Igreja Presbiteriana Luz do Mundo

Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ

Archive for June, 2007

Alegrai-vos no Senhor!

Por todo o mundo, ocorrem desastres como queda de aviões, choques de trens, de ônibus e de carros; há epidemias, guerras e fome extrema e permanente em muitas regiões; há assaltos, assassinatos, balas perdidas, tráfico de drogas e violência…

Reagimos com tristeza, estupefação ou indignação, mais ou menos, dependendo da nossa sensibilidade, do nosso grau de envolvimento relacional e afetivo com as vítimas e também da distância física em que nos encontramos do local em que tais coisas acontecem.

Na medida em que somos atingidos, nossa fé é provada, e assim também o nosso equlíbrio emocional. Surgem os questionamentos: “Por que? Por que?” Os céticos ficam mais céticos. Alguns crentes ficam revoltados contra Deus, zangam com a Bíblia, com a oração, com a igreja; perdem a fé. Outros, passada a estupefação, mesmo sem respostas, continuam acreditando, confiando, e saem da crise ainda mais fortalecidos. Este é o milagre da fé, ou melhor, da graça de Deus! Acontece quando, mesmo feridos, cambaleantes, seguimos em frente com certas práticas de cunho espiritual, as que em uma série de mensagens anterior, chamamos de Caminhos da Alegria. Vamos recordá-las, resumidamente, vamos limpar e repintar as placas orientadoras. Até porque, além das adversidades e desastres mencionados, nos entristecemos com o pecado, o nosso e o dos outros. E se não nos entristecemos, deveríamos…

No Velho Testamento, lemos a triste história do rei Davi, que, num momento de fraqueza, cometeu graves pecados. Arrependeu-se, entristeceu-se e pediu a Deus: “Purifica-me… Lava-me… Restitui-me a alegria da tua salvação… Então, ensinarei aos transgressores o teu caminho…” (Sl 51.7-13; ver Sl 32). Numa outra ocasião, porém, ele orou, dizendo: “Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei… Vi os infiéis e senti desgosto…” (Sl 119.136, 158). Deveríamos nos entristecer mais com os nossos próprios pecados e com os dos outros…

Há também aquela tristeza repentina, inexplicável, sem motivo consciente, que baixa sobre todos, mais ou menos intensamente, com mais ou menos frequência. Entendo que essa tristeza não é pecado. Todavia, pode vir a ser, se permitirmos que se transforme em queixume, amargura ou depressão!
Evitamos estes males, superamos essa e aquelas outras tristezas, trilhando os Caminhos da Alegria. Quais são?

1. Comunhão com Deus.

Deus, digamos, é a auto-estrada, a via principal da alegria. O apóstolo Paulo, vivenciando circunstâncias adversas, que o poderiam desanimar e entristecer profundamente, recorreu a Deus, alegrou-se em Deus, e, ferido, numa prisão, escreveu aos cristãos Filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (Fp 4.4).

Deus tem os seus propósitos (que os teólogos chamam de “decretos”). Estes são todos bons e não podem ser frustrados. Ele realiza todas as coisas boas em nossa vida e, soberanamente, permite as adversidades e desastres. Somente permite e usa “para o bem daqueles que o amam” (Rm 12.18). De algum modo, Deus usa as adversidades para fazer-nos cônscios de nossa fraqueza, de nossas necessidades espirituais e da brevidade da vida, e também para o cumprimento daqueles seus propósitos. Veja Sl 119.67 e 71.

2. Adoração verdadeira.

Porque Deus é soberano e tudo faz segundo lhe apraz, para a sua própria glória e para o nosso bem, nós o adoramos com orações, cânticos de gratidão e louvor, e também com a nossa vida (obedecendo à sua Palavra e servindo à sua causa, o que inclui as pessoas). E isto tem tudo a ver com alegria. “Celebrai com júbilo ao Senhor… aclamai, regozijai-vos, e cantai louvores… Exultai perante o Senhor, que é Rei” (Sl 98.4,6). “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria” (Sl 16.7-11).

