Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
12 Apr
O FRUTO DO ESPÍRITO : X. MANSIDÃO
Na mensagem anterior, vimos que, em diversas passagens do Novo Testamento, a mansidão está associada à humildade. Esta é, primeiramente, uma atitude de reconhecimento e dependência diante de Deus. A mansidão a acompanha, manifestando-se mais em nossos relacionamentos com os nossos semelhantes. Cristãos humildes geralmente são cristãos mansos.
1. MIDIÃ, ESCOLA DE HUMILDADE E MANSIDÃO.
Ativo e independente, Moisés agiu precipitadamente e com violência no Egito, numa fracassada tentativa de libertar os hebreus da escravidão a que estavam sujeitos naquele país. Moisés fugiu para a terra de Midiã, onde passou os próximos quarenta anos de sua vida. Deus usou esse tempo e o anonimato para torná-lo “… mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3). Então, o Senhor lhe apareceu e lhe disse: “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.” Moisés respondeu, humildemente: “Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Êx 3.10-11).
Como Moisés, muitos de nós pensamos que somos os tais, e que o Senhor não tem ninguém melhor do que nós para determinadas tarefas ou ministérios. Esta falta de humildade gera uma auto confiança exagerada, que, por sua vez, resulta num sentimento de superioridade, prepotência e falta de mansidão nas atitudes e nas palavras. Fracassamos e nos tornamos inúteis, pelo menos por algum tempo. Deus nos deixa na Midiã do anonimato e da inutilidade até que aprendamos a humildade e a mansidão.
2. MAIS DO QUE DELICADEZA E BRANDURA.
Na Bíblia, mansidão é mais do que delicadeza e brandura. Pode significar abrir mão dos direitos pessoais, ou melhor, entregá-los todos a Deus, o Senhor. Quando os samaritanos de uma certa aldeia negaram hospitalidade a Jesus e aos Seus discípulos, dois destes perguntaram ao Senhor: “Queres que peçamos fogo do céu para os consumir?”, Jesus os repreendeu e disse: “Vós não sabeis de que espírito sois… E seguiram para outra aldeia” (Lc 9.51-56). Entre os orientais havia leis que obrigavam as pessoas a acolherem e hospedarem os peregrinos. Aqueles samaritanos não as levaram em conta, e os discípulos, irados, chegaram a pensar que Jesus os acompanharia numa oração, não de intercessão, mas de vingança e castigo. Ainda não tinham aprendido a mansidão. Jesus lhes ensinou a deixarem pra lá.
O próprio Jesus, “quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente…” (I Pe 2.23). O verso 21 diz: “Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos.”
Isto é difícil de praticar. Quando injuriados e prejudicados, parece-nos mais natural lutarmos por nossos direitos, ou até mesmo orar pedindo a Deus que castigue ou “pese Sua mão” sobre aqueles que nos prejudicaram. Tudo depende do nível de humildade em nosso coração, e do grau da confiança que temos em Deus, “aquele que julga retamente”. Quantas vezes acontece que, quando deixamos de nos bater por nossos direitos, entregando-os a Deus, nós saímos ganhando. (Veja I Co 6.6-7).
3. MANSIDÃO NO MINISTÉRIO.
O apóstolo Pedro escreveu: “Santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor…” (I Pe 3.15-16). E o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: “O servo do Senhor deve ser brando para com todos… paciente; disciplinando com mansidão os que se opõem…” (II Tm 2.24-25). Devemos ser humildes, mansos e brandos quando explicamos ou defendemos a fé cristã perante aqueles que a negam ou ridiculizam, quando evangelizamos os incrédulos, ou até mesmo quando admoestamos e disciplinamos aqueles que se desviaram da sã doutrina. Humildade e mansidão não são virtudes incompatíveis com os deveres da admoestação e da disciplina.
Tenhamos em mente, sempre, estas palavras do Senhor Jesus: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt 11.29).
Éber M. Lenz César. Igreja Presbiteriana das Graças, Recife, 01/08/93