Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
21 Nov
Nestes tempos de globalização crescente, o que acontece num país afeta todos os outros. Em 1998, a queda das Bolsas de Valores na Rússia afetou a economia e as Bolsas em vários outros países. Agora é a vez dos Estados Unidos. Quem diria? As atrapalhadas no sistema de crédito imobiliário do país mais poderoso do mundo causaram uma crise financeira e uma recessão que lembra a Grande Depressão de 1929-1930. 
Mais que em 29, a crise atual se alastrou. Veja esta manchete da Folha Online, no último dia 18: “Bolsas caem na Europa e na Ásia com economia global mais perto da recessão”. As autoridades brasileiras, dias atrás, diziam que a crise não afetará a nossa economia. Hoje, preocupadas, estão se precavendo. Não se sabe bem o que virá por aí… Governos e especialistas estão se reunindo e buscando caminhos. Enquanto isso, há algumas coisas que nós, cristãos, podemos e devemos recordar e fazer. Nosso Manual, a Bíblia, tem alguns conselhos…
Confie em Deus.
Não nos políticos, no dinheiro, na sua própria capacidade, mas em Deus. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará… Descansa no Senhor e espera nele… Fui moço, e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Salmo 37.5,7,25).
Muitos pensam que não está certo orar sobre emprego, roupa, casa, comida… Deus estaria ocupado demais com o Universo e as coisas espirituais para se importar com estas coisas pequenas e materiais. Mas não é assim, felizmente. Durante os 40 anos de peregrinação de Israel no deserto, sob a liderança de Moisés, Deus sustentou seu povo com carne e pão. As aves vinham não se sabe de onde, e o pão, que eles chamaram de maná, caía do céu, todas as manhãs (Êxodo 16.12-15, 31). E tem mais, suas vestes não se envelheceram, seus pés não se incharam, suas sandálias não se gastaram (Deuteronômio 8.4; 29.5). Acredite se quiser!
Jesus ensinou seus discípulos a orarem, dizendo: “Pai nosso que estás nos céus… o pão nosso de cada dia dá-nos hoje…” (Mateus 6:9-11). Depois aconselhou: “Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir…” (Leia Mateus 6.25-34).
Trabalhe duro e honestamente.
Confiar em Deus não significa cruzar os braços e esperar que as coisas caiam do céu. O maná caiu do céu, sim, mas em circunstâncias especiais e temporárias. Quando Israel entrou em Canaã, onde havia condições de semeadura e colheita, o maná parou (Êxodo 16.35). Aos que não gostam muito de trabalhar, Salomão recomenda: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe… no estio prepara o seu pão, na sega ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado?” (Provérbios 6.6-11). O apóstolo Paulo escreveu: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (II Tessalonicenses 3.10). É preciso correr atrás!
Administre bem e poupe.
Os princípios da boa administração e da poupança estão em várias passagens da Bíblia. A mais conhecida é a que narra os sonhos do Faraó do Egito e a interpretação que José lhes deu. O Faraó sonhou com sete vacas gordas e sete vacas magras que emergiam do Nilo. As magras engoliram as gordas. Interpretação: Haveria sete anos de fartura seguidos de sete anos de escassez. O Faraó constituiu a José Governador do Egito e este administrou sabiamente os excessos de colheita nos anos de “vacas gordas”, armazenando para os anos de “vacas magras”. Salvou o Egito e as nações vizinhas.
Nossas “vacas” não estão muito gordas, para a maioria. É preciso resistir aos comerciais, ao consumismo, à vitrine, à inveja, à vaidade. Quantos gastam tudo que ganham! Alguns contam com “o ovo que a galinha ainda não botou” e gastam antes de ganhar. Ficam endividados. A propósito, há dívidas e dívidas. Dívidas reais são as que não têm respaldo, que não economizam nada, só acarretam juros. Os Cartões de Crédito são um perigo! Os juros são o fim da picada.
Aprenda a dar.
Parece contraditório. É para poupar ou para dar? As duas coisas. A poupança é bíblica, necessária, prudente. Mas não deve ser absurdamente alta, gananciosa, egoísta. O apóstolo Paulo escreveu “O que muito colheu, não teve demais; o que pouco, não teve falta”. E acrescentou: “Deus ama ao que dá com alegria!” (II Coríntios 8.15; 9.7).
Pobres e ricos podem e devem dar. Mesmo quando caem as bolsas… Os cristãos da Macedônia eram pobres, mas mandaram ofertas para socorrer os cristãos da Judéia, em tempos de “vacas magras” (II Coríntios 8.1-4). Paulo escreveu a Timóteo: “Exorta aos ricos… que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus que tudo nos proporciona ricamente para o nosso aprazimento, que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar, prontos a repartir…” (I Timóteo 6.17-18).
Portanto, nestes tempos de crise, de instabilidade econômica e ameaça de recessão no mundo todo, confiemos em Deus e também na força do trabalho honesto e dedicado; gastemos com moderação, poupando o máximo possível, tanto para as nossas próprias emergências como também para dar e ajudar aos necessitados. Os cristãos que levam a Bíblia a sério participam dos cultos e ministérios de uma igreja local e dão o dízimo, sistematicamente. E Deus os abençoa por causa disso, não necessariamente com uma super prosperidade material (Malaquias 3. 10). As igrejas fiéis usam com sabedoria os dízimos e as ofertas dos fiéis, não para enriquecimento de seus pastores ou da própria igreja, mas para cumprir mais plenamente sua missão no mundo, que é pregar o evangelho e socorrer aos necessitados.
Pastor Éber Lenz César
ebermlc@uol.com.br
One Response for "Quando caem as bolsas"
Caro Pr. Éber;
Será que os boletins não poderiam ser disponibilizados em PDF no site da IPLM?
Gde abç;
Marcelo
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