Numa das visitas que fiz esta semana, uma senhora me contou que esteve numa, acompanhando uma amiga, e ouviu o pastor pedindo ofertas e dizendo algo assim: “Preencha o cheque com uma quantia bem maior do que o que você tem Deus lhe dará o dobro…” Então a senhora me perguntou: “Isto é assim mesmo? Como é na sua igreja?”
Por coisas assim e muito mais, temos sido ainda mais cuidadosos e discretos quando falamos de dízimos e ofertas. Mas não podemos ser tímidos ou omissos. A Bíblia tem muito a nos dizer a respeito. De fato, nesta igreja, já fizemos, na Escola Dominical, mais de uma vez, uma série de estudos sobre Mordomia (administração dos recursos materiais que Deus nos confia e o dever de dizimar e ofertar generosamente). Além destes estudos, o pastor pregou séries de sermões sobre o tema. Nos ofertórios (momento do culto em que entregamos dízimos e ofertas), lemos passagens bíblicas e damos explicações sobre o privilégio de dizimar.

Entretanto, parece que muitos ainda não se conscientizaram deste seu privilégio e da necessidade da igreja. A participação espontânea e alegre de todos é mais importante que o numerário, que a arrecadação em si, mas estes nos dizem alguma coisa. Nosso orçamento, já apertado, sem envolvimentos maiores com projetos de expansão missionária, é de R$ 16.000,00. A média de nossos dízimos e ofertas mensais de janeiro a agosto deste ano foi R$ 11.319,52. Deus graciosamente nos suplementou com algumas ofertas de irmãos e amigos que não são desta igreja. Todavia, estas ofertas “de fora” foram depositadas em um fundo patrimonial, para obras de manutenção e, futuramente, necessária mudança para melhor local e espaço. Uma outra oferta, mais recente, também “de fora”, foi destinada á um projeto de plantação de uma nova igreja, a partir de janeiro próximo. Será numa grande área da cidade onde ainda não temos igrejas. Isto é visão missionária! Lembre-se de que nossa amada e ainda novel Igreja P. Luz do Mundo começou assim mesmo, como fruto da visão e generosidade de outras igrejas, quando elas tinham suas próprias necessidades.

Esta igreja é freqüentada por irmãos e amigos de todos os níveis sociais e financeiros (excluindo milionários…). No começo do cristianismo foi assim também. Havia aqueles que “possuíam terras ou casas” (certamente além das que ocupavam) e “vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos…” Barnabé foi um deles (At 4. 34-37). Havia também os pobres e os muito pobres. Por isso, o que se depositava “aos pés dos apóstolos” (subentendido, na frente, nas reuniões da igreja, para que fosse administrado pelos líderes espirituais), “se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade” (At 4.35).

O apóstolo Paulo encabeçou uma arrecadação de ofertas nas igrejas da antiga Macedônia (Filipos, Colossos, Tessalônica) e da Grécia (Corinto) visando à “assistência aos santos”, isto é, os cristãos da Judéia, na época, mais pobres e necessitados. Os de Corinto disseram que iam participar, mas domoraram muito… Paulo, então, lhes escreveu longamente, encorajando-os e corrigindo-os com o exemplo dos membros das outras igrejas: “Irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque eles… na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. E não somente fizeram como esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós…” (II Co 8.1-5).

Note nesta bela passagem:

  1. ofertar é graça;.
  2. pobreza e tribulação não são desculpa para não ofertar;
  3. os cristãos da Macedônia deram na medida de suas posses e mesmo acima delas; foram ponderados, mas também generosos;
  4. foram voluntários e até pediram aos apóstolos, insistentemente, que não os deixassem de fora;
  5. eles “deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor…” depois aos apóstolos. Este último ponto é o segredo; é o que se chama consagração pessoal. A gente primeiro se dá a Deus e à sua causa redentora neste mundo, depois, se dispõe a apoiar e ajudar àqueles que estão à frente desta obra como servos e instrumentos de Deus e de Cristo.
  6. Deus promete, sim, abençoar espiritualmente e materialmente os que dizimam e ofertam generosamente (sem, contudo, garantir-lhes a propalada prosperidade, saúde permanente e riqueza)..

Pr. Éber César