Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
11 Apr
O “fruto do Espírito” referido em Gl 5.22-23 é mutíssimo abrangente. não sãodescrito em Gl 5.22-23 é um exemplo. Esta lista de virtudes cristãs não A lista As nove virtudes cristãs mencionadas ali são apenas uma ilustração do caráter de Cristo que Na mensagem anterior, vimos que ser cristão é ser semelhante a Cristo, e que Deus nos “predestinou para sermos conformes à imagem do seu Filho”; e que “todos nós somos transformados na Sua própria imagem… pelo Espírito” (Rm 8.28-29; II Co 3.17-18). O Espírito transforma-nos e conforma-nos à imagem de Cristo produzindo em nós o Seu fruto, ou sejam, as virtudes de Cristo. O amor é a primeira, na lista de Gl. 5.22-23.
1. O mandamento do amor.
Jesus disse que o grande e primeiro mandamento da Lei é: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. O segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.36-39). Noutra ocasião, Ele disse aos discípulos: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros…” (Jo 13.34). Não é estranho? Um mandamento para amar! Mas este é o ponto. A maioria das pessoas pensa que o amor é um sentimento que surge naturalmente… e que muitas vezes não surge; um sentimento que hoje pode ser forte, mas amanhã pode até desaparecer; um sentimento que leva os amigos a serem bons e gentis uns com os outros, e os namorados a desejarem intensamente a companhia e o carinho um do outro.
A Bíblia não nega esse amor natural e espontâneo. O relato bíblico do casamento de Isaque com Rebeca inclui uma nota romântica: “Ele a amou!” (Gn 24.67). De igual modo, “Jacó amava a Raquel” (Gn 29.18). De maneiras diferentes, Rute amou a Noemi, sua sogra (Rt 1.16-18) e Jônatas amou a Davi (I Sm 18.1). Jesus amou a todos, mas João ficou conhecido como Seu “discípulo amado” (Jo 18.1). “Amava Jesus a Marta, e a sua irmã e a Lázaro.” Morrendo este, “Jesus chorou”, e os circunstantes comentaram: “Vede quanto o amava!” (Jo 11.5,35-36).
Contudo, a Bíblia ensina que este amor afeição, que une amigos, namorados e cônjuges, não é tudo. Os filhos de Deus precisam ter o amor decidido também. Em obediência a Deus, e seguindo o exemplo de Cristo, devemos estender a todas as pessoas o amor que, em relação a algumas, nos é natural.
2. Três aspectos de uma mandamento.
Kierkegaard, filósofo dinamarquês, escreveu sobre “Os Feitos do Amor”. Ele destacou três aspectos do mandamento do amor:
(a) “TU deves amar…” O mandamento do amor não é geral ou impessoal; é uma ordem de Deus a MIM e a VOCÊ.
(b) “Tu DEVES AMAR…” Os poetas falam do amor como emoção, afeição, paixão, e desejo. A Bíblia fala do amor como um DEVER.
(c) “Tu deves amar O TEU PRÓXIMO.” Podemos escolher nossos amigos, a namorada, o namorado, o cônjuge; não o próximo. Este, à nossa revelia, cruza o nosso caminho, senta-se ao nosso lado no ônibus, vem morar no apartamento vizinho, arranja trabalho onde nós trabalhamos, estuda onde nós estudamos, freqüenta a nossa igreja. Deus o põe ali para que o amemos.
3. O amor é gratuito e quer dar.
Há quem diga: “Amarei o próximo na medida em que ele me amar.” Mas isto é egoísmo. O verdadeiro amor é gratuito e tem prazer em dar, independentemente do comportamento da pessoa amada. Jesus disse: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem… vosso Pai celeste… faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? não fazem os publicanos também o mesmo?” (Mt 5.44-47. Ver Rm 12.20-21).
4. O verdadeiro amor expressa-se em atos.
Desde que o verdadeiro amor não é mero sentimento, mas uma determinação de obedecer a Deus e buscar o bem estar do próximo, ele se manifestará concretamente. “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho…” (Jo 3.13). “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o Seu Filho unigênito ao mundo…” (I Jo 4.9). O amor do “bom samaritano” manifestou-se através de ajuda ao homem que ele encontrou ferido na estrada (Lc 10.25-37).
5. O verdadeiro amor é uma dádiva de Deus.
Não é fácil amar o próximo como a nós mesmos, e uns aos outros, na igreja, como Cristo nos amou (Jo 13.34). De fato, só o conseguiremos quando “andarmos no Espírito” (Gl 5.16). Lembremo-nos de que este amor é “fruto do Espírito”, isto é, resultado da operação miraculosa do Espírito de Deus em nós. Paulo escreveu: “O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado” (Rm 5.5). Na medida em que lemos e estudamos a Palavra, e oramos, o Espírito nos faz mais e mais conscientes do amor que Deus e Cristo nos têm, de modo que aprendemos a amar vivenciando Seu amor. “O amor de Cristo nos constrange”, disse uma vez o apóstolo Paulo (II Co 5.14-15). E João: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (I Jo 4.19).
O irmão tem consciência do quanto Deus e Cristo o têm amado,
perdoado, protegido, ajudado e consolado? Inspire-se no Seu amor, que é perfeito, e ame. No poder do Espírito, faça por seus irmãos e pelo próximo o que Cristo faria em seu lugar: perdoe, sirva, ajude, encoraje, console, ame!
Para discussão em grupo
1. Qual é o grande e primeiro mandamento? E o segundo? (Mt.22.36s)
2. Qual é a diferença entre afeição natural e amor decidido?
3. Pense em algumas pessoas que você já amou naturalmente, mas que, por algum motivo, deixou de amar? Não será que deveria ter persistido em amá-las, a despeito das mudanças por que passaram, e isso em obediência ao mandamento do amor? (Sl 35.11-14; Mt 22.46-47; I Co 13.4-8).
4. Pense em algumas pessoas próximas de você, mas que não fazem seu tipo, pessoas que você não amaria naturalmente. Não será que deveria amá-las com amor decidido em obediência ao mandamento do amor? Que tal começar a orar por elas e a buscar oportunidades para servi-las? (Mt 22.39; I Tm 2.1,3,4; Rm 12.15,17,20). Noutra reunião, compartilhe sua experiência. Próxima: III. Alegria
Éber M. Lenz César, Igreja Presbiteriana das Graças, 1993
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