Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
3 Jul
Howard Rutledge, piloto da Força Aérea USA, foi abatido no Vietnan do Norte logo no começo da guerra. Ficou num Campo de Prisioneiros sete anos, até o final da Guerra. Quando voltou ao seu país, escreveu um livro intitulado Na Presença dos Meus Inimigos. Neste livro, Rutledge narrou suas experiências e sentimentos durante aqueles anos terríveis de grande sofrimento. Leia esta sua confissão:
“Durante os longos períodos em que fui forçado a meditar, não foi difícil aprender a distinguir entre o que é importante e o que é supérfluo, o que é útil e o que é lixo… Anteriormente, nos domingos, eu passava o tempo trabalhando muito ou me divertindo, e não tinha tempo para ir à igreja… Minha esposa me chamava… mas eu estava ocupado demais, ligado demais em outras coisas, e não podia passar uma ou duas breves horas por semana pensando nas questões mais importantes da vida… Mas agora ali estava eu, cercado por imagens da morte… Em pouco tempo, minha fome espiritual superava até a vontade de comer um bife… Eu queria saber mais sobre aquele aspecto do meu ser que nunca morrerá; queria conversar com alguém sobre Deus, Cristo, e sobre a igreja… Mas no confinamento solitário do… campo de concentração não havia pastores, nem professores de escola dominical, nem Bíblias, nem hinários, nem grupos de crentes para me orientar e me confortar… Eu havia negligenciado completamente a dimensão espiritual da minha vida. Foi preciso ficar numa prisão para descobrir como é vazia uma vida sem Deus.”
E então? Será que damos o devido valor ao que temos aqui, hoje? Contexto cristão, bíblias em várias versões, incluindo Bíblias de Estudo, com notas auxiliares; Igreja, Escola Dominical, professores, cultos, pregação, louvor, comunhão, amizades…
Como cristãos cremos que existe dentro de nós algo que não perece com a morte, o que chamamos alma, espírito, o mundo interior. Como está essa parte do seu ser? Muitos percebem, num dado momento da vida, que seu nível de comunhão com Deus está muito baixo ou sofrendo altos e baixos. Reconhecemos esta confissão: “Eu começo a semana cheio de boas intenções, mas já por volta da quarta-feira pela manhã perco o interesse. Não consigo manter o nível…”.
Não há uma fórmula rápida!
Nessa luta, pensamos, às vezes, que se tivéssemos um encontro com Deus, uma visão ou alguma experiência miraculosa, isso resolveria este nosso problema de uma vez por todas… “Se eu tivesse uma experiência como a de Moisés, quando Deus falou com ele numa sarça ardente! (Êx 3). Ou como a de Isaías, quando, no Templo, viu anjos glorificando a Deus! (Is 6). Ou ainda como a de Paulo, quando viu uma grande luz, na estrada de Damasco, e o Senhor Jesus ressuscitado lhe falou! (At 9).
Muitos pensam que há uma fórmula rápida e mágica para o crescimento espiritual… Tentam um curso bíblico intensivo, uma corrente de jejum e oração, procuram uma igreja com mais emoção e com experiências extáticas, participam de um retiro espiritual, de um acampamento… Ás vezes, até dá certo. Há um avivamento. Fogo novo na alma. Todavia, algum tempo depois, e outra vez, falta combustível, consistência, doutrina, e disciplina espiritual.
Disciplina espiritual
Se quisermos cultivar uma vida espiritual satisfatória, temos que encará-la como uma disciplina. No Velho Testamento, Daniel “três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer (Dn 6.10). Nos evangelhos, lemos Jesus “saindo, foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras; e os discípulos o acompanharam… Chegando ao lugar escolhido, Jesus lhes disse: Orai, para que não entreis em tentação. Ele, por sua vez, se afastou…e, de joelhos, orava (Lc 22.39-41). O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: Exercita-te pessoalmente na piedade… (I Tm 4.7).
Cuide do seu jardim
O mundo interior pode se comparado a um jardim. Ali, o Espírito Santo de Deus e de Cristo encontra-se conosco e nos dá amo, paz, alegria, sabedoria, orientação, incentivo… Como todo jardim, esse também precisa ser escavado, plantado, adubado, aguado, capinado, podado… Esta é outra maneira de descrever a disciplina espiritual.
O famoso Irmão Lawrence, em seu livro Praticando a Presença de Deus, usou outra figura: “Podemos transformar nosso coração num pequeno templo, ao qual nos recolhemos para ter uma suave, humilde e terna comunhão com Deus… Comecemos logo! Talvez ele só esteja esperando que tomemos esta decisão. Ânimo! Nosso tempo de vida é muito curto.”
Comecemos logo!
Privilégios que podemos perder:
Consciência da soberania de Deus (Sl 2.2-4)
Consciência do Senhorio de Deus e de Cristo
Consciência de nossa filiação divina (Ef 1.5)
Consciência da amizade de Cristo (Jo 15.15)
Cuidemos do nosso jardim, do nosso MUNDO INTERIOR, da nossa Força espiritual!
Pr. Éber Lenz César
Algumas idéias destas mensagemforam extraídas do livro “Ponha Ordem no Seu Mundo Interior”, de Gordon MacDonald, e contém algumas citações do mesmo.
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