3. O Estudo bíblico.

A Palavra de Deus, quando lida com atenção e devoção, restaura a alma desanimada e entristecida. “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma… Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração…” (vs.7,8). Valorizamos e priorizamos a Palavra de Deus?  Ver Sl 119.97,143.

4. Oração.

A oração aprofunda a nossa comunhão com Deus, é parte da nossa adoração e acompanha o nosso estudo bíblico, razão porque é fonte de grande alegria. Ao mesmo tempo glorifica a Deus e alegra o nosso coração. Veja estas passagens: “Invoca-me no dia da angústia; e eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15). O angustiado, no poço da tristeza, pede socorro; Deus o atende, tira-o de lá (Sl 50.15). O resultado, além da profunda admiração (glória a Deus), é muita gratidão e alegria. Ver Sl 40.1-4. Jesus garantiu aos seus discípulos: “Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.24).

5. Amor.

O amor verdadeiro é desinteressado: “O amor… não procura os seus interesses” (I Co 13.5). Mesmo assim, o amor compensa, com prazer e alegria. Podemos gostar de amar e nos alegrarmos com nossas próprias manifestações de amor, seja a Deus, a Cristo ou aos nossos semelhantes. Jesus disse: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.35). Em outras palavras, dar nos faz felizes! O apóstolo Paulo escreveu: “Deus ama a quem dá com alegria!” (II Co 9.7). É assim também quando perdoamos, quando buscamos conciliação, etc. Fazemos estas coisas e dizemos: “Amei! Amei fazer isto!”

O citado apóstolo introduziu o capítulo do amor (I Co 13), dizendo: “E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente…” (I Co 12.31). Talvez fosse melhor dizer que o amor não é propriamente um caminho de alegria, mas a pavimentação dos caminhos da alegria.

Você tem andado triste? Não estou perguntando se tem tristezas eventuais. Ma se tem andado triste, costumeiramente. Experimente os Caminhos da Alegria.

Pr. Éber
(Clique nos linques abaixo para ler as mensagens mais detalhadas sobre cada item desta mensagem).

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  • CAMINHOS DA ALEGRIA: 5. Amor.

    5. O Caminho do Amor.

    Preletores e autores têm falado e escrito muito sobre motivação. Todos precisamos de motivação para fazer as coisas. Motivação é o desejo de fazer isto ou aquilo, com esperança ou na certeza do prazer, da recompensa, do lucro. “O que eu vou ganhar com isso?”

    A motivação pode ser para o bem ou para o mal. O ladrão faz planos, esforça-se, arrisca-se na esperança do enriquecimento e também do prazer da adrenalina. Mesmo que os tenha, por um tempo, o resultado final não será nada bom. Se falhar a justiça dos homens, a de Deus não falhará!

    Os que trabalham honestamente são mais produtivos e felizes quando motivados pela certeza da recompensa, que pode ser a apreciação dos outros, a realização pessoal, um salário justo, estabilidade financeira etc.

    Este princípio aplica-se também à vida cristã. A Palavra de Deus nos adverte contra as conseqüências do pecado e promete abençoar os que se voltam para Deus e andam nos seus caminhos. “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).

    Certamente é com a intenção de motivar que estamos falando dos  Caminhos da Alegria. As práticas espirituais mencionadas nestas mensagens compensam sempre, de muitas maneiras, mas principalmente com alegria. Não é diferente com a prática do amor, assunto desta última mensagem.

    Amor desinteressado?

    Em muitas passagens, a Bíblia ordena que amemos a Deus, a Cristo, aos irmãos de fé e ao próximo de modo geral (Mt 22.37-39; Jo 13.34-35). No contexto do que vínhamos dizendo sobre motivação e recompensa, pergunto: Que motivação temos para amar? Ou será que para isto não precisamos de motivação? Amamos somente por que Deus nos mandou amar? Amamos independentemente de qualquer retribuição ou recompensa? O amor verdadeiro tem que ser totalmente desinteressado? É o que geralmente se pensa. E num sentido é isso mesmo. Mas, se é assim, qual é a motivação? Qual é a recompensa? Sim, o que ganhamos quando amamos? Ou esta não é pergunta que se faça?
    Provavelmente, você se lembra dessas palavras que o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios, num conhecido capítulo sobre amor: “O amor… não procura os seus interesses” (I Co 13.5. Ver 10.24). Bem lembrado, mas será que gostar de amar, seja a Deus, a Cristo ou às pessoas, e alegrar-se com é errado?

