Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
20 Jul
1. Líderes de Avivamento
A Bíblia tem um padrão de avivamento. Precisamos conhecê-lo e conduzir-nos por ele. O salmista orou: “Vivifica-me, Senhor, segundo a tua Palavra” (Sl 119.107). Com este objetivo, vamos repassar a história bíblica, muito resumidamente, destacando os períodos mais marcantes de crise e de avivamento, e observando as circunstâncias que tornaram os avivamentos necessários, os passos que os possibilitaram, as maneiras como Deus os realizou e as bênçãos que os acompanharam.
1. O avivamento dos setitas.
Ao que parece, o primeiro avivamento bíblico ocorreu nos dias de Sete, logo após o nascimento de seu filho Enos. “Daí se começou a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26). Os versículos anteriores registram o desvio religioso de Caim, o assassinato de Abel e o começo da civilização caimita, que foi descrente e perversa.
A humanidade estava enferma. Era um tempo de crise. Por essa razão, provavelmente, Sete, o terceiro filho de Adão e Eva, deu ao seu filho o nome de Enos, que quer dizer “doentio”. Não foi porque a criança nasceu fraca e doente, pois Enos viveu 905 anos! (v.11). Os setitas (descendentes de Sete), diferentemente dos caimitas, buscavam o Senhor. Alguns deles viveram num estado de avivamento contínuo. Enoque, por exemplo, “andou com Deus” (Gn 5.24). Noé, que também andou com Deus, “era justo e íntegro entre os seus contemporâneos” (Gn 5.29; 6.9).
Para prejuízo da linhagem de Sete, descendentes seus casaram-se com descendentes de Caim. Em conseqüência, veio um período de corrupção generalizada (Gn 6.1-5). Razão porque Deus anunciou o dilúvio (Gn 8.22ss). Noé, o “pregador da justiça” (II Pe 2.5), advertiu os seus contemporâneos do iminente castigo de Deus, caso não se arrependessem. Mas eles não lhe deram ouvidos e “veio o dilúvio e os levou a todos” (Gn 7). Juízo igualmente severo caiu sobre os “grandes pecadores” de Sodoma e Gomorra, apesar da intrépida intercessão de Abraão a seu favor. Não foram encontrados nem sequer dez justos naquelas cidades (Gn 13.13; 18.20-19.29).
stes fatos ilustram dramaticamente o que acontece aos pecadores que recusam o avivamento. Deus é longânimo e misericordioso, mas sabe ser severo com os que não se arrependem de seus pecados (Rm 11.22). Em última análise, é avivamento ou catástrofe.
2. O papel do chefe de família.
No começo, o povo de Deus era uma família; depois, dividiu-se em doze tribos e, então, tornou-se um povo e um reino. As famílias, inicialmente, foram lideradas pelos patriarcas. Nos tempos de crise, estes chefes de família atuavam como instrumentos de Deus para o avivamento.
O velho Jacó é um exemplo. A conduta vergonhosa de seus filhos entre os siquemitas (moradores de Siquém, em Canaã), criou uma situação perigosa para a família de Jacó, depois chamado Israel. O patriarca temeu que os moradores daquela terra se unissem contra ele e sua família e os destruíssem (Gn 34). Então, sob a orientação de Deus, ele ordenou aos seus filhos que jogassem fora os deuses estranhos, se purificassem e voltassem a Betel, o local onde, anteriormente, eles tinham vivido tempos preciosos de comunhão com Deus (Gn 35.1-7; 28.10-19). O avivamento dos filhos de Jacó durou muito pouco, mas, de qualquer modo, serviu para livrá-los da destruição e preservar a raça eleita.
Quando, séculos mais tarde, os descendentes de Israel chegaram à terra prometida, Deus lhes deu “mandamentos, estatutos e juízos” (Dt 6.1). Muitas bênçãos foram prometidas a Israel sob condição de servirem ao Senhor com fidelidade e guardarem os seus mandamentos (Dt 7). O principal era este: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força” (Dt 6.5). Deus ordenou que os pais tivessem estas palavras em seus próprios corações e as ensinassem a seus filhos nas múltiplas oportunidades que a vida em família oferece (Dt 6.4-9). Esta é uma condição para o avivamento das famílias e suas igrejas!
Nestes dias difíceis em que vivemos, muitas famílias estão em crise por excesso de influências mundanas e por falta de uma liderança firme e espiritual, como a de Sete ou a de Noé ou ainda a de Jacó. Os “chefes de família” de hoje precisam agir com mais firmeza em prol do avivamento espiritual de suas esposas e de seus filhos. Têm que livrar-se dos “ídolos” modernos, tudo que toma o lugar de Deus na mente, no coração e na vida; têm que encorajar seus queridos a viverem uma vida santa e a retornarem a “Betel”, ou seja, aos hábitos antigos de leitura bíblica e oração individual e familiar, e também de freqüência aos cultos da igreja, sua família maior. A palavra hebraica, Betel, quer dizer “Casa de Deus” (Gn 28.17).
Pr. Éber César
O roteiro e algumas idéias desta e das próximas mensagens foram traduzidas e adaptadas livremente do livro de Robert Colleman, Dry Bones Can Live Again (Ossos secos podem reviver. Outras fontes também serão usadas).
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