Por todo o mundo, ocorrem desastres como queda de aviões, choques de trens, de ônibus e de carros; há epidemias, guerras e fome extrema e permanente em muitas regiões; há assaltos, assassinatos, balas perdidas, tráfico de drogas e violência…

Reagimos com tristeza, estupefação ou indignação, mais ou menos, dependendo da nossa sensibilidade, do nosso grau de envolvimento relacional e afetivo com as vítimas e também da distância física em que nos encontramos do local em que tais coisas acontecem.

Na medida em que somos atingidos, nossa fé é provada, e assim também o nosso equlíbrio emocional. Surgem os questionamentos: “Por que? Por que?” Os céticos ficam mais céticos. Alguns crentes ficam revoltados contra Deus, zangam com a Bíblia, com a oração, com a igreja; perdem a fé. Outros, passada a estupefação, mesmo sem respostas, continuam acreditando, confiando, e saem da crise ainda mais fortalecidos. Este é o milagre da fé, ou melhor, da graça de Deus! Acontece quando, mesmo feridos, cambaleantes, seguimos em frente com certas práticas de cunho espiritual, as que em uma série de mensagens anterior, chamamos de Caminhos da Alegria. Vamos recordá-las, resumidamente, vamos limpar e repintar as placas orientadoras. Até porque, além das adversidades e desastres mencionados, nos entristecemos com o pecado, o nosso e o dos outros. E se não nos entristecemos, deveríamos…

No Velho Testamento, lemos a triste história do rei Davi, que, num momento de fraqueza, cometeu graves pecados. Arrependeu-se, entristeceu-se e pediu a Deus: “Purifica-me… Lava-me… Restitui-me a alegria da tua salvação… Então, ensinarei aos transgressores o teu caminho…” (Sl 51.7-13; ver Sl 32). Numa outra ocasião, porém, ele orou, dizendo: “Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei… Vi os infiéis e senti desgosto…” (Sl 119.136, 158). Deveríamos nos entristecer mais com os nossos próprios pecados e com os dos outros…

Há também aquela tristeza repentina, inexplicável, sem motivo consciente, que baixa sobre todos, mais ou menos intensamente, com mais ou menos frequência. Entendo que essa tristeza não é pecado. Todavia, pode vir a ser, se permitirmos que se transforme em queixume, amargura ou depressão!
Evitamos estes males, superamos essa e aquelas outras tristezas, trilhando os Caminhos da Alegria. Quais são?

1. Comunhão com Deus.

Deus, digamos, é a auto-estrada, a via principal da alegria. O apóstolo Paulo, vivenciando circunstâncias adversas, que o poderiam desanimar e entristecer profundamente, recorreu a Deus, alegrou-se em Deus, e, ferido, numa prisão, escreveu aos cristãos Filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (Fp 4.4).

Deus tem os seus propósitos (que os teólogos chamam de “decretos”). Estes são todos bons e não podem ser frustrados. Ele realiza todas as coisas boas em nossa vida e, soberanamente, permite as adversidades e desastres. Somente permite e usa “para o bem daqueles que o amam” (Rm 12.18). De algum modo, Deus usa as adversidades para fazer-nos cônscios de nossa fraqueza, de nossas necessidades espirituais e da brevidade da vida, e também para o cumprimento daqueles seus propósitos. Veja Sl 119.67 e 71.

2. Adoração verdadeira.

Porque Deus é soberano e tudo faz segundo lhe apraz, para a sua própria glória e para o nosso bem, nós o adoramos com orações, cânticos de gratidão e louvor, e também com a nossa vida (obedecendo à sua Palavra e servindo à sua causa, o que inclui as pessoas). E isto tem tudo a ver com alegria. “Celebrai com júbilo ao Senhor… aclamai, regozijai-vos, e cantai louvores… Exultai perante o Senhor, que é Rei” (Sl 98.4,6). “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria” (Sl 16.7-11).

3. O Estudo bíblico.

A Palavra de Deus, quando lida com atenção e devoção, restaura a alma desanimada e entristecida. “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma… Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração…” (vs.7,8). Valorizamos e priorizamos a Palavra de Deus?  Ver Sl 119.97,143.

4. Oração.

A oração aprofunda a nossa comunhão com Deus, é parte da nossa adoração e acompanha o nosso estudo bíblico, razão porque é fonte de grande alegria. Ao mesmo tempo glorifica a Deus e alegra o nosso coração. Veja estas passagens: “Invoca-me no dia da angústia; e eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15). O angustiado, no poço da tristeza, pede socorro; Deus o atende, tira-o de lá (Sl 50.15). O resultado, além da profunda admiração (glória a Deus), é muita gratidão e alegria. Ver Sl 40.1-4. Jesus garantiu aos seus discípulos: “Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.24).

5. Amor.

O amor verdadeiro é desinteressado: “O amor… não procura os seus interesses” (I Co 13.5). Mesmo assim, o amor compensa, com prazer e alegria. Podemos gostar de amar e nos alegrarmos com nossas próprias manifestações de amor, seja a Deus, a Cristo ou aos nossos semelhantes. Jesus disse: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.35). Em outras palavras, dar nos faz felizes! O apóstolo Paulo escreveu: “Deus ama a quem dá com alegria!” (II Co 9.7). É assim também quando perdoamos, quando buscamos conciliação, etc. Fazemos estas coisas e dizemos: “Amei! Amei fazer isto!”

O citado apóstolo introduziu o capítulo do amor (I Co 13), dizendo: “E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente…” (I Co 12.31). Talvez fosse melhor dizer que o amor não é propriamente um caminho de alegria, mas a pavimentação dos caminhos da alegria.

Você tem andado triste? Não estou perguntando se tem tristezas eventuais. Ma se tem andado triste, costumeiramente. Experimente os Caminhos da Alegria.

Pr. Éber
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