O FRUTO DO ESPÍRITO: VIII. FIDELIDADE

A fidelidade referida em Gl 5.22-23 como uma faceta do “fruto do Espírito” distingue-se da fé a respeito da qual o apóstolo escreveu nos capítulos anteriores desta mesma epístola. A fé faz-nos confiar em outrem; a fidelidade torna-nos dignos da confiança de outrem. A base da fé é o que sabemos sobre o caráter daquele em quem confiamos. A fidelidade é uma qualidade de caráter, um modo de ser e de agir que inspira confiança.

1. A FIDELIDADE DE DEUS.

Por que confiamos em Deus? Por que O conhecemos e sabemos que Ele é fiel. “Deus é fidelidade…” (Dt 32.4). “A palavra do Senhor é reta e todo o Seu proceder é fiel” (Sl 33.4). “Fiel é Deus…” (I Co 1.9). A fidelidade de Deus se expressa de três maneiras:

  • Ele é fiel para consigo mesmo. “Se somos infiéis, Ele permanece fiel…” (II Tm 2.13).
  • Ele é fiel à Sua Palavra. “Nenhuma palavra falhou de todas as boas palavras que o Senhor falara… tudo se cumpriu” (Js 21.45). ” Quantas são as promessas de Deus tantas têm nEle o sim” (II Co 2.20).
  • Ele é fiel ao Seu povo. O Sl 21 tem por título “Deus, o fiel guarda dos homens”, e diz: “Ele n_o permitirá que os teus pés vacilem, não dormitará aquele que te guarda… O Senhor te guardará de todo mal…”

“Abraão, esperando contra a esperança, creu… Não duvidou da promessa de Deus… estando plenamente convicto de que Ele era poderoso para cumprir o que prometera…” (Rm 4.18-24). Abraão conhecia a Deus, sabia que Ele é fiel, e confiou nEle.

2. SERVOS FIÉIS.

Nós também podemos e devemos confiar em Deus, e, pelo poder do Espírito Santo, podemos e devemos ser fiéis, confiáveis. O Novo Testamento constantemente fala dessa virtude como sendo indispensável à vida cristã, e recomenda: “Quanto aos servos, que dêem prova de toda a fidelidade, a fim de ornarem a doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2.9-10). O contexto refere-se àqueles que trabalham para outrem, mas aplica-se aos “servos de Deus” e de Cristo (Tt 1.1).

Em I Co 4.2 vemos que “o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel”. Não se requer talento e capacidade intelectual (embora estes também sejam dados e usados por Deus), mas fidelidade. Na parábola dos talentos (Mt 25), os servos que fielmente trabalharam os talentos recebidos foram elogiados: “Muito bem, servo bom e fiel…” e recompensados: “… foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei…” (vs.21,23). Porém, o servo que enterrou o talento foi tido como “servo mau e negligente” (v.26). Meditemos nisso.

O evangelista Billy Grahan, comentando o fruto do Espírito, escreveu o seguinte sobre esta fidelidade “no pouco”: “Moralidade não é tanto questão de grandeza, mas de qualidade. Certo é certo, errado é errado, tanto nas coisas pequenas como nas grandes… Falta de fidelidade é sinal de imaturidade espiritual… O teste maior a nossa fidelidade pode ser quanto ao tempo que nós dedicamos à leitura da Bíblia, à oração, vivendo de acordo com os princípios de justiça quando abençoados com prosperidade… As preocupações deste mundo muitas vezes interferem na nossa vida fiel na presença de Deus.” Fidelidade nos deveres para com Deus, no cultivo da piedade, no serviço. De quantos de nós se poderia dizer: “Você pode contar com ele, pode confiar nele? Ele é fiel?”

Os cristãos, através dos séculos, têm sido significativamente chamados de “fiéis”. Somos? Paulo recomendou a Timóteo: “Torna-te padrão dos fiéis…” (I Tm 4.12). A recompensa final para os fiéis é referida em Ap 2.10: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”

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Éber M. Lenz César. Igreja Presbiteriana das Graças, Recife, 27/06/93