Antes de tudo, lembremo-nos desta definição de avivamento: “É um sopro ou ação do Espírito Santo na vida das pessoas, na igreja, numa comunidade ou num país despertando-os para as coisas de Deus…” Nossos relacionados, sejam eles parentes, amigos, vizinhos ou mesmo os estranhos que conhecemos hoje podem ser despertados ou avivados. Deus quer usar-nos para isto!

Quem é o meu próximo?

Num contexto em que se falava dos dois maiores mandamentos, amar a Deus e amar ao próximo, um líder religioso, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “Quem é o meu próximo?” Jesus respondeu com a famosa parábola do Bom Samaritano (Lc 10.30-37). O samaritano teve compaixão do próximo, um estranho que encontrou no caminho, assaltado, ferido e abandonado. Arriscou-se, tomou tempo, teve trabalho e gastou dinheiro para ajudar e salvar aquele necessitado.

O próximo está próximo.

Óbvio. Mas, às vezes, agimos como se estivesse longe ou mesmo inacessível. Você já ouviu a história de Sophie Brugman? Por muito tempo ela orou pedindo a Deus que lhe abrisse as portas e lhe desse recursos para ser missionária numa terra distante. Um dia ela se tocou. Estas perguntas lhe vieram à mente: “Sophie, onde você nasceu?” “Na Alemanha”. “Onde você mora?” “Nos Estados Unidos”. “Bem, então você já está num país distante. Quem mora no apartamento vizinho ao seu?” “Uma família de suecos”. “E no andar de cima: “Uma família de suíços”. “E no andar de baixo?” “Uma família de italianos”. “E a dois quarteirões?” “Chineses”. “E eu nunca disse uma palavra sequer sobre o evangelho a estas pessoas. Entendo agora que, provavelmente, eu nunca serei enviada como missionária para evangelizar estrangeiros distantes, se eu não estou fazendo nada pelos que estão aqui tão próximos…”

Temos uma dívida…

Como cristãos, precisamos estar mais conscientes de nossa missão no mundo, que é viver e pregar o evangelho ao maior número possível de pessoas (Mc 16.15), dizer às pessoas que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Temos que dizer-lhes que elas podem ser perdoadas e salvas mediante arrependimento sincero e fé no Senhor Jesus (Mr.1.15).

De fato, devemos isto ao próximo, aos parentes, amigos, vizinhos e colegas que não conhecem o evangelho. Alguém ilustrou a gravidade da nossa omissão com essa história verdadeira. Um dos melhores governantes da Ilha de Man (Mar da Irlanda) foi condenado à morte por traição, nas Guerras Civis. O rei concedeu-lhe perdão, mas essa ordem caiu nas mãos de um inimigo do governador, que a reteve. Conseqüentemente, o governador foi executado… Cruel? Terrível? É o que fazemos quando não passamos aos pecadores condenados a mensagem do perdão de Deus!

Como o fogo se alastra?

João, o Batista, falou acerca de Jesus. Dois dos seus ouvintes viram Jesus passar e o seguiram. André, um deles, foi logo dizer ao seu irmão, Simão Pedro: “Achamos o Messias (que quer dizer Cristo), e o levou a Jesus” (Jo 1.40-42). Essa é uma das poucas coisas que a Bíblia nos diz sobre André. Mas sobre Pedro… Se tivéssemos mais Andrés, teríamos mais Pedros! É assim que o fogo do avivamento se alastra…

Por falar nisso, é bom lembrar que não basta dizer “Aceite Jesus!” (Em nosso contexto, muitos não entendem a expressão ou acham que já têm Jesus). E um convite frio do tipo: “Apareça lá…” não convence ninguém. Além do testemunho de vida, precisamos estar convictos e empolgados; ter brilho nos olhos quando falamos do amor de Deus, de Jesus, do evangelho, da salvação eterna, da igreja.

Remédio para o desânimo.

Esta preocupação constante com o estado espiritual dos nossos parentes, amigos, vizinhos e colegas e a disposição para ajudá-los não somente pode salvá-los para toda a eternidade e glorificar a Deus, mas, além disso, é um santo remédio para nós próprios quando, por alguma razão, ficamos desanimados e tristes. Nesse estado, a melhor coisa que podemos fazer é sair e ajudar outra pessoa. Alguém escreveu: “Quando tiro uma pessoa das suas dificuldades, transformo o buraco que ela deixa atrás de si numa sepultura onde sepulto as minhas próprias lutas”.

O cristão que se preocupa com os “outros” logo inspira estes e, então, se inspira ainda mais com a inspiração que fomentou. Uma coisa leva a outra. E o fogo se alastra!

“Aqueles que conduzem muitos à justiça serão como as estrelas” (Dn 12.3)

Pr. Éber. Resumo e adaptação livres do cap. 3 de AVIVAMENTOS QUE AVIVAM,
Harold Fischer, Enriqueça sua alma, 1961