Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
22 Aug
Em mensagens anteriores, comentamos que, na história de Israel, os períodos de crise e de avivamento se sucedem. Em outras palavras, sempre houve altos e baixos. Vimos que a descontinuidade dos avivamentos esteve ligada hora à falta de liderança espiritual, hora ao pecado coletivo (Êx 32) ou individual (Js 7).
O avivamento que começou com a “renovação da aliança” em Siquém, sob a liderança de Josué, durou “por todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que sobreviveram depois de Josué” (Js 24.31). Ou seja, durou enquanto viveram seus líderes. Isto, por um lado, confirma a importância da liderança espiritual; por outro lado, põe a descoberto uma falha na liderança de Josué e dos anciãos…
A falha de Josué e dos anciãos.
Ao que parece, eles não pensaram na necessidade de treinar outros líderes para continuarem a obra depois deles. Os textos que registram a morte de Josué e dos anciãos (Js 24.29ss e Jz 2.6ss) significativamente afirmam que os anciãos “sabiam todas as grandes obras feitas pelo Senhor a Israel”. Porém, “outra geração se levantou, que não conhecia ao Senhor, nem tão pouco as obras que fizera a Israel. Então fizeram os filhos de Israel o que era mal perante o Senhor… Deixaram o Senhor Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram…” (Jz 2.10-12).
O avivamento que começou em Siquém com um vigoroso sermão de Josué, no qual ele recordou aos líderes da nação “as grandes obras, feitas pelo Senhor a Israel” (Js 24) acabou porque, com a morte de Josué e desses líderes, não houve ninguém mais que proclamasse estas obras e encorajasse o povo a servir ao Senhor.
Quantos avivamentos esfriam e acabam somente porque seus líderes não fazem qualquer previsão de continuidade para além de seu próprio ministério, e não preparam novos líderes!
O tempo dos juízes.
Vimos que a geração seguinte à morte de Josué e dos anciãos, se esqueceu do Senhor e serviu a outros deuses, “pelo que a ira do Senhor se acendeu contra Israel… e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor; e não mais puderam resistir a eles. Por onde quer que saíam, a mão do Senhor era contra eles para o seu mal… e estavam em grande aperto” (Jz 2.14-15). Faltou-lhes a proteção e a bênção do Senhor!
O povo, então, se lembrou do Senhor e clamou por libertação. Deus ouviu e lhes deu um novo líder, um libertador ou juiz (Jz 2.16,18). Seguiu-se um período melhor. Porém, falecendo o juiz, “reincidiam e se tornavam piores do que seus pais, seguindo após outros deuses…” (Jz 2.19).
Este ciclo - pecado, falta da bênção de Deus, arrependimento, clamor
, nova liderança, libertação, tempo melhor, até à morte do líder - repetiu-se várias vezes e caracterizou esse período da história de Israel, o tempo dos Juízes (ver 3.7-11; 4.1-4; 10.6ss, etc.). Durou cerca de trezentos anos (11.26).
Samuel e o avivamento de Mispa
Samuel foi o último dos juízes, o maior profeta de Israel desde Moisés. O relato de seu nascimento (I Sm 1) revela que, conquanto a religião de Israel estivesse no seu nível mais baixo, havia aqui e ali indivíduos e lares tementes a Deus. Samuel cresceu na “casa do Senhor”, na companhia do profeta Eli, e, mais tarde, foi o homem que Deus usou para livrar Israel da mão dos filisteus e liderar o maior avivamento daqueles anos (I Sm 7). “Toda a casa de Israel dirigia lamentações ao Senhor…. Falou Samuel a toda a cada de Israel, dizendo: Se é de todo o vosso coração que vos voltais ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos… Congregai a todo o Israel em Mispa, e orarei por vós ao Senhor… Congregaram-se em Mispa, tiraram água e a derramaram perante o Senhor, jejuaram aquele dia, e ali disseram: Pecamos contra o Senhor” (I Sm 7.2-7). Derramaram água para demonstrar, simbolicamente, que seus corações estavam derramados, humilhados e arrependidos (ver Sl 22.14; 62.8). Depois disso, “cla-mou Samuel ao Senhor por Israel, e o Senhor lhe respondeu” (I Sm 7.2-9). Israel der-rotou os filisteus e Samuel “tomou uma pedra, e a pôs entre Mispa e Sem, e lhe chamou Ebenézer, e disse: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (I Sm 7.9-12).
Toda essa história lembra-nos que nós, pais e líderes desta geração, precisamos zelar por nossa vida espiritual, por nosso exemplo e ensino a fim de transmitir à próxima geração, nossos filhos e liderados, a memória das obras do Senhor em nossa vida e na história da igreja, e, assim, manter a chama acessa. Quantos filhos e netos de crentes abandonam a fé, a igreja, os caminhos do Senhor!
Que nossa vida cristã e nossa igreja não sejam suma sucessão de altos e baixos…
Pr. Éber Lenz César, boletim da Igreja P. Luz do Mundo, 24/08/2008
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