Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ
12 Jun
Todos temos tristezas, uns mais, outros menos. Não é problema, não é pecado. Mas… pode vir a ser… se permitimos que se transformem em queixume, amargura ou esfriamento da fé! Podemos evitar esses danos emocionais e espirituais com certas atitudes e práticas ensinadas na Bíblia. São o que chamamos caminhos da alegria. Vamos referir e comentar resumidamente alguns deles.
1. O caminho da comunhão com Deus.
Deus, digamos, é a auto-estrada, a via principal da alegria. O apóstolo Paulo, vivenciando circunstâncias adversas, que o poderiam desanimar e entristecer profundamente, recorreu a Deus, alegrou-se em Deus, e, de uma prisão, escreveu aos cristãos filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (Fp 4.4).
Podemos e devemos nos alegrar no Senhor, sempre, ao menor sinal de tristeza. Ele está sempre ali, ao alcance de nossas orações, cheio de alegria. Nunca o encontraremos frustrado, aborrecido, desanimado, triste… Sabe por quê? Porque ele é Soberano. Ele está acima de todos e de tudo; seus planos (chamados “decretos”, na Teologia) não podem ser frustrados (Is 41.9-10; Dn 4.34-35). Tudo o que acontece ou foi planejado ou foi permitido por ele, para sua própria glória e para o nosso bem.
Foi assim que José interpretou a ação covarde e maldosa dos seus irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem…” (Gn 50.20; 45.5). E foi assim também que os apóstolos entenderam a morte de Cristo na cruz: “Esse Jesus, sendo entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.23).
Talvez, agora, você queira perguntar se Deus, o Pai, ficou realizado e alegre quando permitiu que os irmãos de José o vendessem como escravo ou, pior, quando Jesus, seu próprio Filho, profundamente triste, orou no Getsêmani: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice!” (Mt 26.38-39).
O teólogo John Piper usou uma figura simples para explicar este grande mistério: “Deus tem a capacidade de ver o mundo através de duas lentes. Ele pode olhar por uma lente estreita e por outra de ângulo aberto. Quando Deus olha para um evento doloroso ou perverso através da sua lente estreita, ele vê a tragédia… pelo que ela é em si mesma, e fica irado e triste. ‘Não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus’ (Ez 18.32). Mas quando Deus olha para um evento doloroso ou perverso através de sua lente de ângulo aberto, ele vê a tragédia ou o pecado em relação a tudo o que a causou e a tudo o que deriva dela. Ele a vê em relação a todas as ligações e efeitos que a tornam um padrão ou mosaico que se estende até a eternidade. Esse mosaico com todas as suas partes – boas e más – lhe apraz… Deus quis a crucificação do seu Filho (Is 53.4,10). O pecado e a dor, ele abominou (através da lente estreita). Na obediência que cobriu o pecado e derrotou a morte, ele se alegrou (através da lente de ângulo aberto). Assim é com toda dor e pecado: Triste em si, ela não frustra seus planos nem diminui sua mais profunda satisfação…” (J. Piper, Teologia da Alegria, Shed Publicações, p.28).
Deste modo, podemos entender melhor Rm 8.28: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Esta garantia nos fortalece e nos alegra quando enfrentamos circunstâncias adversas, perdas e tristezas…
Mas note bem: “… cooperam para o bem daqueles que o amam…”. Isto envolve: novo nascimento (obra do Espírito Santo de Deus em nosso espírito) e conversão (incluindo arrependimento e fé, que mesmo sendo “nossa parte”, também são dons de Deus).
A verdadeira alegria está em Deus. Precisamos de Deus!
Pr. Éber Lenz César
Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007
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