    Podemos gostar de amar?

    O profeta Miquéias escreveu: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é que o Senhor pede de ti: Que pratiques a justiça, e ames a misericórdia…” (Mq 6.8). Interessante! Deus não disse para praticarmos atos de misericórdia apenas por dever de obediência; ele declarou que podemos e devemos gostar de fazer isso. Significa que teremos prazer e alegria sempre que, por amor ou misericórdia, ajudarmos uma pessoa, seja ela amiga ou inimiga.

    Jesus disse: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.35). Paulo elogiou as ofertas dos cristãos da Macedônia e garantiu: “Deus ama a quem dá com alegria!” (II Co 9.7). É assim também quando perdoamos, quando buscamos conciliação, etc. Fazemos estas coisas e dizemos: “Amei! Amei fazer isto!” É recompensa! (O contrário também é verdade: Sentimo-nos mal quando não fazemos estas coisas…).

    Um caminho sobremodo excelente!

    Antes dizer aos Coríntios que “o amor não busca os seus interesses”, Paulo escreveu-lhes: “Ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres… se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (I Co 13.3). O que isto significa? Que o bem que fazemos por algum outro motivo que não o amor verdadeiro não terá proveito, não será recompensado; obviamente, o que fazemos por amor, terá proveito, será recompensado.

    O teólogo John Piper, explicou esta passagem assim (em resumo): “Há um ’proveito’ pelo qual é errado motivar-se, por isso ‘o amor não procura os seus interesses’ (v.5); mas há um ‘proveito’ pelo qual é certo motivar-se, por isso ‘se não tiver amor, nada disso me aproveitará’ (vs.3)”. A motivação certa é esta alegria que o Senhor promete aos que gostam de fazer o bem, de perdoar, de reconciliar, de ajudar e de ver o outro feliz.

    Esta experiência maravilhosa pode ser corporativa também. Os que amam a própria família ou a própria igreja e fazem tudo pelo bem estar da mesma, não somente estão mostrando amor verdadeiro, como também terão muitas alegrias!

    O apóstolo Paulo introduziu o citado capítulo do amor dizendo: “E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente” (I Co 12.31b).  Talvez, melhor do que chamá-lo caminho da alegria, seja dizer que o amor é a pavimentação dos caminhos da alegria.

    Pr. Éber Lenz César
    Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007

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  • CAMINHOS DA ALEGRIA: 4. Oração

    4. O Caminho da Oração

    Já mencionamos a alegria que podemos ter quando vivemos em comunhão com Deus, quando nos reunimos para a adoração e quando lemos e estudamos a Bíblia. A oração é outro caminho ou prática onde podemos experimentar muita alegria.  É disso que vamos falar agora.

    Podemos começar com duas perguntas intrigantes: Quem é servo de quem? Somos servos de Deus ou Deus é nosso servo?

    Você, provavelmente, já respondeu aí no seu coração: “Claro que nós somos servos de Deus e Deus não é servo de ninguém! Por que a pergunta? Isso parece heresia.”

    Pois eu vou lhe dizer: Nós somos servos de Deus, sim, mas num sentido muito real e maravilhoso, Deus é nosso servo.

    Somos servos de Deus porque, como instrumentos seus, fazemos uma parte de sua obra. Que privilégio! Os crentes do Velho Testamento muitas vezes se identificavam como “servos de Deus” (Sl 116.16). No Novo Testamento, os que criam em Jesus, eram “libertados do pecado e feitos servos de Deus” (Rm 6.22). O apóstolo Paulo gostava de apresentar-se como “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1) e escreveu: “de Deus somos cooperadores” (I C 3.9).

