Como em todas as igrejas, umas mais, outras menos, temos enfrentado dificuldades, sim, mas, também, com a ajuda de Deus, já alcançamos grandes vitórias. São estas que nos encorajam, nos enchem de esperança.

Nossa esperança maior, o que mais pedimos a Deus em oração, é um avivamento bíblico e duradouro. Nestes últimos domingos, pregando mensagens baseadas em Atos dos Apóstolos, temos falado do poder transformador e capacitador do Espírito Santo e do fervor espiritual e evangelístico dos primeiros cristãos. Precisamos mais disto!

Por isso, terminamos a mensagem de domingo passado citando a oração de Habacuque: “Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor…” (Hc 3.2). Nesta mensagem, e na próxima, vamos refletir sobre isto.

O povo de Deus no Velho Testamento passava por um período de fraqueza espiritual, de abandono da fé, de distanciamento de Deus. O fogo da devoção queimava baixo, quase se apagando. Não havia alegria. Então, o salmista orou: “Porventura não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo?” (Sl 85.6). O que ele quis dizer com isto? Que é vivificação ou avivamento?

O Velho Testamento descreve esta ação divina com uma palavra hebraica que significa assoprar, dar alento, fazer viver. No Novo Testamento, a palavra grega correspondente significa reviver (Lc.15.32), reavivar (II Tm 1.6), renovar (Ef 4.10), reacender o fogo que está se apagando.

Curiosamente, esses termos hebraico e grego são usados, na Bíblia, para referir o Espírito de Deus (Gn 2.7-13; Ez 37.9, Jo 3.6). Daí o trocadilho que Jesus fez em sua conversa com Nicodemos, comparando a ação do vento com a do Espírito (Jo 3.6-8).

Portanto, no próprio sentido dos termos hebraico e grego, aprendemos que é o “sopro de Deus” pelo Espírito, que aviva o povo de Deus ou a igreja.

Assim sendo, podemos definir vivificação, avivamento ou reavivamento como segue: “É um sopro ou ação do Espírito Santo na vida das pessoas, na igreja, numa comunidade ou ainda num país despertando-os para as coisas de Deus; é aquela mudança de mente e de coração que fez o filho pródigo arrepender-se, levantar-se e voltar para o pai; é o despertamento da fé, do amor e do serviço a Cristo; é o reflorescimento da planta da nossa vida e da nossa igreja, quando sobre estas caem as chuvas de bênçãos de Deus”.

Vale de ossos secos.

Deus, numa visão, mostrou um vale cheio de ossos secos ao profeta Ezequiel. O vale representava Israel. Deus disse ao profeta: “Profetiza a estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a Palavra do Senhor. Eis que farei entrar o Espírito em vós, e vivereis…”

Então começou: os ossos se ajuntaram, recompondo esqueletos humanos; em seguida, cresceram os tendões, as carnes… Ali estavam os corpos, mas ainda sem o espírito e, portanto, sem vida. O profeta tornou a profetizar: “E o Espírito entrou neles e viveram e se puseram de pé…” Note como tudo começou: “Ouvi a Palavra do Senhor…” (Ez 37.1-14).

Reflorescimento da planta.

Na profecia de Oséias, a figura é a do reflorescimento de uma planta. Por boca desse profeta, Deus disse a Israel: “Volta, Israel, para o Senhor teu Deus… Tende convosco palavras de arrependimento, e convertei-vos ao Senhor…”

Primeiro um convite para voltar, com arrependimento e mudanças. Depois, a promessa da bênção: “Curarei a sua infidelidade… os amarei… Serei para Israel como orvalho, ele florescerá como o lírio, e lançará as suas raízes como o cedro do Líbano. Estender-se-ão os seus ramos… Os que se assentam à sua sombra… serão vivificados… e florescerão como a vide…” (Os 14.1-7). O reflorescimento e fortalecimento de Israel abençoaria ou vivificaria quantos dele se aproximassem. É o que acontece nas igrejas avivadas.

Além de nós próprios e de nossa amada igreja, quantas outras vidas poderão ser vivificadas, transformadas, abençoadas por nosso intermédio?

Faça a oração de Habacuque: “Aviva a tua obra, ó Senhor…” (Hc 3.2).

(Continua com As condições de que Deus impõe.

Pr. Éber