O FRUTO DO ESPÍRITO: VI. BEBIGNIDADE

1. QUE É BENIGNIDADE?

A benignidade é uma faceta do amor. “O amor é… benigno”, escreveu o apóstolo Paulo (I Co 13.4). Outras passagens associam a benignidade à misericórdia. Ser benigno é ser amoroso, misericordioso e compassivo, até mesmo com quem não merece.
Jesus, no Sermão do Monte, ensinou a benignidade em seu sentido mais profundo. Ele disse: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lc 6.35).
A versão de Mateus dessa parte do Sermão do Monte diz: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos…” (Mt 5.44-48).

2. A BENIGNIDADE DE DEUS.

Na mensagem anterior, sobre longanimidade, vimos que Deus não destrói de vez os pecadores porque ele é “misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno” (Sl 103.8). Agora, aprendemos que o Senhor, longe de destruir o pecador, o trata com benignidade. “Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos”.

Paulo também disse aos pagãos idólatras de Listra: “… vos anunciamos o evangelho para que destas cousas vos convertais ao Deus vivo… o qual não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo os vossos corações de fartura e de alegria” (At 14.15-17). Quão freqüentemente as pessoas se esquecem de que todas estas coisas lhes são dadas por Deus benignamente! “Não o glorificam como Deus nem lhe dão graças” (Rm 1.21).

Se assim é com respeito às coisas materiais, que dizer das espirituais? Veja isto que o apóstolo Paulo escreveu a Tito: “Nós também éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo Sua misericórdia, Ele nos salvou…” (Tt 3.3-7).

3. A BENIGNIDADE É CONCILIATÓRIA.

A benignidade de Deus pode ser vista ainda na maneira como Ele procura conciliar os pecadores. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões…” (II Co 5.19).

Esta atitude benigna e conciliatória de Deus está ilustrada na parábola do Filho Pródigo. Quando o pai deu um banquete porque o filho mais moço, pródigo, voltou para casa, o mais velho “se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai procurava conciliá-lo” (Lc 15.28). Num tempo em que os pais eram chefes absolutos de suas famílias, este pai poderia ter dito: “Filho, entra logo. É uma ordem!” Mas, ao invés disso, ele falou com benignidade e ternura: “Filho, rogo-te que entres, pois se não entrares, se estragará toda a festa.” E ainda explicou: “Tu sempre estás comigo e tudo o que é meu é teu…” É assim que Deus lida conosco: benignamente, com amor, e ternura.

4. FILHOS BENIGNOS COMO O PAI.

Nos textos do Sermão do Monte, citados na primeira parte desta mensagem, vimos que se formos benignos “até para com os ingratos e maus… sem esperar nenhuma paga”, nos tornaremos “filhos do Altíssimo”. É verdade que nós nos tornamos filhos de Deus recebendo Jesus, Seu Filho, como nosso Salvador e Senhor (Jo 1.12); contudo, somente somos reconhecidos como filhos de Deus quando mostramos benignidade, longanimidade, amor e todas as outras virtudes comunicáveis de Deus e de Cristo. Vale lembrar que estas virtudes são “fruto do Espírito”, resultado da atuação sobrenatural do Espírito de Deus e de Cristo em nossas vidas. Nossa parte é cooperar com o Espírito, lendo a bíblia, orando, adorando, e obedecendo.

Próxima: VII. Bondade

Éber M.Lenz César, Igreja Presbiteriana das Graças, Recife, 13/06/93; IPLM, Rio de Janeiro, 03/10/95