4. O Caminho da Oração

Já mencionamos a alegria que podemos ter quando vivemos em comunhão com Deus, quando nos reunimos para a adoração e quando lemos e estudamos a Bíblia. A oração é outro caminho ou prática onde podemos experimentar muita alegria.  É disso que vamos falar agora.

Podemos começar com duas perguntas intrigantes: Quem é servo de quem? Somos servos de Deus ou Deus é nosso servo?

Você, provavelmente, já respondeu aí no seu coração: “Claro que nós somos servos de Deus e Deus não é servo de ninguém! Por que a pergunta? Isso parece heresia.”

Pois eu vou lhe dizer: Nós somos servos de Deus, sim, mas num sentido muito real e maravilhoso, Deus é nosso servo.

Somos servos de Deus porque, como instrumentos seus, fazemos uma parte de sua obra. Que privilégio! Os crentes do Velho Testamento muitas vezes se identificavam como “servos de Deus” (Sl 116.16). No Novo Testamento, os que criam em Jesus, eram “libertados do pecado e feitos servos de Deus” (Rm 6.22). O apóstolo Paulo gostava de apresentar-se como “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1) e escreveu: “de Deus somos cooperadores” (I C 3.9).

Mas, volto a dizer, Deus é nosso servo, quer dizer: ele faz coisas para nós, muitas coisas. Is 64.4 ensina que, ao contrário dos deuses pagãos, falsos, o Deus vivo e verdadeiro “trabalha para aquele que nele espera”. Deus ama fazer isso, em resposta às nossas orações. E é assim que a oração glorifica a Deus e alegra o nosso coração.

a) A oração glorifica a Deus.

Veja esta passagem: “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15). Imagine: Você está na praça; vê um homem rico, bem vestido, aproximar-se de um mendigo, falar com ele… O mendigo lhe pede: “Por misericórdia, me dê algo para comer!” O homem rico faz mais que isso… Leva-o para a sua casa, adota-o como filho… O que você diria? “Que mendigo! Ele deve ser um homem muito importante, digno, merecedor…”? Ou, pensando no homem rico, você diria: “Esse homem deve ter muitos recursos… E como ele é bondoso e misericordioso!” Você entendeu, não? Nós somos indignos pecadores, pobres, necessitados, mendigos… O outro, claro, representa Deus, nessa história.

Imagine também: Você está visitando um amigo num hospital; ele esta num leito, doente, fraco, imobilizado. Para recebê-lo e conversar um pouco com você, ele aperta o botão da campainha e chama o enfermeiro: “Por favor, levante a cabeceira de minha cama, me dê um pouco d’água. Minha garganta está seca e eu mal posso falar…” O enfermeiro o atende, faz mais, se desdobra… Pra quem vai sua admiração? Certamente você admira o enfermeiro e alegra-se com o amigo doente. “Que bom que você tem um enfermeiro assim tão prestativo e bondoso…”

Alguém já disse: “Deus não precisa de nós, exceto para ter a quem dar, ter prazer nisso e ser glorificado.”  Bate com o que dizem algumas passagens bíblicas: “Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém… Invoca-me no dia da angústia; e eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.12,15. Veja também At 17.24-25 e Jo 14.13).

Glorificamos a Deus quando, pela oração, logramos fazer o que não poderíamos fazer por nós mesmos. Jesus disse aos seus discípulos: “Sem mim, nada podeis fazer…”. No contexto, quer dizer: “Sem mim não podeis dar nenhum fruto!” Ou “Sem minha bênção, sem minha ajuda, vocês não conseguirão fazer nada que realmente valha a pena, que justifique a vida!” (Jo 15.5).

Vale lembrar ainda a conversa de Jesus com a mulher samaritana. Só para puxar conversa (e salvá-la), Jesus lhe pediu água. Ela, não sabendo de quem se tratava, exceto que era judeu, não foi nada delicada. Então, ele lhe disse: “Se você soubesse o que Deus pode dar e quem é que está lhe pedindo água, você pediria…” (Jo 4. 9-10). Oração tem tudo a ver com o o conhecimento que temos de Deus e de Jesus, por um lado, e de nossa necessidade, por outro lado.

b) A oração alegra o nosso coração.

Já se viu porque. O angustiado, no fundo do posso, invoca o nome do Senhor, pede socorro; Deus o atende, trabalha para ele, faz acontecer, tira-o de lá (Sl 50.15). O resultado, além da profunda admiração (glória a Deus), é muita gratidão e alegria.

O rei Davi testemunhou: “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus. Muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no Senhor. Bem-aventurado (feliz) o homem que põe no Senhor a sua confiança…” (Sl 40.1-4).

Jesus garantiu aos seus discípulos: “Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.24). Todavia, a oração não produz alegria somente quando Deus nos atende e nos abençoa com saúde, direção ou bens materiais. Ela nos alegra também e principalmente porque é conversa com Deus e/ou com o Senhor Jesus. Orar é estar na presença de Deus de modo mais relacional e íntimo. Ele nos ama; e se nós o amamos, conversar com ele, a qualquer hora e em qualquer lugar, será céu na terra! Experimente!

Pr. Éber Lenz César
Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007