    Mas, volto a dizer, Deus é nosso servo, quer dizer: ele faz coisas para nós, muitas coisas. Is 64.4 ensina que, ao contrário dos deuses pagãos, falsos, o Deus vivo e verdadeiro “trabalha para aquele que nele espera”. Deus ama fazer isso, em resposta às nossas orações. E é assim que a oração glorifica a Deus e alegra o nosso coração.

    a) A oração glorifica a Deus.

    Veja esta passagem: “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15). Imagine: Você está na praça; vê um homem rico, bem vestido, aproximar-se de um mendigo, falar com ele… O mendigo lhe pede: “Por misericórdia, me dê algo para comer!” O homem rico faz mais que isso… Leva-o para a sua casa, adota-o como filho… O que você diria? “Que mendigo! Ele deve ser um homem muito importante, digno, merecedor…”? Ou, pensando no homem rico, você diria: “Esse homem deve ter muitos recursos… E como ele é bondoso e misericordioso!” Você entendeu, não? Nós somos indignos pecadores, pobres, necessitados, mendigos… O outro, claro, representa Deus, nessa história.

    Imagine também: Você está visitando um amigo num hospital; ele esta num leito, doente, fraco, imobilizado. Para recebê-lo e conversar um pouco com você, ele aperta o botão da campainha e chama o enfermeiro: “Por favor, levante a cabeceira de minha cama, me dê um pouco d’água. Minha garganta está seca e eu mal posso falar…” O enfermeiro o atende, faz mais, se desdobra… Pra quem vai sua admiração? Certamente você admira o enfermeiro e alegra-se com o amigo doente. “Que bom que você tem um enfermeiro assim tão prestativo e bondoso…”

    Alguém já disse: “Deus não precisa de nós, exceto para ter a quem dar, ter prazer nisso e ser glorificado.”  Bate com o que dizem algumas passagens bíblicas: “Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém… Invoca-me no dia da angústia; e eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.12,15. Veja também At 17.24-25 e Jo 14.13).

    Glorificamos a Deus quando, pela oração, logramos fazer o que não poderíamos fazer por nós mesmos. Jesus disse aos seus discípulos: “Sem mim, nada podeis fazer…”. No contexto, quer dizer: “Sem mim não podeis dar nenhum fruto!” Ou “Sem minha bênção, sem minha ajuda, vocês não conseguirão fazer nada que realmente valha a pena, que justifique a vida!” (Jo 15.5).

    Vale lembrar ainda a conversa de Jesus com a mulher samaritana. Só para puxar conversa (e salvá-la), Jesus lhe pediu água. Ela, não sabendo de quem se tratava, exceto que era judeu, não foi nada delicada. Então, ele lhe disse: “Se você soubesse o que Deus pode dar e quem é que está lhe pedindo água, você pediria…” (Jo 4. 9-10). Oração tem tudo a ver com o o conhecimento que temos de Deus e de Jesus, por um lado, e de nossa necessidade, por outro lado.

    b) A oração alegra o nosso coração.

    Já se viu porque. O angustiado, no fundo do posso, invoca o nome do Senhor, pede socorro; Deus o atende, trabalha para ele, faz acontecer, tira-o de lá (Sl 50.15). O resultado, além da profunda admiração (glória a Deus), é muita gratidão e alegria.

    O rei Davi testemunhou: “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus. Muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no Senhor. Bem-aventurado (feliz) o homem que põe no Senhor a sua confiança…” (Sl 40.1-4).

    Jesus garantiu aos seus discípulos: “Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.24). Todavia, a oração não produz alegria somente quando Deus nos atende e nos abençoa com saúde, direção ou bens materiais. Ela nos alegra também e principalmente porque é conversa com Deus e/ou com o Senhor Jesus. Orar é estar na presença de Deus de modo mais relacional e íntimo. Ele nos ama; e se nós o amamos, conversar com ele, a qualquer hora e em qualquer lugar, será céu na terra! Experimente!

