Em nossos cultos, nos três domingos anteriores, recordamos as belas  histórias do Natal de Jesus, contadas nos evangelhos. De cada uma, tiramos lições preciosas que precisamos ter em mente, vivenciar e proclamar. Vamos resumir aqui o que foi dito e mostrado em slides.
No tempo de Herodes.

O primeiro grande acontecimento que Lucas registrou em seu Evangelho foi o aparecimento de um anjo a um  sacerdote judeu chamado Zacarias. O anjo disse  ao sacerdote: “Sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe  dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele” (Lucas 1.5-17).

Esta palavra foi tanto mais importante porque desde os dias de Malaquias, o último dos profetas do Velho Testamento, Deus não se manifestava a ninguém  em  Israel. Falando com Zacarias, através deste anjo, Deus  quebrou  um silêncio de quatrocentos anos!  Além disso,  como veremos, o filho de Zacarias e  Isabel, João Batista, nasceu  comissionado para a nobre missão de preparar o caminho para Jesus, o Salvador. Deus estava cumprindo uma das últimas profecias do Velho Testamento: “Vejam, eu enviarei o meu mensageiro que preparará o caminho diante de mim…” (Ml 3.1).

Lucas tem o cuidado de dar-nos o contexto histórico e político deste acontecimento extraordinário e alegre. Foi “no tempo de Herodes” (v.5). Esta observação é importante porque  aquele tempo foi particularmente difícil para o povo de Deus.  Por determinação do Senado Romano, Herodes, o Grande, governou a Palestina de 40 a.C. a  4 d.C. Ele foi um rei muito violento e desumano. Foi ele quem mandou  matar  todos os meninos judeus de dois anos para baixo, querendo com isto que, em algum lugar, o menino Jesus fosse morto. Esta simples observação - “no tempo de Herodes”, lembra-nos que grandes bênçãos da parte de Deus às vezes ocorrem em tempos muito difíceis.

O exemplo de Zacarias e Isabel

Como indivíduos e como casal,  Zacarias e Isabel têm muito a nos ensinar. Lucas registrou que “ambos eram justos aos olhos de Deus, obedecendo de modo irrepreensível a  todos os mandamentos e preceitos do Senhor” (v. 6). Note a palavra  “ambos”.  Ambos eram crentes, e bons crentes!  E isto apesar de Herodes… É sempre mais fácil e maravilhoso quando “ambos”, marido e mulher têm o chamado “temor do Senhor”, crêem em Jesus Cristo como seu Salvador e o obedecem como seu Senhor.

Mas Zacarias e Isabel “não tinham filhos, porque Isabel era estéril” (v.7). Naquele contexto cultural, não ter filhos era uma vergonha, uma grande provação. Isto lembra-nos que a graça de Deus a ninguém isenta de tribulações, nem mesmo aos crentes mais piedosos.

Todavia, Zacarias e Isabel, já na “idade avançada” (v.7), receberam a sua bênção maior, a que justificou suas vidas. Isto acontece às vezes: a maior bênção pode estar por vir; e poderá ser aquela pela qual terá valido a pena viver! O salmista escreveu acerca dos justos: “Mesmo na velhice darão fruto, permanecerão viçosos e verdejantes para proclamar que o Senhor é justo…” (Salmo 92.14-15). (Continua).

Pr. Éber Lenz César
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