Problemas Emocionais! Quem não os tem? Ansiedade, então! Mas a Bíblia tem respostas. Para entendê-las e aplicá-las melhor, precisamos rever nossos conceitos de Deus, de paz e de santidade.

Sobre o conceito de Deus, frisamos que o chamado “temor do Senhor” não anula a possibilidade de intimidade com o Senhor, pois ele é Pai amoroso e Pastor cuidadoso. Podemos e devemos “derramar o coração” diante dele quando aflitos, ansiosos ou angustiados, na certeza de que ele nos socorrerá e nos dará da sua paz (Fp 4.6-7).

Conceito de paz.

Mas como é essa paz? Uma idéia errada a respeito gerará frustrações. As coisas não acontecerão como o esperado, e seremos levados a pensar que Deus não cumpre suas promessas ou que a vida cristã, afinal, não é um “mar de rosas”.

Com razão, gostamos de orações como esta: “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti” (Is 26.3). Ou de promessas como esta de Jesus: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou… Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14.27). Todavia, a paz que Deus não é como uma estrada pavimentada com pétalas de rosas…

Não é indiferença e passividade. É certeza que inclui preocupação, pré-ocupação com necessidades e responsabilidades futuras.

Não é resignação irremediável. É certeza que inclui indignação contra toda maldade e injustiça que se interpõem nos caminhos de Deus.

Não é autocomplacência. É certeza que inclui o senso de autocrítica. Sim, porque, complacentes, privamo-nos da paz de Deus permanecendo  no erro e no pecado.

A preocupação, a indignação e a ato-crítica perturbam, angustiam às vezes! Mas são necessárias. O mesmo Paulo que garantiu: “… a paz de Deus… guardará a vosso coração e a vossa mente”, exortou: “…desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” ( Fp 2.12).

Paz adversidade.

Horácio Spofford, rico advogado, filho espiritual de D. Moody, presenteou a esposa e as quatro filhas com umas férias na Europa. A meio do oceano, o navio naufragou… Dias depois, Spofford recebeu um telegrama da esposa: “Somente eu sobrevivi” Ele foi buscar a esposa na Irlanda, para onde ela fora levada, quando resgatada. No meio do oceano, próximo ao local onde suas filhas e tantos outros tinham perdido a vida, Spofford, olhando para o mar, compôs este hino, que, hoje, é um dos mais apreciados no mundo evangélico:

Se paz a mais doce me deres gozar,
Se dor a mais forte sofrer,
Oh, seja o que for,Tu me fazes saber,
Que feliz com Jesus sempre sou!

Sou feliz! Com Jesus, meu Senhor!”…

Conceito de santidade.

Tendemos a pensar que os crentes mais espirituais ou santos nunca ficam ansiosos. E não ficam mesmo! Mas eles têm, sim, momentos de ansiedade! A diferença é que eles logo superam essa emoção com oração e confiança em Deus. Em seguida à luta, vêm a paz e tranqüilidade.

Examine estes exemplos bíblicos:  Jó (Jó 1.8; 3.24-26); Elias (I Re 19.1-4); Pedro  (Mt 14.25-32); Paulo (I Co 2.3; II Co 7.5).

E o que dizer de Jesus? Num texto muito discutido, vemos que, na noite anterior à sua crucificação, ele levou para o Getsêmani os seus discípulos mais íntimos e lhes disse: “A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo”. Em seguida, orando à parte, ele disse: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice…” (Mt 26.38). A angústia foi tal que ele transpirou sangue! (Ver  Lc 12.50).

Que foi que o homem Jesus sentiu nessa noite terrível Tristeza, angústia, medo, ansiedade? Teólogos sérios como W. Strawson e O. Cullman entendem assim. Strawson justifica-se dizendo: “O indivíduo verdadeiramente cristão e corajoso vai em frente, a despeito do medo ou da ansiedade, confiando na poderosa ajuda do Senhor e trabalhando a própria mente e o próprio  coração”.

O apóstolo Pedro escreveu: “Lancem sobre  ele (Deus) toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (I Pe 5.7 NVI). Não podemos “lançar” o que não temos… Mas podemos “lançar” ou colocar diante de Deus a ansiedade que nos sobrevém e, então, confiar, descansar, ficar em paz. Leia outra vez Is 41.13 e Fp 4.6-7. São “comprimidos”  espirituais para a ansiedade!

Pr. Éber Lenz César

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