    Pr. Éber Lenz César
    Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007

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  • CAMINHOS DA ALEGRIA: 3. Estudo Bíblico

    3. O Caminho do Estudo Bíblico

    A tristeza é recorrente em todas as idades, com maior ou menor frequência, gravidade e duração. Graças a Deus, temos, também, sobejos motivos e meios para superar a tristeza e viver mais felizes. Nesta série de mensagens, estamos mapeando o que chamamos de Caminhos da Alegria. Já mostramos o Caminho da Comunhão com Deus (“Alegraivos no Senhor”) e o Caminho da Adoração Verdadeira (“Celebrai com júbilo ao Senhor… Exultai perante o Senhor…”). Agora, vamos assinalar o Caminho do Estudo Bíblico.

    A segunda parte do Salmo 19 exalta a Palavra de Deus, a Bíblia. Começa dizendo: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma… Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração…” (vs.7,8). A Palavra de Deus, quando lida com atenção e devoção, restaura a alma desanimada e entristecida. Por isso, o salmista acrescentou: “Os juízos do Senhor são verdadeiros… São mais desejáveis do que ouro… e mais doces do que o mel” (v.10). Diríamos a mesma coisa? Valorizamos e priorizamos a Palavra de Deus?

    Nossas tristezas são causadas por circunstâncias adversas, perdas, atitudes das pessoas, coisas que nos dizem… (ou não dizem). Muitas vezes, resultam dos nossos próprios pecados. Vêm com a culpa e com o arrependimento. Em cada caso, devemos considerar seriamente esta advertência do apóstolo Paulo:
    “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne (pessoas como nós), e, sim, contra… os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal…” (Ef 6.1-12).

    O diabo e seus demônios usam as circunstâncias e as pessoas para nos afastarem de Deus, da adoração, da igreja, enfim, dos caminhos da alegria! À margem ou longe destes, há desorientação, isolamento, pedras, espinhos, tristeza. É uma luta, uma verdadeira batalha espiritual.

    Nos versos seguintes, o apóstolo, tendo em mente a armadura do soldado romano de sua época, ilustra os recursos espirituais que Deus proveu para os cristãos lutarem e vencerem essa batalha. São as armas espirituais do crente. Uma delas é “a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6.17). A Bíblia, inspirada pelo Espírito, é uma arma poderosa. Entretanto, não adianta muito ter uma arma e não saber usá-la.

    Os soldados romanos eram bem treinados no manejo da espada. Pensando neles, outra vez, Paulo escreveu ao jovem pastor Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus como obreiro aprovado… que maneja bem a Palavra da verdade” (II Tm 2.15). É da máxima importância ler e estudar a Bíblia regularmente, com interesse, com a mente e o coração receptivos, e com a disposição de colocá-la em prática. Isso inclui a Palavra pregada nas reuniões da igreja e estudada em grupos.

    Qual é a motivação? Qual é a vantagem? “Os preceitos do Senhor… alegram o coração…” Por isso “são mais desejáveis do que o ouro, mais doces do que o mel…” (Sl 19.10). Como o Salmo 19, o 119 também exalta a Palavra de Deus. A certa altura, o salmista, em oração, declara: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação todo o dia… Sobre mim vieram tribulação e angústia, todavia os teus mandamentos são o meu prazer” (Sl 119.97,143).

    Um homem rico, no dia do seu aniversário, quis presentear seus criados. Reuniu-os na sala, e perguntou a cada um deles:

    - O que você prefere receber: Esta Bíblia ou este dinheiro?
    O cocheiro respondeu: “Eu gostaria de receber a Bíblia, mas, como não aprendi a ler, o dinheiro me será mais útil!”

    O jardineiro, escolhendo bem as palavras, falou: “Minha mulher está doente… O dinheiro pode ajudar.

    Noutras circunstâncias eu escolheria a Bíblia.”
    A cozinheira disse: “Eu até que sei ler, mas não tenho tempo nem para folhear uma revista; portanto, aceito o dinheiro para comprar um vestido novo.”

