I. DEUS TEM UM PLANO PARA A VIDA DE CADA PESSOA

Precisamos  estar  convictos dessa grande  verdade,  ou  não teremos disposição para buscar a vontade de Deus e obedecê-la. O fato  que  Deus  tem um plano ou propósito para a  vida  de  cada pessoa‚ perceptível na criação e revelado nas Escrituras.

1. Perceptível na criação.

O  Instituto  Moody  de  Ciências  tem   produzido   filmes científicos-religiosos  com o objetivo de provar, pelo estudo  da natureza,  que  todas as coisas foram criadas por Deus e  com  um propósito  específico.  O mais convincente desses filmes talvez seja  o  “Por  Acaso ou Preconcebido?” Vendo-o,  o  espectador honesto tem de admitir que tudo foi “preconcebido” por  um  Deus sábio  e  poderoso. Veja Sl 19.1; J ¢  38.4-11; Is 55.10.

Se cada  coisa na natureza tem um propósito nos planos  de Deus, que dizer do homem criado “à sua imagem e semelhança”? Sl 8.3-8; 139.13,16).

2. Revelado nas Escrituras.

Muitas  passagens falam da vontade de Deus para as nossas vidas. Exemplos: Sl 143.10; At 21.14; Rm 12.2; Ef 5.17; Cl  4.12; Hb 10.36; I Jo 2.17.

Sim, Deus tem um plano bem definido para as nossas vidas como um todo, e uma vontade específica em cada circunstância. Deve ser nosso desejo mais ardente conhecer a Seu plano e Sua vontade, e então obedece-la. Paulo orava para que esta fosse a experiência dos cristãos colossenses. (Cl 1.9-10)

Sabendo qual é a vontade de Deus, numa determinada circunstância, sigamos em frente, seguros, sem nos desviarmos do caminho traçado por Ele. Havendo dúvidas, permaneçamos em oração, aguardando Sua direção.

3. Deus anela revelar-nos sua vontade.

Pensamos, muitas vezes, que Deus reluta em revelar-nos sua vontade, ou que Ele somente o fará “forçado” por nossas orações, jejuns, promessas e sacrifícios. Não é assim. “Deus está mais desejoso de revelar-nos Sua vontade do que nós de conhecê-la e obedecê-la.” Lembremo-nos de que uma as funções do Espírito Santo é guiar-nos na busca da verdade ou da vontade de Deus (Jo 16.13-14).

II. SOMOS ESCRAVOS! NÃO TEMOS VONTADE PRÓPRIA!

Se desejamos mesmo conhecer a vontade de Deus e obedecê-la, precisamos, antes de qualquer outra coisa, entender  que,  como cristãos, somos escravos de Cristo, e, como tais, não podemos ter vontade própria.
Paulo considerava-se um “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1;  Fp  1.1; Tt  1.1). Assim também os demais apóstolos (Tg 1.1;  II  Pe 1.1; Jd 1.1). A palavra grega usada nestas passagens “doulos”, que quer dizer “escravo”. Escravo mesmo, não empregado. Há duas coisas que caracterizam um escravo:

1.    O escravo é cimprado por preço.

Não  pertence  a  si  mesmo,  mas  ao  seu  senhor.  Esta é exatamente a relação do cristão com Cristo, seu Senhor. ( I  Co 6.19-20; 7.22-23; I Pe 1.18-19; Ap 5.9). Parece-nos muito radical? Então vejamos Rm 14.7-9 e II Co 5.15.

2. O escravo não tem vontade própria.

Não é livre para fazer suas próprias escolhas, dirigir sua vida.  Assim  também o cristão: Ele é “escravo  de  Cristo”,  não decide sua vida. Cristo o faz, pois é seu Senhor!

A primeira coisa  que Paulo disse quando se converteu a Cristo foi: “Que farei, Senhor?” (At 22.10). Todo verdadeiro cristão passa a vida fazendo esta pergunta a Cristo, seu Senhor.

3. É mais seguro ser escravo… de Cristo!

Não temamos, porém. A vontade de Deus é “boa, agradável  e perfeita” (Rm 12.2). Deus não é um e estraga-prazeres (Sl  37.4; I  Tm  6.17b). “Deus é amor” (I Jo  4.8). Jesus antes prefere chamar-nos  “amigos” do que “escravos” (Jo 15.14-15). Ele  disse: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.30).

Todos somos escravos, de qualquer modo: de Cristo ou de Satanás, da vontade de Deus e de Cristo ou da vontade da “carne pecaminosa” (Jo 8.34; Rm 6.16-18). A questão é: De quem queremos ser  escravos? Sob o domínio de que senhor nos sentiremos mais seguros e seremos mais felizes?

III. AS CONDIIÇÕES NECESSÁRIAS

Em  Rm  12.1-2, Paulo fala das  condições necessárias para experimentarmos a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

1. Entrega pessoal.

“Rogo-vos,  pelas misericórdias de Deus…” (v.1a). As misericórdias de Deus foram referidas em Rm 1-11:  justificação, santificação, glorificação. Por causa destas, os cristão devem “apresentar seus corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus…” (v.1b). Equivale a uma entrega pessoal, a consagração.

