Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
1 Jul
I. DEUS TEM UM PLANO PARA A VIDA DE CADA PESSOA
Precisamos estar convictos dessa grande verdade, ou não teremos disposição para buscar a vontade de Deus e obedecê-la. O fato que Deus tem um plano ou propósito para a vida de cada pessoa‚ perceptível na criação e revelado nas Escrituras.
1. Perceptível na criação.
O Instituto Moody de Ciências tem produzido filmes científicos-religiosos com o objetivo de provar, pelo estudo da natureza, que todas as coisas foram criadas por Deus e com um propósito específico. O mais convincente desses filmes talvez seja o “Por Acaso ou Preconcebido?” Vendo-
o, o espectador honesto tem de admitir que tudo foi “preconcebido” por um Deus sábio e poderoso. Veja Sl 19.1; J ¢ 38.4-11; Is 55.10.
Se cada coisa na natureza tem um propósito nos planos de Deus, que dizer do homem criado “à sua imagem e semelhança”? Sl 8.3-8; 139.13,16).
2. Revelado nas Escrituras.
Muitas passagens falam da vontade de Deus para as nossas vidas. Exemplos: Sl 143.10; At 21.14; Rm 12.2; Ef 5.17; Cl 4.12; Hb 10.36; I Jo 2.17.
Sim, Deus tem um plano bem definido para as nossas vidas como um todo, e uma vontade específica em cada circunstância. Deve ser nosso desejo mais ardente conhecer a Seu plano e Sua vontade, e então obedece-la. Paulo orava para que esta fosse a experiência dos cristãos colossenses. (Cl 1.9-10)
Sabendo qual é a vontade de Deus, numa determinada circunstância, sigamos em frente, seguros, sem nos desviarmos do caminho traçado por Ele. Havendo dúvidas, permaneçamos em oração, aguardando Sua direção.
3. Deus anela revelar-nos sua vontade.
Pensamos, muitas vezes, que Deus reluta em revelar-nos sua vontade, ou que Ele somente o fará “forçado” por nossas orações, jejuns, promessas e sacrifícios. Não é assim. “Deus está mais desejoso de revelar-nos Sua vontade do que nós de conhecê-la e obedecê-la.” Lembremo-nos de que uma as funções do Espírito Santo é guiar-nos na busca da verdade ou da vontade de Deus (Jo 16.13-14).
II. SOMOS ESCRAVOS! NÃO TEMOS VONTADE PRÓPRIA!
Se desejamos mesmo conhecer a vontade de Deus e obedecê-la, precisamos, antes de qualquer outra coisa, entender que, como cristãos, somos escravos de Cristo, e, como tais, não podemos ter vontade própria.
Paulo considerava-se um “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1; Fp 1.1; Tt 1.1). Assim também os demais apóstolos (Tg 1.1; II Pe 1.1; Jd 1.1). A palavra grega usada nestas passagens “doulos”, que quer dizer “escravo”. Escravo mesmo, não empregado. Há duas coisas que caracterizam um escravo:
1. O escravo é cimprado por preço.
Não pertence a si mesmo, mas ao seu senhor. Esta é exatamente a relação do cristão com Cristo, seu Senhor. ( I Co 6.19-20; 7.22-23; I Pe 1.18-19; Ap 5.9). Parece-nos muito radical? Então vejamos Rm 14.7-9 e II Co 5.15.
2. O escravo não tem vontade própria.
Não é livre para fazer suas próprias escolhas, dirigir sua vida. Assim também o cristão: Ele é “escravo de Cristo”, não decide sua vida. Cristo o faz, pois é seu Senhor!
A primeira coisa que Paulo disse quando se converteu a Cristo foi: “Que farei, Senhor?” (At 22.10). Todo verdadeiro cristão passa a vida fazendo esta pergunta a Cristo, seu Senhor.
3. É mais seguro ser escravo… de Cristo!
Não temamos, porém. A vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Deus não é um e estraga-prazeres (Sl 37.4; I Tm 6.17b). “Deus é amor” (I Jo 4.8). Jesus antes prefere chamar-nos “amigos” do que “escravos” (Jo 15.14-15). Ele disse: “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.30).
Todos somos escravos, de qualquer modo: de Cristo ou de Satanás, da vontade de Deus e de Cristo ou da vontade da “carne pecaminosa” (Jo 8.34; Rm 6.16-18). A questão é: De quem queremos ser escravos? Sob o domínio de que senhor nos sentiremos mais seguros e seremos mais felizes?
III. AS CONDIIÇÕES NECESSÁRIAS
Em Rm 12.1-2, Paulo fala das condições necessárias para experimentarmos a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
1. Entrega pessoal.
“Rogo-vos, pelas misericórdias de Deus…” (v.1a). As misericórdias de Deus foram referidas em Rm 1-11: justificação, santificação, glorificação. Por causa destas, os cristão devem “apresentar seus corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus…” (v.1b). Equivale a uma entrega pessoal, a consagração.