    A arrumadeira, por sua vez, disse: “Eu já tenho uma Bíblia e não preciso de outra; prefiro o dinheiro.”

    Finalmente, chegou a vez do menino de recados. Sabendo-o necessitado, o patrão adiantou-se em dizer-lhe: “Certamente você também prefere o dinheiro… Poderá comprar um sapato novo, não é mesmo?”

    - “Muito obrigado pela sugestão… mas vou preferir a Bíblia. Minha mãe me ensinou que a Palavra de Deus é mais desejável do que o ouro…”

    Ao receber o bonito volume, o menino o abriu, muito feliz. Surpreso, encontrou dentro dele dinheiro suficiente para comprar sapatos e muito mais.

    Normalmente, não encontramos dinheiro dentro das Bíblias… Mesmo assim, por seu valor espiritual, ela é mesmo mais desejável que o ouro e nos traz grande alegria.

    Você tem um tempo diário para ler a Bíblia, meditar, aplicar e fazer anotações? Ama esse exercício espiritual? Tem tido alegria com isso? Experimente!

    Pr. Éber Lenz César
    Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007

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  • CAMINHOS DA ALEGRIA: 2. Adoração Verdadeira

    2. O Caminho da Adoração Verdadeira.

    Porque Deus é soberano e tudo faz segundo lhe apraz, para a sua própria glória e para o nosso bem, nós o adoramos com orações, cânticos de gratidão e louvor, e também com a vida (obediência e serviço). Essa prática (que é um caminho, um modo de vida), tem tudo a ver com a alegria, muita alegruia. É um santo remédio para a tristeza e o desânimo.

    A Bíblia tem muito a nos dizer sobre isto. Por exemplo:

    “Celebrai com júbilo ao Senhor… aclamai, regozijai-vos, e cantai louvores… Exultai perante o Senhor, que é Rei” (Sl 98.4,6).

    “Celebrai com júbilo ao Senhor… Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. Sabei que o Senhor é Deus: foi ele quem nos fez e dele somos; somos o seu povo, e rebanho do seu pastoreio… Rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. Porque o Senhor é bom, a sua misericórdia dura para sempre…” (Sl 100).

    “Bendigo o Senhor, que me aconselha… Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta… Tu me farás ver os caminhos da vida;  na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 16.7-11).

    Como se vê, a adoração é tanto mais verdadeira e sincera quando o adorador conhece o Deus vivo e verdadeiro, Soberano, Criador, Provedor, um Deus de amor e misericórdia.

    “Adoração é uma maneira de refletir alegremente, de volta para Deus, o brilho do seu valor… A natureza faz isso: ‘Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos…’ (Sl 19). Mas só os seres humanos podem fazer isso conscientemente e alegremente!” (John Piper).

    Em sua famosa conversa com a mulher samaritana (João 4), Jesus ensinou algumas coisas importantes sobre adoração. Primeiro, argumentou que, a esta altura da história bíblica, a história da redenção, o lugar da adoração não é importante; pode-se adorar em qualquer lugar (ver Jo 4.19-21). Depois destacou a necessidade do adorador conhecer e confiar no Deus único e verdadeiro, o Pai que está nos céus, e, então, adorá-lo “em espírito e em verdade”. Jesus, então, acrescentou: “São estes que o Pai procura para seus adoradores” (Jo 4.22-24).

    A expressão “em espírito” lembra-nos que a adoração que Deus aceita é aquela que brota de um coração reconhecido, agradecido, amoroso! (ver Is 29.13). A expressão “em verdade” lembra que essa adoração passa pela mente, não dispensa o conhecimento da verdade, ou seja, de Deus e sua Palavra.

    Falando dessa adoração, o citado J. Piper usou as seguintes figuras: O combustível da adoração é a verdade de Deus; a fornalha da adoração é o espírito humano; fogo da adoração é o Espírito Santo de Deus; o calor gerado é a afeição, a contrição, a confiança e a alegria. Muito bom!

