mais que a qualquer outra pessoa. O próprio Jesus disse: “ Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim…” (Mt 10.37).

Suas evidências.

Obediência aos mandamentos e ensinos de Jesus. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos… Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama… Se alguém me ama, guardará a minha palavra…” (Jo 14.15,21,23).

Serviço. Pedro negou a Jesus três vezes. Depois que ele se reabilitou, Jesus lhe perguntou: “Pedro, tu me amas?” O apóstolo respondeu prontamente: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. E Jesus acrescentou: “Apascenta os meus cordeiros!” A pergunta, a resposta e o mandamento repetiram-se três vezes! O mandamento com uma variação: “Pastoreia as minhas ovelhas” (Jo 21.15-17). O serviço pode ser outro, mas permanece o fato que um amor verdadeiro serve à pessoa amada, com dedicação, alegria e entusiasmo.

Propósito de vida. O apóstolo Paulo chegou a dizer: “Ele (Cristo) morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aqueles que por eles morreu e ressuscitou” (II Co 5.14-15).

Disposição de sofrer e até morrer pelo nome de Jesus. Quando, em Cesaréia, Ágabo predisse a prisão de Paulo em Jerusalém e os irmãos tentaram dissuadir o apóstolo de seguir para lá, ele respondeu: “… estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus” (At 21.13). Até onde iríamos com nosso amor ao Senhor Jesus?

Suas bênçãos

Os que amam a Jesus e quardam seus mandamentos experimentam com mais intensidade o amor do Pai  e do próprio Jesus. “… aquele me me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele…” (Jo 14.21,23).

Os que amam e servem a Jesus e anelam por sua volta receberão o que Paulo chamou de “coroa de justiça”, possivelmente a perfeita justiça, clímax de todo o processo de santificação, a vida eterna. O apóstolo escreveu a Timóteo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa de justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (II Tm 4.8. Ver Tg 1.12; I Pe 5.4; Ap 2.10).

Sua origem

O amor a Cristo brota e cresce em nosso coração na medida em que reconhecemos nosso pecado, recebemos seu perdão e vivenciamos seu amor por nós. Paulo confessou: “O amor de Cristo nos constrange…” E, em seguida, falou da morte de Jesus por nós (II Co 5.14-15). Jesus contou a um certo Simão a história de dois devedores, um que devia muito, outro que devia pouco. Ambos foram perdoados por seu senhor. Finda a parábola, Jesus perguntou a Simão: “Qual deles o amará mais?” Simão respondeu: “Suponho que aquele a quem mais se perdoou”. Acertou! (Lc 7.36-50). Jesus falava de pecadores perdoados…

O quanto você reconhece seus pecados, o amor, a graça e o perdão do Senhor Jesus? Quanto você o ama?

Pr. Éber Lenz César, Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 09/2009