Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
17 Mar
“Graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento…”
(II Co 2.14, NVI)
O apóstolo Paulo escreveu isto e um pouco mais quando alguns crentes de Corinto acharam que ele não era, de fato, um apóstolo, nem mesmo um cristão verdadeiro. Vamos refletir sobre suas palavras.
1. Com gratidão e otimismo.
“Graças a Deus… que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo…” Esta é uma característica inconfundível do verdadeiro cristão: Ele não vive reclamando da vida, murmurando; pelo contrário, está sempre agradecendo a Deus por suas bênçãos e pelas vitórias alcançadas. Atribui estas à presença e ação de Cristo em sua vida. Acredita mesmo que “todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Tentações, provações e necessidades são o campo de batalha onde estas vitórias são alcançadas.
Os relatos sobre a vida e ministério de Paulo em Atos, assim como seus testemunhos e ensinos nas epístolas que escreveu, são exemplos disso. Ele mantinha-se otimista, esperançoso, agradecido e até mesmo alegre em circunstâncias as mais adversas (At 16.22-25; Fp 1.12-18; 4.11-13).
Numa outra passagem, o mesmo apóstolo refere tribulação, angústia, fome, nudez (pouca roupa para vestir), perigo, espada (ameaças de morte), e conclui: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.35-37).
O crente, como todos, enfrenta dificuldades e lutas. Muitas! Mas ele sabe que Deus está acima e no controle de tudo e lhe dará a vitória! Esta pode não ser o castigo imediato dos seus inimigos, a cura de uma doença, um emprego melhor, prosperidade material… Mas, sim, a fé, a paz e a alegria, apesar de tudo. Nada “… poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38-39).
2. Marcando presença.
Paulo disse mais aos coríntios: “Graças a Deus, que… por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento” (II Co 2.14).
Estas palavras poéticas são muito significativas. Imagine: Você está numa sala de espera, com outras pessoas… Então, entra uma linda mulher usando um agradável perfume. Todos notam, na hora! E, se algum dia, sentirem aquele perfume outra vez, vão se lembrar daquela mulher. Imagem e perfume ficaram associados.
Paulo está dizendo que o conhecimento que um cristão verdadeiro tem de Deus, de Cristo e de sua Palavra é perfume do céu aqui na terra. É com este perfume que marcamos presença, que somos notados. Bom, devemos ser! (Às vezes não somos!)
Paulo amplia essa idéia no verso seguinte: “… porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte; para aqueles, fragrância de vida” (II Co 2.15-16). Note:
a) Para Deus, somos o aroma de Cristo! Deus não se engana. Ele conhece bem este perfume!
b) Todos sentem a fragrância, os que estão sendo salvos ou já estão salvos, e os que não querem nem saber, e, por isso, estão perecendo espiritualmente.
c) Os que estão sendo salvos, ou seja, têm ouvido com interesse a mensagem do evangelho, gostam muito deste perfume; para eles é “cheiro de vida”, vida eterna. Os que estão perecendo, seja por causa da indiferença, do preconceito ou de pecado, não gostam nem um pouco desse perfume. “De crente, nem o cheiro…”. Neles, a fragrância de Cristo provoca reações contrárias, às vezes iradas. Razão porque é “cheiro de morte”. Eles próprios se condenam à morte espiritual e eterna!
Note que a presença do cristão verdadeiro no mundo não passa despercebida. Ele tem o perfume de Cristo! As pessoas à volta notam e reagem, tornando-se melhores ou piores.
Foi assim com o próprio Jesus. Onde chegava, ele marcava presença. E as pessoas à volta reagiam favoravelmente ou desfavoravelmente; tornavam-se melhores ou piores. Ver Jo 3.16-19. Nesta passagem, João, usando uma figura diferente, a da luz, fala da reação negativa de tantos: “… a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” .
Na família, no trabalho, na vizinhança, na escola, na universidade, nas horas de folga e lazer, temos sido o “aroma” ou “bom perfume de Cristo”? “Cheiro de vida” para alguns, “cheiro de morte” para outros? Marcamos presença? Fazemos diferença?
Peça a Deus que o ajude a ser agradecido por tudo, lutas e vitórias, e, enquanto neste mundo, exalar o perfume de Cristo.
Pr. Éber César
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