Na pequena cidade de Judá onde viviam Zacarias e Isabel,  não se  falava de outra coisa:  “Um anjo apareceu a Zacarias… Isabel vai  ter um filho… Quem diria?”

Foram meses de expectativa geral.  Então, “ao se completar o tempo de Isabel dar à luz, ela teve um filho…” (Lc 1.57). Em obediência à vontade revelada de Deus, Zacarias e Isabel lhe deram o nome de João, que significa  graça ou favor de Deus.

Em face desta graça, os vizinhos, impressionados, perguntavam: “O que vai ser este menino?” (Lc 1.65-66). Esta é, ainda hoje, a pergunta que  pais, parentes e amigos fazem quando nasce uma criança.  Zacarias e Isabel, muito excepcionalmente, souberam, de antemão, qual seria o caráter do filho e o que ele faria na vida.  O  anjo lhes antecipou estas informações.

O caráter de João.

O anjo dissera a Zacarias:  ele “será grande aos olhos do Senhor… nunca tomará vinho ou bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo…” (1.15). Note: “grande aos olhos do Senhor…” O mundo geralmente avalia as pessoas pela beleza física, cultura,  riquezas e bens. Mas Deus vê o coração, o caráter, a espiritualidade. João foi um homem simples (Mt 3.4; Lc 7.25); por toda a sua vida, ele nunca bebeu nada que o pudesse embriagar, e sempre foi cheio do Espírito Santo  (Lc 1.15 com Ef 5.18).  Além disso, “a mão do Senhor estava com ele”  (Lc 1.66).  Por  todos  estes motivos, Jesus  disse a respeito de João: “Entre os que nasceram de mulher não há ninguém maior do que João” (Lc 7.28).

A missão de João.

O anjo que anunciou o nascimento de João, dissera também: Ele “fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor” (1.15-17). Num sentido, o missão de João foi única, pois ele preparou o caminho para o ministério terreno de Jesus.  Noutro sentido, porém, ele fez o que todos os crentes cheios do Espírito Santo podem e devem fazer:  ajudar as pessoas a se voltarem para Deus e para Jesus, ser  um instrumento de Deus na reconciliação de pais e filhos, e insistir na necessidade de obediência a Deus. É assim que se prepara o caminho para Cristo.

Os pais sempre querem que  seus filhos sejam grandes, isto é, inteligentes, bem sucedidos, notáveis. Não tem nada errado com isto. Porém, pais e filhos precisam saber em que consiste a verdadeira grandeza, o verdadeiro sucesso. João foi o maior  porque seus pais foram piedosos e obedientes a Deus, e porque ele próprio, auxiliado pelo Espírito,  creu em Cristo (Jo 1.32-34) e viveu uma vida simples, separada para Deus e consagrada ao serviço de Deus no mundo. Não podemos desejar e pedir a Deus nada melhor para nós próprios e para os nosso filhos.

O chamado de João.

Em Lc 3.1-14, o evangelista descreve brevemente o chamado e o ministério de João, o Precursor de Cristo. Sobre o chamado, note duas coisas.

Lucas situa historicamente o chamado e o início do ministério de João.  Foi “no décimo-quinto ano do reinado de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes tetrarca da Galiléia; seu irmão Filipe tetrarca da Ituréia e Traconites; e Lisânias, tetrarca de Abilene; Anás e Caifás exerciam o sumo sacerdócio…” Não vamos comentar aqui o caráter e o desempenho destes líderes políticos e religiosos. Basta-nos saber que uns e outros foram extremamente corruptos, e que aquela foi uma época sombria da história.

Ora, foi justamente naqueles dias difíceis que “veio a palavra do Senhor a João… no deserto” (v.2). Saibamos não desesperar nem por nós mesmos nem pela causa do Senhor quando predominam a incredulidade, a imoralidade, a corrupção, a violência e a miséria. Deus pode estar preparando a redenção…

Além disso, observe que João estava “no deserto” quando Deus lhe falou. Talvez tivesse ido para o deserto da Judéia a fim de preparar-se para o ministério que Deus tinha para ele, segundo as palavras do anjo a Zacarias, seu pai  (1.15-17). Moisés também estava  no deserto quando Deus o comissionou (Êx 3-4); o próprio Jesus passou quarenta dias no deserto antes de começar o seu ministério (Lc 4); Paulo passou três anos nos desertos da Arábia antes de dar início às suas viagens missionárias (Gl 1.15-17). É no isolamento e na quietude do “deserto” ou do quarto fechado que melhor podemos ouvir a voz de Deus e preparar-nos para o ministério que ele tem para nós, qualquer que seja.

Pr. Éber Lenz César, Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, novembro 2008.