No Velho Testamento, os judeus matavam animais e os ofereciam em sacrifícios expiatórios. Os cristãos não precisam fazer isto (Hb 7.26-27). Deus quer que expressem sua gratidão oferecendo-se a si mesmos. Ver II Co 8.5; 5.15.
Este é um requisito indispensável para que possamos experimentar a vontade de Deus. “Começaremos a conhecer a vontade de Deus tão logo escolhamos Sua vontade para a nossa vida…”
2. Separação do mundo.
“Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos…” (v.2a). As palavras em negrito são compostas e dizem respeito forma.
“Conformar” traduz a palavra grega “susquematizestai”, na qual se nota a raiz “squema”, que quer dizer esquema, forma exterior. Essa forma muda constantemente, como a moda do mundo. Paulo está dizendo: “Não acompanheis a moda do mundo; não sejais como o camaleão, que toma a cor do ambiente…” Esta é uma advertência séria contra o “mundanismo”. Ver Jo 15.19; 17.15-17; Gl 1.3-4; Tg 4.4-5; I Jo 2.15-17.
“Transformar” traduz a palava grega “metamorfoustai”. O grifo ressalta a raiz “morfê”, que também significa forma, mas a forma interior. Essa forma não muda constantemente; mas caracteriza coisas e pessoas. Paulo está dizendo que, se quisermos experimentar a vontade de Deus, precisamos transformar-nos interiormente,desenvolver princípios e padrões de caráter que se imponham sobre os modismos pecaminosos do mundo, e sejam permanentes. Veja o mesmo princípio em I Pe 3.3-4.
3. Renovação da mente.
Paulo acrescenta que a transformação referida se dá por meio da renovação da mente: “… transformai-vos pela renovação da vossa mente…” (v.2b). Ouvindo sermões, estudando a Palavra, orando, adorando, renovamos a nossa mente, e adquirimos toda uma maneira nova de pensar, bem diferente da do mundo. Isto nos transforma interiormente, e nos prepara para conhecer e vivenciar a vontade de Deus para as nossas vidas. Ver II Co 4.16; 5.17.
IV. AS FONTES DE DIREÇÃO
As fontes de direção para se conhecer a vontade de Deus são três: (1) A Palavra de Deus; (2) O testemunho íntimo do Espírito; (3) As circunstâncias.
1. A Palavra de Deus.
Leia Sl 119.105. Como podemos usar a Palavra de Deus como fonte de direção? Examinando nossas pretensões e planos à luz da Palavra de Deus (Sl 1.1-3; 119. 97,98,130).
2. O testemunho íntimo do Espírito.
Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito (Rm 8.14,16). Paulo, Silas e Timóteo foram dirigidos pelo Espírito em suas viagens missionárias (At 13.2; 16.6-10).
O Espírito não nos fala necessariamente através de uma voz audível, ou de visões e sonhos. Deus certamente pode usar estes meios, se quiser. Contudo, nesta dispensação, Ele tem falado mais comumente através da Palavra e pelo Espírito. O testemunho íntimo do Espírito é uma voz interior, uma inclinação persistente para dizer ou fazer alguma coisa (Pv 21.1; Sl 119.35-36). A “voz” do Espírito pode confundir-se com os nossos próprios desejos e fantasias, razão porque é da máxima importância confrontá-la com a Palavra, e submetê-la às circunstâncias.
3. As circunstâncias.
Para o crente, correspondem à maravilhosa providência de Deus (Gn 45.3-8). Não sabemos quais foram as circunstâncias que impediram o apóstolo Paulo de pregar a Palavra na Ásia ou ir para a Bitínia, mas ele as interpretou como direção do Espírito (At 16.6-7). As portas se fecharam para a Ásia e a Bitínia, mas se abriram para a Macedônia (At 16.9-10).
CONCLUSÃO.
Concluindo, é preciso fazer uma distinção entre vontade geral e vontade específica de Deus.
A vontade geral de Deus é o que Ele deseja para a vida de todos os indivíduos, principalmente aqueles que, pela fé em Cristo, se tornaram Seus filhos. Diz respeito à religião e à conduta.
A vontade específica de Deus é que Ele deseja que Seus filhos façam em situações particulares: estudo, profissão, namoro, casamento, negócios (Sl 139.16; Jr 10.23; Tg 4.13-15).
Não faz sentido buscar a vontade específica de Deus e não aceitar Sua vontade geral. Aquela não pode ser experimentada à parte desta.
Uma oração para concluir: Sl 143.8,10.
Pr. Éber Lenz César
(Resumo de série de mensagens pregadas na Igreja Presbiteriana das Graças, Recife, PE – 1992)
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