Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
11 Apr
I. INTRODUÇÃO: QUE É UM CRISTÃO?
“Em Antioquia foram os discípulos pela primeira vez chamados cristãos.” (At 11.26). Os que assim os chamaram certamente o fizeram porque viram naqueles homens e mulheres um modo de ser que prontamente lembrava-lhes o Cristo. Ser cristão é ser semelhan”te a Cristo.
Jesus chamava: “Segue-me!” Seus seguidores deveriam estar com Ele, ouvir Seus ensinos, observar a maneira como agia e reagia nas mais diversas circunstâncias, aprender com Ele e, deste modo, desenvolver um caráter semelhante ao Seu. Somente assim poderiam pregar Sua mensagem, ser Suas testemunhas, e fazer jus à alcunha de “cristãos” (Mr 3.14).
UMA LIÇÃO PARA OS “FILHOS DO TROVÃO”.
Uma vez, quando Jesus “manifestou no semblante a intrépida resolução de ir para Jerusalém” para ser morto, os discípulos Tiago e João foram à Sua frente para Lhe prepararem pousada numa aldeia de Samaria. Mas os samaritanos não os quiseram hospedar. Os dois discípulos tornaram a Jesus e lhe disseram, irados: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir? Jesus, porém, os repreendeu e disse: Vós não sabeis de que espírito sois… E seguiram para outra aldeia.” (Lc 9.51-56). Convivendo com o Mestre, e sendo assim repreendidos e ensinados por Ele, estes chamados “filhos do trovão” acabaram recebendo aquele outro apelido, o de “cristãos”. Aprenderam a ser “mansos e humildes de coração”, como o próprio Jesus. Posteriormente, Tiago seria degolado por sua fé, e João escreveria a epístola do amor.
O DOM DO ESPÍRITO SANTO.
Desde a ascensão de Cristo, os “cristãos” não têm podido mais caminhar com Ele, ouvir Seus ensinos, observar Suas ações e reações, aprender com Ele. Pelo menos, não como os “cristãos” que estiveram com Ele e O acompanharam durante o Seu ministério terreno. Jesus Cristo não está mais aqui, está “à direita da Majestade nas alturas” (Hb 1.3). Mas Ele não nos deixou sós, sem um guia, sem ensino, sem correção, sem consolo. Antes de partir Ele prometera: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade… Ele estará em vós… e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito… Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo… Ele vos guiará a toda a verdade… há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar…” (Jo 14.16,17,26;16.8,13,15).
Quando cremos em Cristo e O recebemos como nosso Salvador e Senhor, o Espírito Santo, também chamado Espírito de Cristo, vem habitar em nós. Este é o “dom do Espírito Santo” prometido no Velho Testamento e por Jesus (At 2).
O FRUTO DO ESPÍRITO.
O Espírito de Cristo opera em nós, de modo que “somos transformados na Sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (II Co 3.17-18; Rm 8.29). Ele faz todas aquelas coisas que Jesus prometeu que Ele faria, e mais: Produz em nós o chamado “fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22-23). Há outras listas de virtudes cristãs no Novo Testamento, mas esta é a mais conhecida e citada, e traz a essência do caráter de Cristo, que o Espírito quer formar em nós.
O fruto é “do Espírito”. É o Espírito que faz a obra, mas com o nosso assentimento e cooperação. A Bíblia nos adverte contra o perigo de “resistir ao Espírito Santo” (At 7.51), ou de “apagar o Espírito” (II Ts 5.19), ou ainda de “entristecer o Espírito” (Ef 4.30). Cooperamos com o Espírito quando ouvimos e lemos atenciosamente a Palavra de Deus, e, através da adoração, louvor e oração, cultivamos a nossa comunhão com Cristo e com o Deus Pai (Jo 15).
Nas mensagens seguintes, vamos refletir sobre cada uma destas virtudes cristãs, que, juntas, constituem o “fruto do Espírito”.
Para discussão em grupo.
1. Por que os discípulos de Jesus foram chamados “cristãos”? Somos identificados como cristãos? Pelo mesmo motivo?
2. Qual é o fruto do Espírito? Qual destas virtudes está mais desenvolvida em sua vida e qual está menos desenvolvida? De que maneiras podemos cooperar com o Espírito e cultivar este fruto em nossa vida?
Pr. Éber Lenz César
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