Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
15 May
Num sentido muito real, o avivamento de uma igreja nada mais é do que a soma da consagração dos seus membros individualmente. E isto tem tudo a ver com amor e coragem.
A palavra “coragem” vem da palavra latina “cor”, que significa “coração”. A coragem resulta de um coração cheio de amor. Haja vista o que as mães são capazes de fazer por seus filhos, quando estes estão em perigo. De igual modo, cônjuges que se amam, fazem coisas corajosas um pelo outro. Amigos também.
Amamos a Deus? Amamos a Jesus? Amamos a igreja? Amamos nossos irmãos? Amamos o próximo, os que, por ignorarem o evangelho, ainda estão perdidos? É mais fácil dizer “sim” do que prová-lo com atitudes, decisões e serviço corajoso e dedicado…
Deus quer homens e mulheres, adolescentes, jovens e adultos que tenham o coração cheio de amor e, conseqüentemente, muita coragem para cumprir sua missão neste mundo.
Luz difundida.
Uma pobre mulher, semi-analfabeta, da raça Bantu, na África, ouviu falar de Jesus e alegremente recebeu-o como seu Salvador e Senhor. Logo que o Espírito Santo passou a habitar no seu coração, ela sentiu um forte desejo de evangelizar o seu povo, animista e supersticioso. Essa mulher não tinha formação intelectual, não tinha dinheiro nem transporte. Mas ela pegou a porção impressa da Bíblia que o missionário lhe dera e saiu a pé, de aldeia em aldeia, espalhando a luz do Evangelho. Em cada aldeia, procurava primeiramente o chefe e, sem dizer palavra, entregava-lhe o livreto. O chefe lia e, depois, até pela ação de Deus, pedia-lhe que lhe falasse mais a respeito de Jesus. A mulher, então, na sua simplicidade, lhe contava o que Jesus fizera por ela e no seu próprio coração. Outros se reuniam para ouvir e ler o livreto. Mais perguntas, mais testemunho. Muitas conversões. Aquela mulher simples, mas cheia de amor e coragem, confiava em Deus e no poder do Evangelho.
Luz escondida.
Numa bela manhã de domingo, um jovem inteligente, bom estudante, ouviu um pregador e, tocado pelo Espírito, converteu-se a Cristo. Posteriormente, em casa, achou que devia compartilhar sua experiência com seus colegas e amigos. Ele era um jovem talentoso, conhecido na cidade, popular na escola. Mas ocorreu-lhe um pensamento: “Como as pessoas reagirão? O que pensarão de mim?” Essa preocupação agigantou-se diante dele como um tremendo obstáculo. Então, outros pensamentos vieram em sucessão: “Eles têm Bíblia; têm as mesmas oportunidades que eu tenho… Eles têm é que aproveitar essas oportunidades… As igrejas estão aí…” Pensando deste modo, o jovem recém-convertido e capaz pôs a sua luz debaixo do alqueire (Mt.5.14-16) e foi sentar-se com a maioria dos cristãos professos de hoje… Enquanto isso, seus colegas e amigos continuaram a viver nas trevas espirituais, sem Cristo. Pior, sem se aperceberem da própria condenação! (Jo 3.16-18).
Vivendo para Cristo.
Alguém poderá pensar: “Tenho apenas um talento; que posso fazer?” Mas você é alguém, alguém que Deus ama e a quem ele confiou um talento (possivelmente mais…) e a quem ele quer usar. Ele usa pessoas para ganhar pessoas, “ovelhas” para gerar “ovelhas”, sendo Cristo o “Bom Pastor” deste grande e abençoado rebanho, que é a igreja. Falta amor? Daí a falta de coragem, também!
Falando francamente: Você, jovem, tem permitido que as diversões (nem sempre apropriadas), o namorado ou a namorada, ou os estudos ocupem o centro do seu coração, sejam o amor de sua vida, o seu interesse maior? E você, adulto, tem permitido que o trabalho e o aperfeiçoamento profissional tomem o lugar de Cristo em seu coração? Tem tido coragem para enfrentar os grandes desafios intelectuais e profissionais, mas não os desafios da nossa verdadeira missão neste mundo?
Uma coisa é certa, se o nosso coração estiver mesmo em Cristo, se ele e sua igreja forem nosso amor maior, teremos motivação e coragem para cumprir nossa missão no mundo. E, como Paulo, diremos: “Para mim o viver é Cristo” e “Ai de mim se não pregar o evangelho” (Fp 1.21; I Co 9.16). Isto é avivamento pessoal! Eu, você e os outros… A soma disto será avivamento da igreja.
Dwight Moody foi um grande evangelista no século XIX. Um dos segredos do seu sucesso fenomenal foi que ele cria absoluta e implicitamente na mensagem que pregava. A sua fé era simples como a de uma criança. Ele nunca se sentou, cruzou os braços e ficou esperando que Deus realizasse a obra sozinho. Não cria num cristianismo passivo. Dizia sempre: “Eu odeio a expressão: ‘Não posso’. Quando alguém me diz: ‘O senhor não pode’, isso me leva a querer provar-lhe que posso”.
Pr. Éber lENZ cÉSAR. Resumo e adaptação livres do cap. 2 de AVIVAMENTOS QUE AVIVAM,
Harold Fischer, Enriqueça a sua alma, Rio de Janeiro, 1961
One Response for "Avivamento pessoal"
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