    Pr. Éber Lenz César
    Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007

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  • CAMINHOS DA ALEGRIA: 1. Comunhão com Deus

    Todos temos tristezas, uns mais, outros menos. Não é problema, não é pecado. Mas… pode vir a ser… se permitimos que se transformem em queixume, amargura ou esfriamento da fé! Podemos evitar esses danos emocionais e espirituais com certas atitudes e práticas ensinadas na Bíblia. São o que chamamos caminhos da alegria.  Vamos referir e comentar resumidamente alguns deles.

    1. O caminho da comunhão com Deus.

    Deus, digamos, é a auto-estrada, a via principal da alegria. O apóstolo Paulo, vivenciando circunstâncias adversas, que o poderiam desanimar e entristecer profundamente, recorreu a Deus, alegrou-se em Deus, e, de uma prisão, escreveu aos cristãos filipenses: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” (Fp 4.4).

    Podemos e devemos nos alegrar no Senhor, sempre, ao menor sinal de tristeza. Ele está sempre ali, ao alcance de nossas orações, cheio de alegria. Nunca o encontraremos frustrado, aborrecido, desanimado, triste… Sabe por quê? Porque ele é Soberano. Ele está acima de todos e de tudo; seus planos (chamados “decretos”, na Teologia) não podem ser frustrados (Is 41.9-10; Dn 4.34-35). Tudo o que acontece ou foi planejado ou foi permitido por ele, para sua própria glória e para o nosso bem.

    Foi assim que José interpretou a ação covarde e maldosa dos seus irmãos:  “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem…” (Gn 50.20; 45.5). E foi assim também que os apóstolos entenderam a morte de Cristo na cruz: “Esse Jesus, sendo entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.23).

    Talvez, agora, você queira perguntar se Deus, o Pai, ficou realizado e alegre quando permitiu que os irmãos de José o vendessem como escravo ou, pior, quando Jesus, seu próprio Filho, profundamente triste, orou no Getsêmani: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice!” (Mt 26.38-39).

    O teólogo John Piper usou uma figura simples para explicar este grande mistério: “Deus tem a capacidade de ver o mundo através de duas lentes. Ele pode olhar por uma lente estreita e por outra de ângulo aberto. Quando Deus olha para um evento doloroso ou perverso através da sua lente estreita, ele vê a tragédia… pelo que ela é em si mesma, e fica irado e triste. ‘Não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus’ (Ez 18.32). Mas quando Deus olha para um evento doloroso ou perverso através de sua lente de ângulo aberto, ele vê a tragédia ou o pecado em relação a tudo o que a causou e a tudo o que deriva dela. Ele a vê em relação a todas as ligações e efeitos que a tornam um padrão ou mosaico que se estende até a eternidade. Esse mosaico com todas as suas partes - boas e más - lhe apraz… Deus quis a crucificação do seu Filho (Is 53.4,10). O pecado e a dor, ele abominou (através da lente estreita). Na obediência que cobriu o pecado e derrotou a morte, ele se alegrou (através da lente de ângulo aberto). Assim é com toda dor e pecado: Triste em si, ela não frustra seus planos nem diminui sua mais profunda satisfação…” (J. Piper, Teologia da Alegria, Shed Publicações, p.28).

    Deste modo, podemos entender melhor Rm 8.28: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Esta garantia nos fortalece e nos alegra quando enfrentamos circunstâncias adversas, perdas e tristezas…

    Mas note bem: “… cooperam para o bem daqueles que o amam…”. Isto envolve: novo nascimento (obra do Espírito Santo de Deus em nosso espírito) e conversão (incluindo arrependimento e fé, que mesmo sendo “nossa parte”, também são dons de Deus).

    A verdadeira alegria está em Deus. Precisamos de Deus!

    Pr. Éber Lenz César
    Pregado na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro, 2007

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    Somos uma igreja informal e acolhedora, comprometida com o Senhor Jesus e com o seu evangelho. Historicamente somos “filhos” da Reforma Protestante do século XVI e Presbiterianos, sob a jurisdição da Igreja Presbiteriana do Brasil, presente no país desde 1859.

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