No Velho Testamento, os judeus matavam animais e os ofereciam em sacrifícios expiatórios. Os cristãos não precisam fazer isto (Hb 7.26-27). Deus quer que expressem sua gratidão oferecendo-se a si mesmos. Ver II Co 8.5; 5.15.

Este é um requisito indispensável para que possamos experimentar a vontade de Deus. “Começaremos a conhecer a vontade de Deus tão logo escolhamos Sua vontade para a nossa vida…”

2. Separação do mundo.

“Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos…” (v.2a). As palavras em negrito são compostas e dizem respeito forma.

“Conformar” traduz a palavra grega  “susquematizestai”,  na qual  se  nota a raiz “squema”, que quer  dizer  esquema,  forma exterior. Essa forma muda constantemente, como a moda do mundo. Paulo está dizendo:  “Não acompanheis a moda do mundo; não  sejais  como o camaleão,  que toma a cor do ambiente…” Esta é uma advertência séria contra o “mundanismo”. Ver Jo 15.19; 17.15-17; Gl 1.3-4; Tg 4.4-5; I Jo 2.15-17.

“Transformar” traduz a palava grega “metamorfoustai”.  O grifo ressalta a raiz “morfê”, que também significa forma, mas a forma interior.  Essa forma não muda constantemente; mas caracteriza coisas e pessoas. Paulo está dizendo que, se quisermos experimentar a vontade de Deus, precisamos transformar-nos interiormente,desenvolver princípios e padrões de caráter que se imponham sobre os modismos pecaminosos do mundo, e sejam permanentes. Veja o mesmo princípio em I Pe 3.3-4.

3. Renovação da mente.

Paulo acrescenta que a transformação referida se dá por meio da renovação da mente: “… transformai-vos pela renovação da vossa  mente…”  (v.2b). Ouvindo sermões, estudando a  Palavra, orando,  adorando, renovamos a nossa mente, e adquirimos  toda uma  maneira nova de pensar, bem diferente da do mundo. Isto  nos transforma interiormente, e nos prepara para conhecer e vivenciar a vontade de Deus para as nossas vidas. Ver II Co 4.16; 5.17.

IV. AS FONTES DE DIREÇÃO

As fontes de direção para se conhecer a vontade de Deus  são três: (1) A Palavra de Deus; (2) O testemunho íntimo do Espírito; (3) As circunstâncias.

1. A Palavra de Deus.

Leia  Sl 119.105. Como podemos usar a Palavra de Deus como fonte de direção? Examinando nossas pretensões e planos à luz  da Palavra de Deus (Sl 1.1-3; 119. 97,98,130).

2. O testemunho íntimo do Espírito.

Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito  (Rm  8.14,16). Paulo,  Silas  e Timóteo foram dirigidos pelo  Espírito em suas viagens missionárias (At 13.2; 16.6-10).

O Espírito não nos fala necessariamente através de uma  voz audível,  ou de visões e sonhos. Deus certamente pode usar estes meios, se quiser. Contudo, nesta dispensação, Ele tem falado mais comumente  através  da  Palavra e pelo  Espírito. O testemunho íntimo do Espírito é uma voz interior, uma inclinação persistente para dizer ou fazer alguma coisa (Pv 21.1; Sl 119.35-36). A “voz” do  Espírito pode confundir-se com os nossos próprios desejos e fantasias, razão porque é da máxima importância confrontá-la com a Palavra, e submetê-la às circunstâncias.

3. As circunstâncias.

Para  o crente, correspondem  à maravilhosa providência  de Deus  (Gn 45.3-8). Não sabemos quais foram as circunstâncias que impediram o apóstolo Paulo de pregar a Palavra na Ásia ou ir para a Bitínia, mas ele as interpretou como direção do  Espírito  (At 16.6-7). As portas se fecharam para a Ásia e a Bitínia, mas se abriram para a Macedônia (At 16.9-10).

CONCLUSÃO.

Concluindo, é preciso fazer uma distinção entre vontade geral e vontade específica de Deus.
A vontade geral de Deus é o que Ele deseja para a vida de todos os indivíduos, principalmente aqueles que,  pela  fé  em Cristo, se tornaram Seus filhos. Diz respeito à religião e à conduta.

A vontade específica de Deus é que Ele deseja que Seus filhos  façam em  situações particulares:  estudo, profissão, namoro, casamento, negócios (Sl 139.16; Jr 10.23; Tg 4.13-15).

Não faz sentido buscar a vontade específica de Deus  e  não aceitar Sua vontade geral. Aquela não pode ser experimentada  à parte desta.

Uma oração para concluir: Sl 143.8,10.

Pr. Éber Lenz César
(Resumo de série de mensagens pregadas na Igreja Presbiteriana das Graças, Recife, PE – 1992)