Há coisas que você gostaria muito de ter feito no ano passado e que não fez por alta de tempo? Foi mesmo por falta de tempo? Ou teria faltado organização e disciplina? Acontece… Temos tempo, mas nem sempre o usamos com discernimento, organização e disciplina. Este é um outro aspecto do nosso mundo interior que requer atenção e ordem.

Willian Barclay, conhecido expositor bíblico, fez o seguinte comentário sobre o poeta inglês Samuel Coleridge: “…é um exemplo da tragédia da indisciplina.

Não há outra grande inteligência que tenha produzido tão pouco… Alguém já disse que ele se perdia nas visões dos trabalhos que tencionava fazer… Coleridge possuía todos os dons poéticos, menos um – o dom de executar um trabalho de forma concentrada e contínua… Na cabeça e na mente, ele tinha diversos tipos de livros… Mas esses livros nunca foram impressos, a não ser na mente do poeta, simplesmente porque não teve a disciplina de sentar-se e escrevê-los…”

É assim que muitas pessoas chegam ao fim da vida frustradas por não terem realizado o que poderiam ter realizado. Todavia, como alguém já disse : A vida é curta demais para que façamos tudo o que queremos, mas é longa o bastante para que façamos tudo o que Deus quer que façamos.

Gordon MacDonald, no seu livro Ponha Ordem No Seu Mundo Interior, refere e comenta os seguintes sintomas de desorganização e indisciplina:

  1. Mesa de trabalho sempre entulhada de papéis;
  2. Carro constantemente sujo e descuidado; pia da cozinha freqüentemente entulhada de louças e talheres por lavar, e coisas assim;
  3. Compromissos descumpridos por razões tolas;
  4. Tarefas improdutivas (uma compensação);
  5. Trabalho mal feito;
  6. Pouco ou nenhum tempo para a família;
  7. Pouco ou nenhum tempo para Deus;
  8. Desagrado consigo mesmo.

O Senhor do tempo

O apóstolo Paulo escreveu aos Efésios. Vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias sãos maus… Procurai compreender qual a vontade de Deus (Ef 5.15-17). Remir significa resgatar, readquirir, salvar. Temos que salvar o tempo, aproveitá-lo ao máximo, usá-lo da melhor maneira possível, como o fez Jesus. Ele conviveu com as mesmas intromissões, pressões e exigências que experimentamos hoje, mas deixou-nos exemplo de perfeita administração do tempo. Como ele fez isso? Como conseguiu?

Veja, por exemplo, Lc 18 e 19. Jesus e seus discípulos estavam a caminho de Jerusalém para a celebração da Páscoa. A caminho, Jesus lhes disse que durante aquela Páscoa, ele seria preso, condenado e morto, mas ressuscitaria ao terceiro dia (18.31-34). Quando se aproximavam de Jericó, muita gente acercou-se de Jesus. Um mendigo cego ouviu o tropel da multidão, e perguntou o que era aquilo. Disseram-lhe que era Jesus, o Nazareno. O cego, então, pôs-se a gritar: “Jesus… tem compaixão de mim!” Alguns tentaram impedi-lo, pensando, talvez, que Jesus não interromperia sua viagem, que a prioridade dele era chegar a Jerusalém em tempo para as celebrações da Páscoa. Mas Jesus parou, deu atenção ao cego e o curou. Mais a frente, numa rua de Jericó, Jesus viu Zaqueu, um publicano, encarapitado  num árvore, ansioso por vê-lo… e precisando de ajuda. Jesus parou outra vez… Passou a noite na casa de Zaqueu, que se converteu! Tudo isto nos ensina que Jesus não permitia que os outros determinassem o que ele deveria fazer com o seu tempo e as suas oportunidades; ele mesmo, com oração, determinava suas prioridades, o que fazer e quando. Parando para ajudar pessoas como o mendigo cego e Zaqueu, Jesus deixou claro que o seu uso do tempo estava intimamente relacionado com sua consciência de missão. De fato, criticado por hospedar-se na casa de Zaqueu, um publicano corrupto, Jesus explicou: “O Filho do homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19.10). Isto era mais importante para ele do que chegar a Jerusalém em tempo para a Páscoa.

Além disso, Jesus tinha consciência de suas limitações. Parece estranho, mas é isso mesmo. Paulo escreveu que, na encarnação, o Filho de Deus “a si mesmo se esvaziou… tornando-se em semelhança de homens…” (Fp 2.7). Jesus dependia do Pai, orava antes de tomar uma decisão, de fazer qualquer coisa, de usar o tempo (Lc 6.12s). Quantas vezes alegamos falta de tempo para orar e meditar. Jesus, como homem, orava muito, também porque “foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança” (Hb 4.15).

Gordon MacDonald, no seu citado livro, escreveu: “Como Jesus, temos que distribuir corretamente nosso tempo com a finalidade de acumularmos força interior e capacidade para decisão e para compreender nossas fraquezas em meio às batalhas espirituais.” O mesmo autor explicou que, quando não controlamos o tempo, nossa  tendência é (1) Usá-lo em atividades nas quais somos menos eficientes; (2) Fazer coisas com o propósito de alcançar reconhecimento; (3) Permitir que pessoas controladoras assumam a direção; (4) Deixar de fazer o pretendido ou o que seria nossa missão precípua para atender às emergências; ou, como disse C. Hummel: “Somos governados pela tirania da urgência.”

Vamos concluir com dois pensamentos: Não gaste seu tempo em nada de que venha a se arrepender mais tarde; em nada acerca de que não possa orar pedindo a bênção de Deus; em nada que você não consiga recordar com uma consciência tranqüila em seu leito de morte; em nada em que você não possa ser encontrado a fazer, com toda segurança e propriedade, se a morte o surpreender no ato”
(Richard Baxter). “O ano é composto de minutos. Que estes sejam cuidados como tendo sido dedicados a Deus. É a santificação do pouco que torna segura a santidade do todo” (Campbell Morgan).

Pr. Éber César.
As idéias básicas destas mensagens foram extraídas do livro “Ponha Ordem no Seu Mundo Interior”, de Gordon MacDonald, e contém algumas citações do mesmo. Não podem ser impressas e comercializadas.