Nas guerras antigas, os exércitos inimigos procuravam conquistar e manter uma certa posição estratégica, decisiva para a vitória final. Na famosa batalha de Waterloo (1815), quando o exercito francês, comandado por Napoleão, lutou contra os exércitos aliados inglês, holandês e belga, comandados pelo Duque de Wellington, o ponto estratégico foi uma fazenda chamada La Haye Saint. Não sem muita luta, Wellington conseguiu mantê-la em seu poder. E venceu a batalha contra o poderoso Napoleão!

O mesmo acontece nas batalhas do Espírito contra a carne (Gl 5.17), da luz contra as trevas (Jo 1.5), da igreja contra seus inimigos humanos e demoníacos (Mt 16.18). O ponto estratégico que garante a vitória é aquele onde nos ajoelhamos, o lugar de oração (At 16.13).

Satanás usa todo tipo de artimanha para tomar dos crentes e da igreja este ponto. Introduz em nossa mente e coração inúmeras distrações, devaneios e dúvidas; usa o cansaço, o sono, o estresse; o telefone, as pessoas. Somem-se a isto, nossas próprias fraquezas e pecados… Mas, se realmente queremos orar, lutamos contra estas dificuldades e defendemos com firmeza o nosso lugar de oração. Ver Dn 6.10; Rm 8.26.

Em “Avivamentos que avivam”, Harold Fischer escreveu: “Não importa quão admirável seja o sermão, quão bela seja a música, quão atraente seja o culto, quão verdadeiro seja o evangelho e quão sincero o trabalhador, tudo isso conseguirá pouco se a oração for negligenciada. Quando a igreja ora e os soldados do Senhor, de joelhos, recebem poder do alto, os poderes das trevas são abalados e muitos são libertados”.

Quanto mais fortemente o inimigo atacou Jesus, no Getsêmane, mais intensamente ele orou; e não cessou enquanto não obteve a vitória (Mt 26). O apóstolo Paulo descreveu as peças da armadura do cristão e, então, recomendou que fossem usadas “‘com toda oração e súplica” (Ef 6.18). Sem oração, o “capacete da salvação”, o “escudo da fé”’ e a “espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” não terão poder. Tudo depende da oração!

Por que orar, se Deus sabe tudo?

Esta é uma pergunta freqüente. Visto que Deus sabe tudo, incluindo nossas necessidades e as dos outros, por que temos que orar? Não oramos para informar a Deus, muito menos para mudar sua mente e seus planos. Somos nós que mudamos, quando oramos. A prática da oração faz-nos mais dependentes de Deus, mais humildes, mais submissos à sua vontade e aos seus planos; cria as condições favoráveis à ação de Deus e prepara-nos para suas bênçãos, sejam elas materiais ou espirituais, individuais ou coletivas. Deus mesmo não muda, dadas as mudanças ocorridas em nós, resultantes da oração, Deus, soberana e graciosamente muda pessoas e circunstâncias e faz as coisas acontecerem. Vale lembrar estas palavras do apóstolo Tiago: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode haver variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17).

Oração segundo a vontade de Deus.

É evidente que a oração precisa ser de acordo com a vontade de Deus. “Esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (I Jo 1.15). Podemos conhecer a vontade de Deus lendo e estudando a Bíblia e observando as circunstâncias, as portas que se abrem e as portas que se fecham. Além disso, o Espírito Santo nos ilumina tanto para entendermos as Escrituras como para discernirmos corretamente as circunstâncias diretivas de Deus (Jo 14.26; At 16.7).

As muitas promessas de Deus na Bíblia são, certamente, uma orientação segura para as nossas orações. Todavia, é preciso cuidado. Muitos afirmam que Deus promete, por exemplo, saúde e prosperidade a todos os que crêem em Jesus e… dão o dízimo. Com base nisto, reivindicam, determinam, declaram estas bênçãos. Não é bem assim. De qualquer modo, o uso destes termos, em nome da fé, soa mais como presunção. Confiar numa promessa graciosa não é reivindicar um direito. E será que o milagre vai acontecer por força de nossa determinação ou declaração? (Veja Mt 26.39; I Co 4.19; Tg 4.13-16).

Oração e avivamento.

Mais um trecho do citado livro de H. Fischer, resumido e adaptado: “A oração é um elo essencial na cadeia de causas que conduzem a um avivamento… Alguns se mostram muito zelosos no uso dos meios: falam, convidam, espalham literatura e fazem anúncios, mas com pouco sucesso. Falta oração. Outros apenas oram… Não trabalham, não testemunham, não pregam. Temos que orar, temos que ser santos, temos que trabalhar, temos que evangelizar. O Espírito nos ilumina e nos dirige na evangelização e aplica a Palavra pregada ao coração do ouvinte. Deus usa homens para salvar homens”.

Fischer observa também que nossas orações geralmente são muito egoístas. Estamos sempre pedindo para nós mesmos ou para nossos parentes e amigos. Pouco oramos por essa multidão de sofredores anônimos e pecadores necessitados de Deus, de Cristo, de esperança, de salvação. Ver Sl 119.136.

Oração constante e confiante é evidência de vida e vigor espirituais; é o meio pelo qual as bênçãos dos céus descem sobre a igreja e beneficiam uma sociedade. É semente de avivamento. Nunca houve um grande avivamento sem muita oração.

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Pr Éber César no Boletim da Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, em 22/06/2008.