5. O Caminho do Amor.

Preletores e autores têm falado e escrito muito sobre motivação. Todos precisamos de motivação para fazer as coisas. Motivação é o desejo de fazer isto ou aquilo, com esperança ou na certeza do prazer, da recompensa, do lucro. “O que eu vou ganhar com isso?”

A motivação pode ser para o bem ou para o mal. O ladrão faz planos, esforça-se, arrisca-se na esperança do enriquecimento e também do prazer da adrenalina. Mesmo que os tenha, por um tempo, o resultado final não será nada bom. Se falhar a justiça dos homens, a de Deus não falhará!

Os que trabalham honestamente são mais produtivos e felizes quando motivados pela certeza da recompensa, que pode ser a apreciação dos outros, a realização pessoal, um salário justo, estabilidade financeira etc.

Este princípio aplica-se também à vida cristã. A Palavra de Deus nos adverte contra as conseqüências do pecado e promete abençoar os que se voltam para Deus e andam nos seus caminhos. “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

Certamente é com a intenção de motivar que estamos falando dos  Caminhos da Alegria. As práticas espirituais mencionadas nestas mensagens compensam sempre, de muitas maneiras, mas principalmente com alegria. Não é diferente com a prática do amor, assunto desta última mensagem.

Amor desinteressado?

Em muitas passagens, a Bíblia ordena que amemos a Deus, a Cristo, aos irmãos de fé e ao próximo de modo geral (Mt 22.37-39; Jo 13.34-35). No contexto do que vínhamos dizendo sobre motivação e recompensa, pergunto: Que motivação temos para amar? Ou será que para isto não precisamos de motivação? Amamos somente por que Deus nos mandou amar? Amamos independentemente de qualquer retribuição ou recompensa? O amor verdadeiro tem que ser totalmente desinteressado? É o que geralmente se pensa. E num sentido é isso mesmo. Mas, se é assim, qual é a motivação? Qual é a recompensa? Sim, o que ganhamos quando amamos? Ou esta não é pergunta que se faça?
Provavelmente, você se lembra dessas palavras que o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios, num conhecido capítulo sobre amor: “O amor… não procura os seus interesses” (I Co 13.5. Ver 10.24). Bem lembrado, mas será que gostar de amar, seja a Deus, a Cristo ou às pessoas, e alegrar-se com é errado?

Podemos gostar de amar?

O profeta Miquéias escreveu: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é que o Senhor pede de ti: Que pratiques a justiça, e ames a misericórdia…” (Mq 6.8). Interessante! Deus não disse para praticarmos atos de misericórdia apenas por dever de obediência; ele declarou que podemos e devemos gostar de fazer isso. Significa que teremos prazer e alegria sempre que, por amor ou misericórdia, ajudarmos uma pessoa, seja ela amiga ou inimiga.

Jesus disse: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.35). Paulo elogiou as ofertas dos cristãos da Macedônia e garantiu: “Deus ama a quem dá com alegria!” (II Co 9.7). É assim também quando perdoamos, quando buscamos conciliação, etc. Fazemos estas coisas e dizemos: “Amei! Amei fazer isto!” É recompensa! (O contrário também é verdade: Sentimo-nos mal quando não fazemos estas coisas…).

Um caminho sobremodo excelente!

Antes dizer aos Coríntios que “o amor não busca os seus interesses”, Paulo escreveu-lhes: “Ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres… se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13.3). O que isto significa? Que o bem que fazemos por algum outro motivo que não o amor verdadeiro não terá proveito, não será recompensado; obviamente, o que fazemos por amor, terá proveito, será recompensado.

O teólogo John Piper, explicou esta passagem assim (em resumo): “Há um ’proveito’ pelo qual é errado motivar-se, por isso ‘o amor não procura os seus interesses’ (v.5); mas há um ‘proveito’ pelo qual é certo motivar-se, por isso ‘se não tiver amor, nada disso me aproveitará’ (vs.3)”. A motivação certa é esta alegria que o Senhor promete aos que gostam de fazer o bem, de perdoar, de reconciliar, de ajudar e de ver o outro feliz.

Esta experiência maravilhosa pode ser corporativa também. Os que amam a própria família ou a própria igreja e fazem tudo pelo bem estar da mesma, não somente estão mostrando amor verdadeiro, como também terão muitas alegrias!

O apóstolo Paulo introduziu o citado capítulo do amor dizendo: “E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente” (I Co 12.31b).  Talvez, melhor do que chamá-lo caminho da alegria, seja dizer que o amor é a pavimentação dos caminhos da alegria.

Pr. Éber Lenz César
Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007