Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
12 Apr
FRUTO DO ESPÍRITO: V. LONGANIMIDADE
1. O QUE É E O QUE NÃO É LONGANIMIDADE?
O Novo Testamento tem duas palavras gregas que traduzimos por longanimidade ou paciência. Uma relaciona-se com o tempo, a outra com o sofrimento. A primeira refere-se à capacidade de esperar por alguém ou alguma coisa sem murmurar; a segunda diz respeito à capacidade de suportar pessoas e situações difíceis sem perder o ânimo. As duas palavras gregas e ambos os sentidos em que usamos a palavra paciência estio em Tg 5.7-11:
(1) “Sede, pois, irmos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra… Sede vós também pacientes, e fortalecei os vossos corações, pois a vinda do Senhor está próxima.”
(2) “Irmos, não vos queixeis uns dos outros… Tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas… Eis que temos por felizes aos que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó, e vistes que fim o Senhor lhe deu…”
Philip Keller, em seu livro “Frutos do Espírito Santo”, define paciência assim: “… é a tremenda capacidade que tem o amor altruísta… de ficar firme, sem esmorecer, diante de pessoas difíceis e circunstâncias adversas… A pessoa que a possui tem um certo grau de tolerância para com coisas intoleráveis… É uma disposição tranqüila que, vigilante e alerta, aguarda o momento certo de dar o passo certo…”
Contudo, é preciso deixar claro que ser paciente não é ser impassível, indolente, ou indiferente. Tampouco é ter uma atitude fatalista diante da vida, sentando-se num canto para ficar de braços cruzados e dizer: “O que tem de acontecer acontecerá”. A paciência não tem nada de fraco. Ao contrário, sendo um atributo divino, e um “fruto do Espírito”, é uma virtude poderosa, que exerce uma tremenda influência.
2. A LONGANIMIDADE DE DEUS E DE CRISTO.
Depois da idolatria de Israel ante o bezerro de ouro, no Sinai, e tendo Moisés destruído as tábuas da Lei, Deus lhe ordenou que lavrasse outras duas tábuas de pedra, e lhe disse: “Eu escreverei nelas as mesmas palavras que estavam nas primeiras, que quebraste.” Moisés, então, reconheceu: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade…” (_x 34.6). Davi também disse: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno” (Sl 103.8). Deus é “tardio em irar-se” (Sl 145.8); “Suas misericórdias são a causa de não sermos consumidos” (Lm 3.22).
Quantas vezes nos perguntamos por que Cristo não volta logo para levar os salvos aos céus e julgar os ímpios. Pedro explica: “Não retarda o Senhor a Sua promessa (de voltar), como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pe 3.9).
Na paciência, como em tudo mais, Jesus foi e é como o Pai. Ele se fez “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Is 53.3). Quanta paciência Ele teve com os discípulos? E como é longânimo para conosco, hoje! Reincidimos vez após vez nos mesmos pecados, e Ele nos perdoa! Seu Espírito nos tem acompanhado pacientemente pelos caminhos tortuosos e emaranhados que nós mesmos escolhemos, e insiste em reconduzir-nos aos Seus caminhos.
3. A LONGANIMIDADE EM NOSSA VIDA DIÁRIA.
a) Precisamos ser pacientes conosco mesmos. Nosso desenvolvimento físico, mental e espiritual envolve sacrifício e toma tempo. Até Jesus teve de crescer em estatura, sabedoria e graça (Lc 2.52). Pedro recomendou: “Crescei na graça e no conhecimento do Senhor Jesus” (II Pe 3.18). _s vezes, queremos chegar ao fim quase antes mesmo de havermos começado, e ficamos impacientes e desanimados se não o alcançamos prontamente.
b) Precisamos ser pacientes com os outros. Paulo uma vez externou a sua convicção de que “aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo” (Fl 1.6). E escreveu: “Exortamo-vos, irmos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos, e sejais longânimos para com todos” (I Ts 5.14). Os pais precisam ser pacientes com os filhos (Cl 3.21); as testemunhas e os evangelistas precisam ser pacientes com os incrédulos. Mormente leva tempo para a semente do evangelho germinar e crescer nos corações dos homens (Gl 4.19).
c) Precisamos ser pacientes com este mundo ímpio. Como vimos, “o Senhor é longânimo… não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”. O evangelho tem de ser pregado a todas as nações, antes que venha o fim (Mr 13.10).
Nós, que já estamos salvos pela fé em Cristo, corretamente anelamos por Sua volta, e oramos: “Maranata!” (”Vem, nosso Senhor!” I Co 16.22). Todavia, devemos esperar pacientemente, sem perder o ânimo, e evangelizar, para que, por todos os meios, alguns mais sejam salvos.
Próxima: Fruto do Espírito: VI. Benignidade
Éber M. Lenz César. Igreja Presbiteriana das Graças, Recife, 06/06/93
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