Estamos todos muito alegres e gratos pelo que Deus está fazendo em nossa igreja. Muitos estão despertando e cooperando, movidos pelo amor a Cristo e à sua Igreja. Estamos mais conscientes da necessidade e possibilidade de um avivamento bíblico, o que inclui, como temos visto, santidade de vida, adoração, amor fraternal, unidade, cooperação, serviço, evangelismo constante… Nossos adolescentes e jovens estão mais presentes, participando da Escola Dominical, dos cultos, das reuniões de oração, do PG, e estão lendo e estudando a Bíblia. Mas, creiam, isto é só o começo! Nesta mensagem, vamos refletir um pouco sobre cooperação.

Cada um na sua função.

Estando Israel no deserto, a caminho de Canaã, a Terra Prometida, os Amalequitas, que viviam ao sul de Canaã, vieram e os atacaram. Moisés ordenou que Josué formasse um pequeno exército e lutasse contra Amaleque. Moisés, como líder e pastor de Israel, entendeu que seria da máxima importância orar por seu povo naquela hora crítica. Assim pensando, chamou seus auxiliares Arão e Hur e, com eles, foi para o alto de uma colina próxima, de onde poderiam avistar o acampamento de Israel e o campo de batalha. Aconteceu que, “quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, abaixava a mão, prevalecia Amaleque” (Êx 17.11). Ele abaixava a mão quando cansava. Arão e Hur não o criticaram, não o condenaram. Estavam ali para cooperar, para ajudar. Eles disseram a Moisés para se assentar numa pedra e ficaram, os dois, um de cada lado, sustentando as mãos de Moisés até o final do dia. Foi assim que Josué e seus inexperientes soldados venceram os Amalequitas.

E é assim que uma igre-ja pode vencer suas batalhas, sobrepor-se às cir-cunstâncias ou indivíduos que se interpõem no caminho da “Terra Prometida” da bênção, do avivamento, do crescimento qualitativo e quantitativo.

Note que, na batalha contra Amaleque, Moisés, Arão e Hur (um colegiado de pastores) esteve na colina, travando a verdadeira batalha, que era espiritual; Josué e seus homens (a congregação) fizeram o “corpo a corpo”. Imagine Moisés sozinho, sem Arão e Hur ao seu lado! Ou sem Josué e seus homens lá em baixo, no campo de batalha! Imagine também Josué e seus homens enfrentando Amaleque sem a cobertura da oração!

Na igreja, as pessoas têm talentos, dons e ministérios diferentes (I Co 12), mas cooperam, isto é, trabalham juntas por uma mesma causa.

Crentes de primeira classe?

Agora, como nas mensagens anteriores, vou resumir mais alguns trechos do livro “Avivamentos que avivam”, de Harold Fischer.

Antes do surgimento do automóvel, um homem quis embarcar numa carruagem para uma viagem numa região montanhosa. Quando lhe perguntaram que classe queria, ele pagou pela primeira. Mas notou que parecia tudo a mesma coisa. Então, quando chegaram ao pé de uma colina, escutou o condutor dizer, bem alto: “Os passageiros de primeira classe fiquem nos seus lugares; os de segunda desçam e andem; os de terceira desçam e empurrem”. O que aconteceria se todos ou a maioria dos passageiros fossem da primeira classe?

Mas é o que acontece em muitas igrejas. Como uma igreja pode subir se a postura da maioria que se assenta em seus bancos é a de “passageiros de primeira classe”? Pergunte a si mesmo: Na minha igreja, sou assíduo ou esporádico? Ajudo a empurrar ou fico assentado? Sou um cooperador ou um crítico? Apago o fogo da maledicência ou ponho mais lenha nessa fogueira? Sou um ramo frutífero ou um parasita?

A igreja que queria avivamento.

Um pastor estava trabalhando nu-ma região onde houve um avivamento. Um presbítero de uma cidade próxima foi vê-lo e convidou-o para pregar em sua igreja, posto que a mesma estava bem precisando de um reavivamento. O presbítero contou que aquela igreja tivera dois pastores excelentes. Um deles se esforçara tanto que acabou adoecendo e morrendo; o outro tentou, mas, exausto, desanimou e foi embora. A igreja permanecia fraca e pobre, e sem perspectiva de melhora, a menos que houvesse um avivamento. O presbítero estava triste. Então, o pastor que ele queria levar para sua igreja lhe perguntou:

- Por que vocês nunca tiveram um avivamento?

- Não sei. Nossos pastores trabalharam arduamente e pregaram boas mensagens, mas a igreja não despertou…

O ministro disse, com franqueza:

- Está me parecendo que a maior necessidade de vocês, no momento, não é outro pastor. De fato, eu espero que Deus não lhes mande outro pastor até que vocês despertem para o seu dever.
O presbítero, um homem bom, ficou sensibilizado e, chorando, disse que, de fato, eles precisavam mudar, atender às pregações dos seus pastores, cooperar com eles, acordar…

O ministro acrescentou:

- Então, irmão, volte à sua igreja; diga-lhes o que eu lhe disse. Se vocês acordarem para os seus deveres como membros da igreja de Cristo - cooperação, santidade de vida, testemunho, evangelismo - o Senhor lhes dará um pastor… Eu garanto!

E foi o que aconteceu. O novo pastor encontrou uma igreja renovada, responsiva, entusiasta, disposta a cooperar. Os cultos tornaram-se mais alegres e edificantes. Mais pessoas começaram a vir, cada domingo. O avivamento desejado não demorou.

Avivamento é obra de Deus, mas “de Deus somos cooperadores” (I Co 3.9. Ver II Co 6.1; Fm 1.24).

Pr. Éber Lenz César. Boletim da Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, 15/06/2008