Percorrendo a história bíblica, estamos conhecendo o padrão bíblico de avivamento. Na mensagem anterior, comentamos o avivamento da família de Jacó, que, conquanto tenha durado pouco, serviu para preservar a descendência de Abraão, o povo eleito. Vimos que os chefes de família devem exercer uma liderança firme e espiritual. Isto é muito importante para o avivamento da família e, então, da comunidade maior.

1. Israel no Egito.

Jacó e seus filhos tinham descido ao Egito. Por esse tempo, José era o líder, o homem que Deus usou não somente para salvar a vida do seu povo, mas também para conservar acesa a chama do avivamento, a fé no Deus de Israel (Gn 45.7).

Após a morte de José, nenhuma liderança de peso surgiu para orientar o povo de Deus. Israel contaminou-se com os ídolos do Egito e cometeu abominações aos olhos de Deus (Js 24.14; Ez 20.6-8). O Senhor os advertiu ordenando-lhes que se desfizessem dos ídolos e dos maus costumes que haviam aprendido com os seus vizinhos, mas eles não quiseram ouvi-lo. Por isso, veio o castigo, a disciplina de Deus: “… subiu ao trono do Egito um novo rei, que nada sabia sobre José” (Êx 1.8). Este Faraó inimigo fez amargar a vida de Israel no Egito com dura escravidão (Êx 1.13,14; At 7.18-19). Outra vez observamos que onde não se mantém acesa a chama do avivamento (de amor e obediência a Deus), a disciplina do Senhor é inevitável, e as coisas ficam muito difíceis…

2. Moisés, instrumento de Deus.

O sofrimento de Israel no Egito durou 400 anos. Seus gemidos e lágrimas, por fim, transformaram-se em orações. “Ouviu Deus o lamento deles e lembrou-se da aliança que fizera com Abraão, Isaque e Jacó. Deus olhos para os israelitas e viu a situação deles” (Êx 2.23-25).

Como geralmente acontece em tais circunstâncias, Deus levantou um novo líder para o seu povo (Êx 3). Moisés foi o instrumento que Deus usou para tirar Israel do Egito e conduzi-lo através do deserto até quase chegarem à Terra Prometida. As dez pragas que sobrevieram aos egípcios por ocasião do Êxodo, foram os golpes mortais de Deus sobre os deuses falsos dos egípcios aos quais Israel chegara a servir (Êx 7.5, 17,18; 8.22; 10.1,2, etc.). O Faraó e seu exército ainda perseguiu Israel até o Mar Vermelho, mas Deus os afogou no mar e livro o seu povo, miraculosamente. Então, “Israel viu o grande poder do Senhor contra os egípcios, temeu o Senhor e pôs nele a sua confiança, como também em Moisés, seu servo” (Êx 14.31; ver 18.11). O cântico de Moisés em Ex 15 foi, por assim dizer, o hino oficial deste avivamento: “Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente… O Senhor é a minha força… Ele é a minha salvação! Ele é o meu Deus e eu o louvarei…”

No deserto, o trabalho tornou-se exaustivo para Moisés, pelo que, seguindo o conselho do sogro, ele “escolheu homens capazes… e colocou-os como líderes do povo: chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez” (Êx 18.24-25). Algo como os nossos pastores auxiliares, presbíteros, líderes de pequenos grupos…
A despeito de tudo isso, Israel teria outros períodos de fraqueza de fé e mesmo de idolatria, seguidos do juízo de Deus, da intercessão de Moisés, de arrependimento e de avivamento.

Avivamento no Sinai.

No Monte Sinai, a meio caminho de Canaã, a Terra Prometida, Deus recordaria ao povo o que lhes fizer5ta no Êxodo, e lhes diria: “Vocês viram …como… eu os trouxe para junto de mim. Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal… vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa… O povo todo respondeu unânime: ‘Faremos tudo o que o Senhor ordenou’” (Êx 19.4-8). Na ocasião, Deus manifestou sua presença poderosa e santa com fumaça e chamas de fogo, sobre o Monte Sinai (Êx 19.18). Diante disto, o povo se purificou e se consagrou ao Senhor (vs.10 e14). Foi neste contexto de avivamento que Deus deu a Moisés os Deus Mandamentos e muitas outras leis (Êx 20).

Neste avivamento, vêem-se os mesmos ingredientes já observados noutros avivamentos bíblicos, ou sejam: liderança espiritual, visão da glória e da santidade de Deus, renovação do compromisso de obedecer e servir a Deus, purificação e consagração pessoal e comunitária. Deus promete abençoar-nos de modo especial sob estas condições. “…eu os trouxe para junto de mim. Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal… um reino de sacerdotes e uma nação santa…”
O apóstolo Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, aplicou estas palavras à Igreja, em I Pe 2.9-10. Nesta passagem, fica ainda mais claro que Deus nos faz seu povo, nos abençoa e aviva para que sejamos uma bênção para a sociedade no meio qual vivemos, proclamando a outros as suas “virtudes”. O avivamento da igreja estende-se à cidade e ao país!

Pr. Éber César