A expressão acima tem mais de um significado na Bíblia e na prática. Dia do Senhor pode ser o (1) dia de descanso ou shabbat (Êx 20.8-11; (2) dia de adoração comunitária (Lc 4.16); (3) dia da volta do Senhor Jesus (At 2.20; II Pe 3.10). Posteriormente à ressurreição de Jesus, no “primeiro dia da semana”, judeus e gentios cristãos passaram a realizar seus cultos, ofertas e estudos bíblicos nesse dia, e não mais  no  sábado (At 20.7; I Co 16.2). Desde então, domingo é dia de descanso e de reunião do povo de Deus. Nesta mensagem, vamos refletir sobre o uso que fazemos do domingo como dia de descanso e de adoração comunitária. Nós o observamos? Que outros interesses e atividades nos impedem, às vezes ou freqüentemente, de freqüentarmos a igreja nos domingos?

Bons tempos.

Anos atrás, nos países ditos cristãos, de maioria católica ou protestante, o comércio, de modo geral, não abria nos domingos. O primeiro dia da semana era diferente dos demais. Muitos católicos iam à missa; os crentes freqüentavam regularmente a Escola Bíblica Dominical e os cultos de suas respectivas igrejas.
Lembro-me das cadeirinhas do departamento infantil, dos cânticos, das “tias”, das histórias bíblicas, dos cochilos no colo da mamãe, enquanto papai pregava. Na juventude, íamos à pé ou de bonde para a Escola Dominical e para os cultos, matinal e vespertino. Só nos fez bem!

Os crentes, de modo geral, não faziam compras no domingo; as donas de casa preparavam as refeições de domingo (quase tudo) no sábado; estudos e trabalhos profissionais não esvaziavam os templos… Domingo era um dia separado, santo!

Hoje, para muitos, domingo é um dia como outro qualquer, dia de faxina, supermercado, shopping, cinema, estudo, festas de aniversário… Igreja? Se der, quando der…

Há casos e casos, e não devemos julgar os motivos de cada um. Além do mais, o desejo de estar com os irmãos, adorar e orar com eles e ouvir o ensino da Palavra de Deus não pode ser imposto; tem de ser espontâneo, por amor e gratidão, e também por consciência de necessidade!

Levemos em conta, também, as dificuldades próprias da cidade grande: distâncias, transporte, insegurança…

Questão de prioridade.

Todavia, no conhecido Sermão do Monte, no contexto de uma advertência contra a preocupação excessiva com as necessidades materiais, o Senhor Jesus ordenou: “… buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas…” (Mt 6.33). Reino de Deus é um conceito vasto e profundo. Aqui, basta-nos saber que inclui tudo o que diz respeito a Deus, à sua soberania, aos seus propósitos, à sua vontade para a nossa vida. Viver no Reino é viver para Deus, sob o seu governo, a seu serviço, todos os dias da semana! É isso que devemos buscar em primeiro lugar! Os que o fazem, amam iniciar cada dia com uma devocional, ou seja, leitura bíblica, meditação, oração; e amam reunir-se com o povo de Deus, nos domingos e, quem sabe, noutras oportunidades também, para adorar a Deus e fortalecer-se espiritualmente. Isto os condiciona para viver, de fato, como cidadãos do Reino de Deus.

Jesus disse que isso é como um tesouro ou como uma pérola de grande valor. Vale a pena abrir mão de tudo o mais e priorizar a aquisição dessas preciosidades (Mt  13.44-46). Mesmo porque, as pessoas assim enriquecidas, poderão adquirir tudo o de que realmente necessitam, e serão mais felizes! Leia outra vez Mt 6.33.

Quais são nossas desculpas!

Em Lc 4.15ss, Jesus compara as bênçãos do Reino com uma Grande Ceia. Deus a preparou e convidou a muitos! (Esse preparo equivale à História da Redenção!). “À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado”. Mas, incrivelmente, os convidados “começaram a escusar-se… Comprei um campo, e preciso ir vê-lo… Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las… Casei-me e por isso não posso ir…” O dono da casa, irado, mandou seu servo convidar outros, e que outros: “…os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos”, os que os primeiros julgavam menos dignos, menos prováveis. Perderam!

Dia do Senhor é dia de descanso, de adoração, de comunhão e crescimento espiritual. A igreja não deve encher esse dia com ativismo religioso, mas deve prover ensino bíblico e oportunidade de culto sincero, aceitável a Deus, e edificação bem firmada na Palavra de Deus.

Sondemos nossa consciência. Que valor tem para nós o Reino de Deus! Nós o priorizamos? Quais são nossas desculpas? Seriam válidas aos olhos de Deus? São válidas para nossos outros compromissos? Quais têm siso nossas perdas?

Pr. Éber Lenz César
Mensagem pregada na I.P.Luz do Mundo, em 19/10/2008.