FRUTO DO ESPÍRITO: IV. PAZ

1. QUE É PAZ?

Os gregos antigos definiam paz como sendo “o estado de coisas quando não há guerra”. Na Bíblia, os termos hebraico e grego que se traduzem por paz têm um significado diferente e mais rico. O profeta Isaías disse, numa oração: “Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.” (Is 26.3). Nesta e noutras passagens, a paz é relacionada com a firme confiança em Deus. O salmista escreveu: “Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor, e se compraz nos seus mandamentos… Não se atemoriza de más notícias: o seu coração é firme, confiante no Senhor…” (Sl 112.1,7). Este homem sabe que a vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2), e, de bom grado, a aceita e obedece. Por isso, tem paz. “Grande paz têm os que amam a tua Lei; para eles não há tropeço. Espero, Senhor, na tua salvação, e cumpro os teus mandamentos” (Sl 119.165-166).

O conceito é o mesmo no Novo Testamento. Paulo recomendou aos filipenses: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições… E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus” (Fl 4.6-7). A ansiedade, que se opõe à paz, é, basicamente, falta de confiança em Deus, inaceitação dos seus desígnios, e desobediência à sua vontade. A paz de Deus protege de ansiedade, medo e angústia os que, ao contrário disto, confiam em Deus, oram a respeito de tudo, e esperam por sua ajuda e salvação.

Paz, então, no sentido bíblico do termo, não é apenas “o estado de coisas quando não há guerra”, mas, sim, e principalmente, o estado de coisas que se estabelece e aquilo que se sente quando nos submetemos a Deus, confiamos nele, aceitamos seus desígnios, e obedecemos à sua vontade.

2. O PECADO DESTRUIU A PAZ.

Pecado é rebelião contra Deus, desobediência à sua vontade. O pecado entrou no mundo quando Adão e Eva desconfiaram de Deus e lhe desobedeceram a Palavra. O resultado imediato foi vergonha e medo, e a perda da paz (Gn 3). Logo haveria ira, contenda, assassinato (Gn 4), corrupção generalizada (Gn 6), confusão (Gn 11), guerras (Gn 14). Desde então, a história da humanidade tem sido assim. O homem tem vivido em guerra consigo mesmo e com os seus semelhantes.

3. BOAS NOVAS DE PAZ E SALVAÇÃO.

Entretanto, Deus não desistiu dos Seus propósitos. Seus pensamentos têm sido sempre “pensamentos de paz, e não de mal” (Jr 29.11). E o seu apelo tem siso: “Que os homens façam paz comigo…” (Is 27.5).

Mas os homens, por si mesmos, jamais fariam paz com Deus. Seus desígnios são “continuamente maus” (Gn 6.5); seus pensamentos são “pensamentos de iniqüidade” (Is 59.7); eles “desconhecem o caminho da paz” (Is 59.8). Contudo, “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, vida em comunhão com Deus, aqui e na eternidade, vida repleta de paz.

Os anjos que anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus, disseram: “Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc 2.14). Paulo escreveu: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo…” (II Co 5.19).

4. CRISTO É A NOSSA PAZ.

Quando cremos em Cristo e o aceitamos como nosso Salvador e Senhor, somos reconciliados com Deus, e temos paz com Deus; então, na medida em que confiamos nele e lhe obedecemos a Palavra, temos a paz de Deus.

Jesus é a ilustração perfeita do princípio exposto de que a paz resulta da confiança em Deus e da obediência à sua vontade. Jesus “tornou-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl 2.8; Jo 4.34). Por isso, pôde dizer aos seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou…” (Jo 14.27). Paulo escreveu que “Ele é a nossa paz” (Ef 2.14); referiu-se a ele como o “Senhor da paz”; e acrescentou: “Ele mesmo vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias” (II Ts 3.16). Ele o faz através do Espírito, razão porque se diz que o “fruto do Espírito”, isto é, o resultado da operação do Espírito em nossas vidas “é… paz”.

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Éber M.Lenz César. Igreja Presbiteriana das Graças, Recife, 02/05/93